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domingo, 2 de maio de 2010

A Institucionalização da EAD nas Universidades

Nas reflexões sobre as políticas públicas em Educação a Distância é possível observar os movimentos da ação governamental com a precisão de um jogador de xadrez. Nem todos os movimentos são os mais adequados, mas reconheço que não haviam muitas opções para se implementar a EAD como política pública. A opção foi negociar diretamente com os reitores, via editais, operacionalizando a EAD através de grupos dentro das IES, sem passar por departamentos e conselhos. Não resta dúvida que se fosse seguido todo o procedimento regimental das IES - aprovação dos cursos nos departamentos, conselhos de centro e órgãos superiores das Universidades - a EAD ainda estaria no papel, porém, "quebrar" o sistema significou manter a modalidade marginalizada. A EAD sobrevive na maioria das Universidades públicas porque é financiada, se o governo retirar amanhã o subsídio, o sistema trava. A proximidade das eleições presidenciais tem tirado o sono de muita gente, e mesmo com algumas garantias elementares, não existe certeza de que a EAD será mantida nos modelos de hoje. Por esta razão, o governo corre contra o tempo tentando institucionalizar a EAD e cortar a dependência financeira (e sistêmica) que foi criada. Não foi por acaso que a EAD foi parar na CAPES, órgão reconhecido por sua excelência, por financiar projetos e realizar avaliação da pós-graduação no país. As vagas para os professores, reivindicação antiga dos percursores da EAD, foram liberadas apenas para lotação dentro dos departamentos. O último edital de fomento da CAPES para as IES que atuam com EAD foi explícito: as propostas precisavam de aprovação nos departamentos. É um movimento confuso, mas o objetivo é claro: as equipes criadas no início da implantação da EAD foram necessárias, mas hoje constituem-se um entrave para o processo de institucionalização. Não é possível convencer as estruturas departamentais e conselhos (que atuam com representantes legitimados através do voto) que a EAD seja conduzida por pessoas indicadas pela reitoria. Nenhuma estrutura reconhecerá a modalidade enquanto os coordenadores (e a equipe constituída) não for eleita ou legitimamente indicada a partir de um debate democrático. As indicações são toleradas apenas por um tempo determinado, e o próprio desempenho e formação da maioria dos escolhidos deixa muito a desejar, por mais que a CAPES os agrade constituindo "grupos de avaliação" (é só olhar o banco de consultores, a maioria é formada por coordenadores UAB ou de curso, ou seja, avaliação entre pares). Em resumo: os coordenadores UAB, figuras de confiança do reitor e do próprio sistema UAB, tornaram-se elefantes brancos nas IES. Mas conhecemos as políticas de Estado o suficiente para saber como terminará a história: o atual modelo de gerenciamento da EAD está com os dias contados!

terça-feira, 28 de abril de 2009

A UAB/MEC em Tempo Real

Sem querer copiar o Jack Bauer e suas 24 horas, estou em Brasília participando de um encontro do Pró-Licenciatura com coordenadores de todos os cantos do país. O pretexto do evento é a incorporação amistosa do Pró-Licenciatura pela UAB, que por sua vez foi incorporada pela CAPES, que por sua vez resolveu se tornar uma locomotiva operacional dos programas de educação. Educação básica, a distância, presencial, graduação, pós-graduação, seja o que for, a CAPES está no comando das carrapetas. Como diria Stuart Hall, do lugar de onde eu falo, os números estão na pauta do dia. Hoje, são 560 pólos de educação a distância com cerca de 100 000 alunos. A previsão para 2011 é de 850 pólos com 700 000 alunos. Eu não sei nem fazer a conta deste aumento percentual, e nem sei explicar porque o aumento astronômico no número de vagas é um fato positivo. O Pró-Licenciatura foi implementado em uma concepção de autonomia das Universidades na organização e estruturação dos pólos, e foi dito com clareza que esta autonomia será sacrificada com a mudança para a UAB. A UAB não é apenas uma rede de articulação dos cursos a distância, ela é um modelo hegemônico de educação a distância. A permuta para a perda de autonomia é a sinalização de novos financiamentos. Mas será mais fácil chegar aos 700 000 alunos agregando os pólos do Pró-Licenciatura... Não é uma escolha, a decisão já foi tomada, cabe aos representantes "construir" de forma "coletiva" como esse modelo será melhor absorvido. No que me diz respeito ao processo, encontrei o tema e o material do capítulo final da minha tese, mas vou sentir muita falta do Pró-Licenciatura e do que ele representou para se pensar em um nova concepção de educação no país.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

UAB 2.0: Fórum de Geografia

Esta semana, estive em Brasília para participar de uma reunião com os coordenadores dos cursos de Geografia, Filosofia, História, Artes e Música a distância. Foram dois dias de reunião com muitas sugestões sobre a construção destes projetos. É muito interessante observar que os problemas locais são os mesmos de todos. Conheci pessoas ótimas que estão trabalhando com a EAD pelo Brasil todo. Tivemos um pouco de tudo, divertimento, cansaço, estresse, saia justa, desencontro,soluções, comparações, enfim, os elementos que fazem parte de toda boa reunião que se preze. A Professora Eugênia da UFRN teve a oportunidade de questionar o Professor Celso sobre a minuta do documento do MEC para a formação de professores que faz referência ao "preferencialmente presencial", um debate que meu colega Fernando Pimentel já tinha colocado no blog dele. A resposta foi evasiva incluindo expressões como "para vencer resistências, contemplar todos os segmentos", finalizada com um "não se preocupem com isso". Você entendeu? Não? Nem eu! Nestes momentos eu sou obrigada a apelar para aspectos filosóficos sobre a contradição humana, os paradoxos da sociedade e podemos escolher Gadamer, Marx, Gramsci, Giddens, ou qualquer outro que nos salve neste momento e torne a nossa existência mais zen e menos conflituada... De qualquer forma, fizemos avanços importantes e colocamos em pauta algumas questões pontuais no que diz respeito aos procedimentos metodológicos da Geografia. Vamos ver como será o desenrolar destas ações. A foto que ilustra este post é de todos os colegas da Geografia que participaram do evento.

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