Eu já tinha decidido esquecer o assunto, mas como esse blog funciona como um espaço de cartase dos meus estranhamentos cotidianos, vou contar uma historinha aqui. Como a responsabilidade jurídica me obriga a omitir os nomes das pessoas e Instituições, vou recorrer ao artifício de minha querida autora Jane Austen para garantir a privacidade dos envolvidos. A Universidade Federal ... abriu recentemente um concurso que exigia experiência em pesquisa e em Educação a Distância, assim mesmo como está escrito aqui. O edital não especificava qual o tipo de comprovação documental ou exigência que seria feita para a homologação da inscrição. Depois de encerradas as inscrições e com vários indeferimentos, descobrimos que o critério era ter pesquisa aprovada no CNPq, em programas como PROINCI E PIBIC. Não foram aceitas as pesquisas em Mestrado e Doutorado, participação em Grupo de Pesquisa (mesmo os cadastrados no CNPq e certificados pelas Instituições), assim como as orientações e trabalhos publicados. Por outro lado, uma candidata com experiência como aluna de graduação bolsista, foi considerada apta como pesquisadora, embora nunca tenha entrado em uma sala de aula, seja da Educação Básica ou do Ensino Superior. Em conversa com a Chefe de Departamento, ouvi a seguinte pérola: -"A declaração da chefe de departamento de sua Instituição não serviu, porque conheço muita gente da sua Universidade que tem o papel, mas nunca fez uma pesquisa na vida". Ótimo professora, no próximo concurso, vocês poderiam colocar uma ressalva de que qualquer prova documental estará sujeita à análise e compreensão subjetiva, preconceituosa e aleatória dos professores designados por este departamento. Ou melhor ainda, coloquem logo as características físicas e o CPF dos possíveis candidatos. Assim, eu e outras pessoas não perderíamos nosso tempo e nosso dinheiro referendando processos como este. Sinceramente, eu desisti de entrar com qualquer tipo de recurso, porque um departamento que é capaz de tamanha ilegalidade debaixo do nariz de todo mundo, é bem capaz de mandar quebrar as pernas dos candidatos que eles não querem que sejam selecionados. Por via das dúvidas, é melhor ficar de fora!