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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Adeus, Stuart Hall

A morte de Stuart Hall foi a notícia triste da semana. Hall ficou conhecido como o pai do multiculturalismo e um dos grandes nomes dos teóricos dos Estudos Culturais. Nascido na Jamaica, Hall foi estudar em Oxford e, junto com Raymond Williams e E.P. Thompson, iniciou a produção teórica no campo dos Estudos Culturais. Independente de sua importância e inegável valor acadêmico, Hall sempre foi o meu autor preferido dos Estudos Culturais por causa das suas ideias e do seu estilo de texto. Adoro a forma como ele colocava as suas ideias, o ritmo do seu texto, a forma como ele brincava com as palavras... Sua morte é uma grande perda e deixo aqui a reprodução da minha passagem preferida do livro "Da diáspora: identidades e mediações culturais" (p.204).

"Quero sugerir uma metáfora diferente para o trabalho teórico: uma metáfora de luta, de combate com os anjos. A única teoria que vale a pena reter é aquela que você tem de contestar, não a que você fala com profunda fluência.Desejaria dizer algo mais adiante sobre a surpreendente fluência teórica dos estudos culturais contemporâneos. Contudo, a minha própria experiência com a teoria — e o marxismo e um exemplo paradigmático — consiste num combate com os anjos — uma metáfora que vocês podem interpretar o mais literalmente possível. Lembro-me de ter lutado com Althusser. Lembro-me de, ao ver a ideia de “prática teórica” em Lendo O Capital, pensar, “já li o suficiente”. Disse a mim mesmo: não cederei um milímetro a esta tradução pós-estruturalista malfeita do marxismo clássico, a não ser que ela me consiga vencer, a não ser que me consiga derrotar no espírito. Terá que caminhar sobre o meu cadáver para me convencer. Declarei-lhe guerra, até a morte".

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Compartilhando a Tese

Já faz um certo tempo que eu desejava disponibilizar a minha tese aqui, mas ainda faltava alguns ajustes da ABNT e confesso que eu não aguentava mais olhar para ela. Fiquei empacada com as normas para a citação de documentos oficiais. A princípio a citação correta seria BRASIL, ano, mas a quantidade de documentos do mesmo ano (e do mesmo órgão) confundiria bastante o leitor. Optei por manter o nome do documento, uma opção prevista nas normas da ABNT quando o documento for específico. Como a pesquisa é documental, os documentos oficiais são as estrelas do trabalho, citá-los como Brasil, 2005a, Brasil, 2005b, transformaria a análise das resoluções e anexos em materiais subjacentes. O corpus documental que eu estava analisando era tão complexo que foi preciso criar um esquema visual para explicar a importância e a articulação entre eles. Confesso que sinto um prazer secreto em desafiar as normas da ABNT, existem alguns elementos que simplesmente não estão previstos nas normas e ficamos sem saber o que fazer com eles. Um exemplo foi a nuvem de tags que eu coloquei ao final de cada capítulo, para desespero da banca. O momento Kodak da defesa foi o professor Sérgio Abranches elogiando a minha ousadia ao inserir as imagens e as nuvens de tags enquanto o resto da banca não achava tão interessante assim. Outra questão importante era a publicação no próprio site do PPGE, responsável pela indexação oficial das teses defendidas na UFPB. Bom, sem mais delongas, segue o link para acessar a tese "Educação a Distância e a Formação de Professores na Perspectiva dos Estudos Culturais".

sábado, 3 de janeiro de 2009

A Educação a Distância na Perspectiva dos Estudos Culturais

O objeto do meu trabalho é a Educação a Distância na perspectiva dos estudos culturais, buscando compreender a subjetividade e as relações de poder que envolvem o uso da tecnologia na educação. Estou construindo o percurso de implementação do pró-Licenciatura, programa governamental da SEED/MEC para formar professores em cursos de Licenciatura a distância. Na análise dos documentos, venho observando a preocupação principal com a disseminação do uso das ferramentas tecnológicas entre os professores da educação básica na rede pública. O uso da modalidade a distância pressupõe o uso maciço destas tecnologias no decorrer de todo o curso, sendo um dos objetivos do programa modificar a relação dos professores com a tecnologia (incrementando todas as possibilidades de aprendizagem, do professor e do aluno). Esta mudança no comportamento dos professores tem um relação direta com a cultura escolar e com as relações de poder que estes dispositivos tecnológicos representam dentro do ambiente educacional. Assim, ouvimos o tempo todo inúmeras desculpas para que os professores não utilizem as ferramentas tecnológicas, mas pouco se tem feito no sentido de mudar este paradigma. Observamos que são oferecidos cursos, os computadores estão na escola (trancafiados ou subutilizados), os professores possuem computadores, mas seu uso efetivo está longe de ser consolidado. Existe uma premissa falsa de que o uso das tecnologias acontece com sucesso na escola privada, mas na verdade o que acontece, de fato, é a aula de informática, dissociada da prática dos outros professores e do contexto curricular. Acontece porque a escola particular tem em seus quadros o professor de informática e a clientela domina o uso do computador, mas daí a existir um projeto integrado pedagogicamente, é outra história. Bom, para tentar pesquisar isso tudo (e mais alguma coisa), estou trabalhando na perspectiva dos Estudos Culturais. Embora seja utilizado mais freqüentemente no campo de gênero, etnias e mídia popular, ele também possibilita uma boa discussão sobre o uso dos artefatos tecnológicos.Infelizmente, o campo de pesquisa dos Estudos Culturais está mais disseminado nas áreas da comunicação e da linguagem, seu uso na educação foi intensificado apenas recentemente. Por esta razão, criei um blog esta semana para tentar organizar as leituras disponíveis e discutir um pouco os Estudos Culturais a partir da questão do uso das tecnologias na educação. A idéia é colocar a contribuição de todos que quiserem publicar algum post sobre o tema, mantendo no controle das carrapetas do blog, professores colaboradores. Quem tiver interesse em conhecer um pouco do assunto ou quiser contribuir para a discussão é só passar por lá.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Enquanto isso, na sala da justiça...

