Sem querer copiar o Jack Bauer e suas 24 horas, estou em Brasília participando de um encontro do Pró-Licenciatura com coordenadores de todos os cantos do país. O pretexto do evento é a incorporação amistosa do Pró-Licenciatura pela UAB, que por sua vez foi incorporada pela CAPES, que por sua vez resolveu se tornar uma locomotiva operacional dos programas de educação. Educação básica, a distância, presencial, graduação, pós-graduação, seja o que for, a CAPES está no comando das carrapetas. Como diria Stuart Hall, do lugar de onde eu falo, os números estão na pauta do dia. Hoje, são 560 pólos de educação a distância com cerca de 100 000 alunos. A previsão para 2011 é de 850 pólos com 700 000 alunos. Eu não sei nem fazer a conta deste aumento percentual, e nem sei explicar porque o aumento astronômico no número de vagas é um fato positivo. O Pró-Licenciatura foi implementado em uma concepção de autonomia das Universidades na organização e estruturação dos pólos, e foi dito com clareza que esta autonomia será sacrificada com a mudança para a UAB. A UAB não é apenas uma rede de articulação dos cursos a distância, ela é um modelo hegemônico de educação a distância. A permuta para a perda de autonomia é a sinalização de novos financiamentos. Mas será mais fácil chegar aos 700 000 alunos agregando os pólos do Pró-Licenciatura... Não é uma escolha, a decisão já foi tomada, cabe aos representantes "construir" de forma "coletiva" como esse modelo será melhor absorvido. No que me diz respeito ao processo, encontrei o tema e o material do capítulo final da minha tese, mas vou sentir muita falta do Pró-Licenciatura e do que ele representou para se pensar em um nova concepção de educação no país.
terça-feira, 28 de abril de 2009
domingo, 6 de abril de 2008
Artigo Estudos Culturais e o Pró-Licenciatura
Transformei o meu projeto de seleção para o doutorado em um artigo para apresentar no ESUD 2008, que acontecerá no final deste mês em Gramado. Já coloquei um link com o texto aqui no blog (em artigos publicados) para quem quiser dar uma olhada. As mudanças nas políticas públicas de educação a distância vem confirmando minhas hipóteses sobre os programas governamentais. É bem estimulante quando os fatos consolidam nossas suposições acadêmicas, mas por outro lado, torna-se mais difícil manter o foco. Neste momento, o Pró-Licenciatura está superado pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), e mesmo com tantas coisas acontecendo, preciso manter o recorte temporal no meu objeto. Meus colegas de doutorado Ramsés e Cristiano Ferronato tiram isso de letra, já que são historiadores, mas quando sento para escrever meu trabalho sou inevitavelmente atraída pelas mudanças atuais que estão acontecendo na EAD. Imagine se este impulso se tornasse incontrolável, eu não ia terminar este trabalho nunca... O tempo urge impiedoso (tic-tac-tic-tac).