quinta-feira, 23 de abril de 2015
Jornadas Internacionais Online - JIO
terça-feira, 6 de maio de 2014
Conferência Cinema e Novas Tecnologias em Ponte de Lima
O fim de semana teve trabalho prolongado, depois das atividades no evento em Viana do Castelo, partimos para Ponte de Lima para falar sobre o Cinema e as Novas Tecnologias. O local do evento já era inusitado: a antiga prisão das mulheres foi transformada em um café fofíssimo com uma área no segundo andar para a realização de eventos. O interessante é que ao invés das tradicionais cadeiras enfileiradas, o espaço da plateia é uma espécie de arquibancada de madeira com almofadas confortáveis para as pessoas se esparramarem mesmo. Como diz o Robson Freire, um local de dor e sofrimento foi transformado em um espaço acolhedor para disseminação do conhecimento e reflexão. Adoramos! A conferência foi uma delícia, conseguimos articular conhecimentos e perspectivas diferentes através de ganchos entre as falas de cada um, provocando excelentes intervenções do público. O querido José Ribeiro falou sobre as descobertas determinantes na inovação tecnológica do cinema, como a montagem, até a chegada do digital que possibilita a popularização da produção de vídeos.
Eu falei sobre a relação entre a formação a distância e o uso de filmes nas salas de aula da Educação Básica na perspectiva da cultura digital. Robson Freire abordou o cinema e o ensino de História através das propostas de blogs e o Gabriel Omar Alvarez fez uma bela apresentação sobre a sua experiência em realizar filmes em comunidades indígenas na região amazônica. Fomos muito bem recebido por Catarina, coordenadora local da Universidade Aberta, competente, eficiente e muito simpática. O local do evento fica em frente ao principal ponto turístico da cidade, uma ponte construída pelos romanos em 135 a.c e tem uma história linda: dizem que os soltados de Brutus ao se depararem com a beleza do rio Lima, acreditaram que era o rio do esquecimento. Quem atravessasse o rio, perderia a memória imediatamente.
Para provar aos soldados que não era verdade, Brutus atravessou o rio e do outro lado da margem, chamou os soldados pelo nome, um por um. Atravessamos a ponte e ficamos impressionados com as águas transparentes do rio e a beleza do lugar. Penso que este é o ponto de equilíbrio da alma: trabalho gratificante, compartilhamento, história e uma beleza natural de encher os olhos e a alma!
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Programação da 3ª Conferência Internacional de Cinema de Viana
domingo, 27 de abril de 2014
sábado, 26 de abril de 2014
No Porto
As cidades exercem um fascínio tão grande em mim que fui estudar e escrever sobre o urbano durante um bom tempo da minha vida. Conhecer o Porto tem sido uma experiência única e difícil descrever. Uma aluna referiu-se ao Porto como uma cidade encantadora, uma reportagem para turistas fala em cidade mágica, a sua história é fantástica, a sua geografia é surpreendente com suas pontes em grandes alturas e penso que é tudo isso e muito mais. Tenho certeza que a J.K. Rowling criou o beco diagonal em Harry Potter inspirada no tempo em que morou aqui! Foi difícil conciliar a necessidade de desvendar a cidade ao mesmo tempo em que eu tinha que concluir as pendências burocráticas e operacionais para viver aqui. O processo de instalação para morar em outro país não é fácil, mesmo que seja por um tempo determinado. Tudo acontece ao mesmo tempo: procurar casa, escola, panela, providenciar documentos, participar de eventos... Creio que levei um mês para ajustar a rotina e equilibrar as tarefas. Eu tive muita sorte em ser tão bem recebida pelo meu orientador do pós-doc, ele merece um post só para falar sobre as suas qualidades, mas basta dizer que ele fez com que eu me sentisse em casa. Nada e fácil: o frio é impiedoso, a chuva é irritante, alugar casa não é tão simples quanto parece e você frequentemente estará dentro de um círculo de obstáculos que mais parece uma armadilha. Apenas um exemplo: você não pode alugar casa se não tiver o NIF (o nosso CPF no Brasil), mas não pode tirar o NIF se não tiver um comprovante de residência no seu nome! Hã? A solução foi pedir, muito sem graça, para o meu orientador se responsabilizar por mim na Secretaria da Fazenda. Além de discutir questões acadêmicas e enfiar antropologia visual na minha cachola (que já não é mais a mesma faz tempo), o coitado ainda teve que ser meu responsável fiscal! Depois das contas devidamente prestadas para a Capes, filha matriculada na escola e as mínimas (mesmo!) condições de sobrevivência garantidas, pude começar a me dedicar aos estudos e ao campo de pesquisa. Estou encantada com a antropologia visual e aprendi muito sobre a etnografia virtual nos últimos dois meses. Em cada passo que eu dou, penso em como poderei ser útil para os meus alunos e orientandos. Espero multiplicar tudo que estou aprendendo muitas e muitas vezes... As coisas que tenho aprendido com o Professor José Ribeiro no campo teórico e metodológico são muito importantes, mas as coisas que ele tem me ensinado sobre generosidade, história de vida e conhecimento, são essenciais!
