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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Future-se? Não, obrigada.

Depois da inacreditável estratégia de divulgação para um programa que não teve sequer uma única discussão realizada com a comunidade acadêmica, temos algumas análises da proposta do governo para o futuro (oi?) das universidade públicas e gratuitas brasileiras. Como era de se esperar, as análises apontam os absurdos da proposta e o ataque dissimulado com o apelo de modernização para as universidades e ryqueza (sim, bem blogueirinha) para os professores. Pausa para respirar fundo: -Fio, professor nenhum do ensino superior escolheu essa profissão pensando em ficar rico, talkei?

Nem Fu, nem Fa, como podemos concluir após ler as análises de pesquisadores das políticas de ensino superior e gestores de universidades públicas brasileiras muito bem qualificadas no ranking internacional. Trouxe algumas análises que foram publicadas no site do Jornalistas Livres com a matéria intitulada "Future-se: um salto para o passado" e o posicionamento de algumas universidades: leiam nos links a seguir, reflitam, lutem e resistam!

Análise preliminar do Future-se, por Roberto Leher (UFRJ).

Minuta do Projeto de Lei do Future-se

Contra o “Future-se”, novo tsunami da educação

Programa Future-se representa a extinção da Educação Federal Pública

"Com certeza, nós vamos dizer não ao Future-se", antecipou a reitora da UFPB.

Projeto de Bolsonaro ameaça gratuidade na educação superior, diz reitor da UFABC

Future-se é alvo de críticas de reitores e professores

Future-se. A privatização da universidade pública

Federais do Rio criticam o Future-se: "Evidente ausência de políticas educacionais".

‘Future-se’: nome plagiado e os protestos de reitores e estudantes

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres na academia

Já faz um tempinho que eu queria escrever sobre as mulheres na academia, principalmente depois que participei de uma discussão na qual as pessoas afirmavam que existe um preconceito institucional que impedia as mulheres de progredir na carreira acadêmica. Detesto ter que desapontá-los, mas não há. Não estou dizendo que a carreira acadêmica seja fácil para as mulheres, tenho clareza de todas as dificuldades que enfrentamos para conciliar a vida familiar e a academia. Porém, eu trabalhei muitos anos na iniciativa privada em cargos de direção e a minha sensação hoje na Universidade é que estou completamente livre. Eu também vivenciei os problemas da maternidade durante o mestrado, um quadro de pré-eclâmpsia fez com que atrasasse a defesa e na época sequer existia prazos maiores para mulheres grávidas. Na minha área (ciências humanas), os homens são minoria, mas vejo os meus colegas desempenhando tarefas iguais e não conheço mecanismos burocráticos que privilegiam os homens. Obviamente, a academia faz parte da sociedade e as questões sexistas também estarão presentes nas relações. Volta e meia um aluno (ou aluna) diz que a professora agiu assim ou assado porque é mal amada, louca, infeliz no casamento etc. Vivenciando a realidade de um departamento constituído por 97% de mulheres, não posso dizer que sou discriminada. Hoje, via twitter, recebi um link do meu amigo Robson Freire para uma excelente reportagem intitulada Mulheres cientistas ainda sofrem com estereótipos no meio acadêmico. São dados da UNESP e apresentam um panorama da mulher nas universidades com algumas sugestões interessantes para facilitar a nossa vida na academia. Flexibilidade no horário, um local para deixar as crianças nos congressos, incentivos para cargos administrativos, são excelentes propostas. Porém, não concordo com percentuais para mulheres nos editais de pesquisa porque não acredito que o resultado dependerá do gênero do autor. Modernizar o pensamento das agências de fomento colocando pessoas mais inovadoras para substituir o pensamento conservador, pode ser mais eficiente (e urgente) do que apenas criar índices de aprovação para mulheres em projetos e artigos. Rever os sistemas de avaliação dos programas que privilegiam a pesquisa e não o ensino, seria mais interessante para nós, já que as pesquisas indicam que as mulheres estão mais concentradas nas atividades de ensino e orientação. Enfim, a discussão sobre as mudanças necessárias na academia passam também (e não apenas) pela questão de gênero. Como eu disse na lista de discussão, eu seria leviana se concordasse com a existência de entraves institucionais quando eu sei que todas as decisões na academia são realizadas através de discussões e intermináveis reuniões com votação direta. Se o sistema de participação na tomada de decisões já existe, talvez esteja na hora de nós mulheres fazermos melhor uso dele e colocarmos mais mulheres nos níveis decisórios da academia e nas agência de fomento.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Orientações da Capes sobre o plágio