Esta semana, depois de duas noites sem dormir por conta dos horários nos vôos de JPA/BSB (imagino que uma homenagem sarcástica das companhias aéreas ao local onde o sol nasce primeiro...), tive algumas idéias muito interessante sobre a minha tese. A professora Edna Brennand - ah, vocês não sabiam? Ela é minha professora no PPGE - andou me enlouquecendo na sua disciplina Seminários dos Estudos Culturais, que objetivamente pretende construir as bases epistemológicas das nossas dissertações e teses. Apresentamos a estrutura de nossos trabalhos, e, infelizmente, ela não conseguiu encontrar meu objeto, meu foco e minhas bases epistemológicas em nenhuma das minhas propostas. Como boa aprendiz de Chapolim Colorado (não contavam com minha astúcia) e brasileira da gema (não desisto nunca), fiquei empacada nas últimas semanas em crise acadêmico-existencial-culturalista, até que consegui vislumbrar a minha estrutura. Sim, eu acredito na inspiração como ponto de partida e no trabalho árduo para a realização.Todos nós temos nossos lampejos de genialidade, mas confesso que o meu foi provocado pelo meu ego abalado. Eu estou realmente apaixonada pelo meu trabalho, mas não estava encontrando sustentação sequer para defendê-lo. Com fôlego renovado, começo a escrever o meu capítulo de metodologia que servirá como trabalho final da disciplina. Mais uma vez, assim como no mestrado, saio do óbvio com a dificuldade de estruturar uma metodologia muito mais complexa do que no mestrado, já que estou trabalhando com a perspectiva dos Estudos Culturais.Vamos ver onde isso vai dar, pois pretendo me qualificar em março (exatamente um ano após o ingresso no doutorado).


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As pessoas me perguntam com consigo dar conta de tantas coisas ao mesmo tempo, mas o fato é que só está sendo possível conciliar o trabalho com o doutorado, porque eu coordeno o pró-licenciatura (meu objeto de estudo), dou aula da disciplina Educação a Distância e todos os trabalhos que oriento estão relacionados com o assunto. Resumindo, tudo que eu faço hoje, todas as minhas atribuições perpassam meu objeto de estudo no doutorado. Se eu coordenasse um curso diferente e assumisse disciplinas fora do foco de estudo, estaria mesmo em palpos de aranhas (como dizia minha avó). O risco que eu corro hoje é ficar uma pessoa de um assunto só, e acabar enjoando da EAD de forma definitiva. Mas que fique registrado: isso só pode acontecer depois que eu concluir meu trabalho e passar em algum concurso. Só depois eu posso virar uma monja budista ou ficar correndo pelada em alguma comunidade alternativa vegetariana. Até lá, tome as novas tecnologias!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A Atitude Web 2.0

Eu já comentei aqui sobre o debate entre a corrente que acredita que a Web 2.0 é uma revolução na rede, e os demais que não a consideram uma ferramenta com um diferencial para tanto. Lendo o blog Boletín Vespertino, indicado pelo Prof. Manuel, percebi que o debate está transcendendo a questão técnica e colocando os questionamentos sobre a Web 2.0 em um nível ainda mais complexo, que está perfeitamente relacionado com os estudos culturais. Ao afirmar que a Web 2.0 não é uma ferramenta, mas sim uma atitude no uso da web, saímos do círculo vicioso de inovação tecnológica (que não estava nos levando adiante) e entramos no debate sobre um outro conceito, a inovação/revolução cultural provocada pela mudança no comportamento dos usuários diante da ferramenta de comunicação. Compartilho com vocês algumas informações que retirei do blog de Karen Garib:


domingo, 6 de abril de 2008

Artigo Estudos Culturais e o Pró-Licenciatura

Transformei o meu projeto de seleção para o doutorado em um artigo para apresentar no ESUD 2008, que acontecerá no final deste mês em Gramado. Já coloquei um link com o texto aqui no blog (em artigos publicados) para quem quiser dar uma olhada. As mudanças nas políticas públicas de educação a distância vem confirmando minhas hipóteses sobre os programas governamentais. É bem estimulante quando os fatos consolidam nossas suposições acadêmicas, mas por outro lado, torna-se mais difícil manter o foco. Neste momento, o Pró-Licenciatura está superado pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), e mesmo com tantas coisas acontecendo, preciso manter o recorte temporal no meu objeto. Meus colegas de doutorado Ramsés e Cristiano Ferronato tiram isso de letra, já que são historiadores, mas quando sento para escrever meu trabalho sou inevitavelmente atraída pelas mudanças atuais que estão acontecendo na EAD. Imagine se este impulso se tornasse incontrolável, eu não ia terminar este trabalho nunca... O tempo urge impiedoso (tic-tac-tic-tac).

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