quinta-feira, 20 de março de 2014
Enfim, o pós-doc!
Depois de um longo, frio e tenebroso inverno europeu, consegui ter tempo para escrever sobre as minhas aventuras no pós-doutorado e prometo colocar o assunto em dia. Já faz um mês que estou em Portugal, mais precisamente na bela cidade do Porto e não escrevi antes porque estava atolada até o pescoço com as questões práticas para resolver, além das questões burocráticas que quase me provocaram uma úlcera, um AVC e um ataque cardíaco. A minha vida é sempre pautada pela imprevisibilidade, tenho períodos de total inércia alternados com momentos de ebulição. Atualmente, tenho vivido um período de ebulição, em menos de um ano resolvi casar, mudar de casa, estudar no exterior, escalar o Everest...(Opa! Isso ainda não!). Ano passado, encontrei com o querido Walter Matias em uma banca de doutorado e conversamos sobre a estada dele na França para concluir o pós-doc. Ele falou sobre um professor da Universidade Aberta bem interessante que trabalhava com Antropologia Visual e me passou as diretrizes para que eu entrasse em contato com o possível orientador. Conversei com o professor José Ribeiro, reuni toda a documentação e enviei o projeto para os editais de financiamento da Capes e do CNPq sem grande esperança, mas com a sensação de dever cumprido. Quando eu estava no hospital com o meu marido ano passado, no meio de um turbilhão de incertezas, saiu o resultado da Capes com a aprovação do projeto. Algumas pessoas se sentem vitoriosas e comemoram, eu fico histérica e só penso: E agora? Como vai ser? Como eu vou? E se der errado? Arf, arf, arf... Passado o momento de ansiedade, comecei a organizar a parte burocrática and trust me: é um verdadeiro inferrrrrrno! Tudo é muito simples e ao mesmo tempo muito complicado porque as informações não são claras e, muitas vezes, contraditórias. A parte simples é que todos os documentos são digitalizado e enviados através da plataforma, a parte complicada é que nem sempre fica claro quais são os documentos necessários e isso vale tanto para as instituições no Brasil, quanto para o visto. A minha primeira providência foi enviar uma carta para a Capes reafirmando o meu interesse no financiamento (praquê, minha gente? Quem em sã consciência vai enviar um projeto com duzentos-e-noventa-e-cinco documentos e vai desistir depois? Claro, sempre tem os loucos e os que sofreram algum golpe do destino, mas esses deveriam ser a exceção e não a regra!). Bom, como manda quem pode e obedece quem tem juízo, fui escrever a tal carta, mas... onde está o modelo? Tem modelo? Quais informações devo colocar? Procura daqui, cata de lá, descubro que não tem modelo e você tem que escrever o que quiser. Que desespero! Vontade de escrever "venho por meio desta missiva reafirmar o meu desejo de expandir os meus horizontes educacionais no convidativo inverno europeu que se anuncia na aurora de uma manhã iluminada"... Não, eu não escrevi isso (mas bem que vocês gostariam, não é mesmo?). Fiz uma carta mais insossa do que sopa de doente, reafirmei tudo o que já havia dito antes e enviei. Preocupada com a burocracia da minha Universidade, dei entrada imediatamente no pedido de afastamento, mesmo sem ter recebido os documentos da Capes. Como eu não recebi nem um e-mail, fiz um print da tela que informava o deferimento do processo e entreguei tudo no protocolo, no dia 30 de outubro, ou seja: quatro meses antes da viagem. Deveria ser suficiente, não é mesmo? Pois acreditem, quase não deu tempo!