Em janeiro, todos os programas de pós-graduação receberam as orientações da Capes sobre o combate ao plágio nas Universidades. O documento da Capes sugere a utilização de softwares para analisar os trabalhos apresentados e identificar possíveis casos de plágio, embora enfatize que é necessário a análise de uma comissão para a conclusão final sobre a ocorrência de plágio. O assunto é complexo nos mais diferentes níveis, desde o conceito de "propriedade intelectual" até o foco no aluno como o grande trapaceiro. Nós sabemos que o plágio também ocorre entre colegas e, frequentemente, a coisa se resolve com um pedido de desculpas e a justificativa de que houve um engano. Em alguns casos, o plagiado se contenta com a inserção do seu nome no artigo e fica tudo bem. Outro problema é que o conceito de plágio está na intencionalidade, ou seja, a pessoa tem que ter copiado com a intenção explícita de enganar alguém (seja uma banca, um corpo editorial, uma comissão etc) tirando proveito próprio disso. Por isso que as justificativas de engano acabam colando, a pessoa diz que houve um erro, mas não tinha a intenção de se beneficiar dele. Existe também o plágio involuntário dos alunos que não conseguem perceber a diferença entre parafrasear e citar, mas neste caso, cabe ao orientador analisar e ensinar ao aluno como proceder. Um orientador que acompanha de perto os seus orientandos, acaba conhecendo o seu estilo e percebe quando a escrita está fora do padrão. Porém, os critérios de produtividade têm atochado os professores com uma quantidade grande de alunos, dificultando o acompanhamento mais detalhado (apesar de ser uma péssima desculpa, é claro!). Outra questão é o tal do chamado autoplágio, o autor que recorta, modifica e reapresenta as mesmas ideias em vários eventos. Particularmente, acho isso uma bobagem, não é possível esperar que na área de ciência humanas, por exemplo, alguém possa produzir dez artigos por ano, utilizando estruturas teóricas diferentes. Se isso acontecer, o sujeito é um péssimo pesquisador que uma hora trabalha na perspectiva x, na outra z e assim por diante... Pesquisa custa dinheiro e se um trabalho de dois anos resultar em apenas um único artigo, vamos inviabilizar o pesquisador brasileiro. Claro que não estou defendendo a cara-de-pau de alguns colegas, mas temos que ter bom senso e flexibilidade em alguns limites. Particularmente, sou a favor do compartilhamento total, meus trabalhos estão aqui no blog e o único cuidado que eu tenho é não colocar na rede artigos ou material ainda não publicado para evitar o movimento inverso: que alguém se aproprie do que eu escrevi e diga que não sou eu a autora. Eu já fui plagiada por uma colega de trabalho e confesso que a sensação não é nem um pouco agradável. Entrei em contato com ela, apontei o plágio e ela se desculpou, mas ficou por isso mesmo. Enviei o trabalho plagiado para o meu superior imediato e, felizmente, saí da instituição, mas o sapo continua entalado na minha garganta até hoje. Por isso mesmo, trabalho com os meus alunos para que eles construam a sua própria produção, mas estou longe de acreditar que o problema é o aluno. Afinal, eles ainda são imaturos e estão em processo de formação (inclusive ética), mas um professor doutor que plagia o trabalho de um colega, não passa de uma pessoa comum com um sério desvio de caráter.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Relatório UNESCO Ciência 2010

O Brasil é destaque no relatório da UNESCO sobre Ciência, publicado a cada cinco anos. Segundo a notícia no site da UNESCO, o objetivo do Relatório é apresentar análises sobre a evolução histórica do setor de ciências por regiões e servir como subsídio complementar para o desenho e avaliação de políticas de ciência e tecnologia nas várias regiões do planeta. O relatório é um espelho do desenvolvimento mundial da ciência.“Ele mostra como a proliferação da informação digital e das tecnologias de comunicação estão modificando cada vez mais a imagem global”, explica a Diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. No Relatório deste ano, o Brasil é o único país da América do Sul a ser contemplado com um capítulo exclusivo, o que mostra a influência e importância regional do país neste campo. Para a América Latina, o documento também dedica um capítulo para Cuba. Outros países que ganharam capítulos específicos foram Canadá, Turquia, Estados Unidos, Irã, Índia, China, Japão e República da Coréia. Não preciso nem dizer que estou sentindo o avanço do Brasil no campo da ciência na minha própria pele, com o financiamento dos meus projetos de pesquisa, bolsas para os meus orientandos, reforma nas instalações da Universidade e no próprio concurso público que possibilitou todas as minhas conquistas.

