Sim, eu sei que estou atrasada para comentar a data, mas fui atropelada pelo trabalho durante a semana. Além da minha desorganização na administração do tempo, qualquer coisa que eu escrevesse sobre o dia internacional das mulheres seria redundante, quem acompanha o blog consegue ter uma ideia do que eu enfrento como professora e mãe de três filhas. Aliás, o fato de ser mãe de três filhas (duas já moças e na luta para fazer valer os seus direitos) e professora do curso de Pedagogia tem reforçado bastante a minha percepção da necessidade de fortalecermos a luta pelos direitos das mulheres. Vale a pena ler os textos maravilhosos sobre a nossa luta em blogs como o da Srta Bia (a feminista lambateira tropical mais fofa da rede), o Blog da Lola e o da Cyntia Semíramis. Diante de tanta luta, é muito bom saber que a tecnologia e o compartilhamento de informações tem ajudado nas denúncias e na reafirmação do papel da mulher em nossa sociedade. O vídeo abaixo (vi primeiro no Blog do Mello) é inquietante demais e um exemplo de como precisamos fortalecer a nossa rede de compartilhamento, disseminação das informações e solidariedade.
sábado, 10 de março de 2012
terça-feira, 8 de março de 2011
Mulheres na academia

Já faz um tempinho que eu queria escrever sobre as mulheres na academia, principalmente depois que participei de uma discussão na qual as pessoas afirmavam que existe um preconceito institucional que impedia as mulheres de progredir na carreira acadêmica. Detesto ter que desapontá-los, mas não há. Não estou dizendo que a carreira acadêmica seja fácil para as mulheres, tenho clareza de todas as dificuldades que enfrentamos para conciliar a vida familiar e a academia. Porém, eu trabalhei muitos anos na iniciativa privada em cargos de direção e a minha sensação hoje na Universidade é que estou completamente livre. Eu também vivenciei os problemas da maternidade durante o mestrado, um quadro de pré-eclâmpsia fez com que atrasasse a defesa e na época sequer existia prazos maiores para mulheres grávidas. Na minha área (ciências humanas), os homens são minoria, mas vejo os meus colegas desempenhando tarefas iguais e não conheço mecanismos burocráticos que privilegiam os homens. Obviamente, a academia faz parte da sociedade e as questões sexistas também estarão presentes nas relações. Volta e meia um aluno (ou aluna) diz que a professora agiu assim ou assado porque é mal amada, louca, infeliz no casamento etc. Vivenciando a realidade de um departamento constituído por 97% de mulheres, não posso dizer que sou discriminada. Hoje, via twitter, recebi um link do meu amigo Robson Freire para uma excelente reportagem intitulada Mulheres cientistas ainda sofrem com estereótipos no meio acadêmico. São dados da UNESP e apresentam um panorama da mulher nas universidades com algumas sugestões interessantes para facilitar a nossa vida na academia.
Flexibilidade no horário, um local para deixar as crianças nos congressos, incentivos para cargos administrativos, são excelentes propostas. Porém, não concordo com percentuais para mulheres nos editais de pesquisa porque não acredito que o resultado dependerá do gênero do autor. Modernizar o pensamento das agências de fomento colocando pessoas mais inovadoras para substituir o pensamento conservador, pode ser mais eficiente (e urgente) do que apenas criar índices de aprovação para mulheres em projetos e artigos. Rever os sistemas de avaliação dos programas que privilegiam a pesquisa e não o ensino, seria mais interessante para nós, já que as pesquisas indicam que as mulheres estão mais concentradas nas atividades de ensino e orientação. Enfim, a discussão sobre as mudanças necessárias na academia passam também (e não apenas) pela questão de gênero. Como eu disse na lista de discussão, eu seria leviana se concordasse com a existência de entraves institucionais quando eu sei que todas as decisões na academia são realizadas através de discussões e intermináveis reuniões com votação direta. Se o sistema de participação na tomada de decisões já existe, talvez esteja na hora de nós mulheres fazermos melhor uso dele e colocarmos mais mulheres nos níveis decisórios da academia e nas agência de fomento.