sábado, 14 de agosto de 2010

A Universidade Pública no Próximo Decênio

A matéria publicada no site UOL (seção educação), sobre o 1º Ciclo de Debates A universidade pública brasileira no decorrer do próximo decênio, realizado no campus da Unesp na Barra Funda, conclui que a Universidade do futuro será interdisciplinar, a distância e com financiamento público. O crescimento no número de Universidades e a ampliação de vagas, vem propiciando a implementação de modelos alternativos de educação superior pública, com novos formatos de ingresso, currículos flexíveis e estruturas diferenciadas. As instituições que foram criadas agora, já apresentam uma concepção diferenciada em sua estrutura, como é o caso da UFABC, as mais antigas buscam novos modelos para se adequar (um bom exemplo é a organização em consórcios de sete Universidades mineiras para desenvolver atividades acadêmicas em conjunto). Todos estão de acordo com a urgência em se encontrar um novo modelo para o ensino superior que otimize os recursos, contenha a evasão e melhore o ensino e a pesquisa. Segundo os participantes do evento, é preciso ampliar os recursos destinados ao ensino superior, considerado inferior aos países desenvolvidos e que precisa ser ampliado (Gerhard Malnic, da USP) e estruturar cursos interdisciplinares com áreas comuns e disciplinas específicas em caráter optativo (Naomar Monteiro, UFBA). Surpreendentemente, vários participantes concordaram que a educação a distância terá um importante papel na formação e que o uso das tecnologias de informação e comunicação é essencial nas aulas presenciais e na gestão da universidade. Agora, eu gostei mesmo foi do discurso da professora Olgária Matos, que reproduzo a seguir:


Em contraponto ao otimismo de alguns colegas, Olgária Matos, professora de filosofia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), falou sobre a transformação do ensino em mercadoria e o esvaziamento do discurso científico no futuro da universidade. "Na universidade dita moderna, anterior à atual [pós-moderna], não se fazia a pergunta ‘para que serve a cultura?’, tão comum nos dias de hoje. A questão era: ‘de que a cultura pode nos liberar?’." Para a professora, o excesso de pragmatismo da “universidade pós-moderna” a impede de se aprofundar. Sua natureza seria pautada sempre pela mudança incessante de métodos de estudo e pela dificuldade de diferenciar pesquisa e produção. Ela acredita que a aplicação dos mesmos critérios de avaliação de produtividade das áreas de Exatas e Biológicas à de Ciências Humanas é um reflexo desse comportamento. "Exigir que um teórico da minha área, por exemplo, publique dois artigos inéditos todo ano é ridículo. Será que alguém acredita que um pensador pode ter duas ou três idéias brilhantes ao ano?"


Como eu me pergunto a mesma coisa todos os anos, tenho que concordar: abalou, fofa!

sábado, 5 de junho de 2010

A Universidade e a Formação dos Professores


Acabo de ler um artigo bem interessante sobre o papel das Universidades na formação de professores. O texto foi publicado no blog Formador/a Ocupacional (a cada dia que passa me surpreendo com a qualidade das discussões que encontro fora dos meios de divulgação acadêmicos), e algumas perguntas incômodas são feitas pelo autor: você crê que a universidade está preparando adequadamente os futuros docentes? Crê que ao terminar os estudos um professor/a está preparado para a realidade que vai encontrar em sala de aula? Como eu venho atuando nos últimos anos nas licenciaturas e nos cursos de Pedagogia, as perguntas me atingem diretamente e me pergunto porque não conseguimos preparar melhor os professores se pesquisamos, orientamos e escrevemos sobre o tema exaustivamente. Penso que a resposta não está nos currículos e conteúdos, mas na forma como eles são apresentados. Vejo, com muito mais frequência do que eu gostaria, alunos que dominam conteúdos isoladamente, mas não conseguem relacionar as informações. Alguns por imaturidade e falta de experiência, outros porque estão fechados em suas verdades e alguns não conseguirão nunca com os processos que utilizamos em sala de aula. A passagem do texto - ¿Para cuándo una autocrítica de la razón universitaria? La institución lo necesita y la escuela también – é muito pertinente. A grande maioria dos professores ainda está preocupada em vigiar e punir, a reflexão só é estimulada até um certo limite. Depois nos surpreendemos com os professores da escola pública, os chamamos de resistentes e acomodados, como se não tivéssemos nenhuma responsabilidade sobre eles. Como não somos mais a única fonte de informação, buscamos estratégias na complexidade quando a simplicidade seria muito mais útil. Não temos problemas com os conteúdos, os materiais dos cursos são excelentes, o problema é a forma como todos nós atuamos, professores e alunos. Comparando a nossa sala de aula ao teatro, representamos o mesmo papel, todos afiados em suas marcações e falas. Pena (ou ainda bem!) que a crítica está destroçando o nosso desempenho...

sábado, 11 de julho de 2009

Divulgação da Produção Científica na Internet

Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno semelhante ao período medieval, foi aprovado na Comissão de Educação e Cultura o projeto de Lei 1120/07 que obriga as instituições públicas de ensino superior e unidades de pesquisa a publicarem sua produção técnica e científica na internet. "As instituições deverão criar repositórios para abrigar trabalhos de conclusão de mestrado, doutorado e pós-doutorado de alunos e professores, e também estudos financiados com recursos públicos. O relator do projeto, deputado Átila Lira (PSB-PI), acredita que a proposta tem o indiscutível mérito de democratizar o conhecimento científico das instituições de ensino. A disponibilização pública de conteúdos digitais, sua proteção legal e a garantia de acesso aos seus produtos derivados são fundamentais para alimentar as cadeias culturais, artísticas, educativas e científicas" A lógica é simples, todo estudo financiado com recursos do poder público pertence à sociedade que mantém as Instituições com o dinheiro dos seus impostos, logo, nada mais justo do que compartilhar com todos o conhecimento produzido. Até hoje, o conhecimento circula em revistas especializadas, fechadas ao público em geral ou em anais de eventos científicos. Mesmo quem está vinculado aos programas de pós-graduação encontra dificuldade em alguns momentos para encontrar artigos e teses. Semana retrasada eu precisei de uma tese de doutorado aprovada em uma universidade pública e não a encontrei na rede. E olha que era uma tese premiada de um professor renomado. Foi preciso me deslocar até a biblioteca da UFPB e acessar o portal da Capes para encontrar a bendita. Perda de tempo, dinheiro meu (pelo deslocamento) e público (ocupei um funcionário, um computador e a rede da universidade) para uma ação que poderia ter sido feita em casa. Por falar nisso, resta saber agora como vai ficar a questão do Portal de Periódicos da Capes que resiste bravamente aos apelos de segmentos da comunidade acadêmica para a democratização do seu acesso. O projeto pode ser lido na íntegra e a sua tramitação acompanhada via web. Simples, não?

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A Hermêutica de Gadamer e Eu...

Mesmo que eu explicasse, detalhasse e provasse, mesmo assim, vocês não teriam idéia de como foi estressante preparar o seminário sobre a hermenêutica de Gadamer para o curso de Pesquisa Social. A infinidade de textos, livros, dicionários de filosofia e ciências sociais...Não vou nem comentar o desfecho aqui, porque ele foi tão surrealista que parecia mais um seminário sobre Salvador Dali. Se eu não estivesse tão segura da minha sanidade mental, teria pensado que estudei o assunto errado. Prefiro reproduzir um trecho do texto que achei realmente belo e foi responsável por minha quase obsessão com este tema:


"... Gadamer lembra a dimensão educativa da experiência, que defrauda expectativas, trazendo a dor do crescimento.O que o homem aprende pela dor é a percepção de seus limites, por isso a experiência humana é a experiência da finitude. O homem experimentado sabe que não é dono nem do tempo nem do futuro, pois conhece os limites de toda previsão e insegurança de todo plano". (Gadamer, 1977).


Eu realmente fiquei apaixonada pela figura deste velhinho fofo que escreve de forma tão sedutora...Agora que já me livrei da pressão do seminário, voltei a ser uma pessoa normal que pode trabalhar, respirar, caminhar, enfim, viver!

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