Será realizado no período de 01 a 04 de junho, o V Seminário Internacional "As redes de conhecimentos e as tecnologias: os outros como legítimo Outro", na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O evento é coordenado pela professora Nilda Alves e propõe uma abordagem interessante sobre a tecnologia e a cultura, a partir de um olhar fundamentado na subjetividade. As inscrições com apresentação de trabalhos estão abertas até o dia 06/04, nos seguintes eixos temáticos: Cotidiano Escolar e Redes de Conhecimentos e Significações; Currículo: Sujeitos, Conhecimento e Cultura; Educação, Conhecimento e Filosofia; Educação Inclusiva e Processos Educacionais;Infância, Juventude e Educação; Instituições, Práticas Educativas e História. Vou tentar elaborar um texto no prazo para participar do evento, já que somos adestrados para produzir artigos como se as nossas vidas dependessem disso...
domingo, 29 de março de 2009
sábado, 28 de março de 2009
O Leitor

Fui ao cinema assistir o filme "O Leitor", apesar do aviso na bilheteria de que as salas estavam operando com 50% do ar-condicionado. Bom, pelo calor que fazia na sala quem calculou o percentual não entende nada de estatística... Considerando que o ingresso custou três reais (com carteira de estudante que o doutorado proporciona) não pude nem reclamar, até porque não tinha sequer um funcionário para acender as luzes e abrir as portas quando terminou o filme, os próprios espectadores é que providenciaram a saída. Além da parada estratégica no corpo e na mente que só o cinema pode proporcionar, o filme levanta tantas questões complexas que só assistindo novamente para captar todas as nuances. O desempenho dos atores ajuda muito, com uma Kate Winslet de aspecto cansado e sofrido e um jovem estreante que dá conta do recado. Só o Ralph Fiennes destoa no elenco, quase atrapalhando o filme. Para os professores é imperdível, e só quem já conviveu com pessoas que esconderam as suas limitações a vida toda, poderá entender a cena mais importante do filme. Não é um filme sobre o amor, é um filme sobre o preconceito e a culpa que existe na sociedade e em todos nós pelo fato dele existir e persistir.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Um Jovem Professor Virtual
Estou trabalhando desde sábado na elaboração de uma vídeo-aula para a minha disciplina Didática e o Ensino de Geografia. Trabalhei com o Camtasia 6.0, fiz os slides, gravei a aula, mas na hora de converter o vídeo para um arquivo que pudesse ser colocado na web, fiquei empacada. Não consegui lembrar do processo de jeito nenhum, uma prova concreta de que minha memória definitivamente não é mais a mesma. Fui atrás das dicas nas listas de discussões, tutoriais e manuais na rede para finalizar o meu trabalho. Pois eu encontrei um tutorial em vídeo na Internet que resolveu meu problema em cinco minutos. Sim, e qual é a novidade disso? Bom, a minha surpresa é que o autor da aula não deve ter mais de doze anos! Ele fez um vídeo mostrando as etapas de "Como converter vídeos pelo Camtasia" com uma estrutura didática que muitos professores que eu conheço não tem. Mal posso esperar para mostrar o vídeo para as pessoas que afirmam que os adolescentes só sabem usar a tecnologia para o Orkut e MSN. Fala sério...
domingo, 22 de março de 2009
Crianças e Adolescentes Diante das Telas
Geração Interativa na Ibero-América: crianças e adolescentes diante das telas, é o resultado de uma pesquisa realizada em sete países da América Latina reunindo a Fundação Telefônica, Educarede e a Universidade de Navarra. É um estudo quantitativo, a metodologia está registrada logo no início da publicação e confesso um pouco de má vontade da minha parte com um estudo patrocinado pela Telefônica. Mesmo assim, reconheço que o relatório apresenta dados interessantes que podem servir como contraponto ou ponto de partida de pesquisas qualitativas sobre o tema. Dois aspectos do estudo são muito interessantes, o primeiro relacionado com a multifuncionalidade das telas para os jovens. A forma deste segmento se relacionar com as telas (da televisão, do computador, do celular etc.) é bem diferente da atitude dos adultos, que costumam compartimentar a funcionalidade (celular é para falar, televisão para divertir etc). O segundo aspecto é a conclusão de que a Internet tira tempo da televisão das crianças e adolescentes, e não de atividades sociais ou educativas como muitas pessoas insistem em afirmar. Aqui cabe uma pergunta incômoda: não é melhor que estes adolescentes fiquem navegando na Internet, principalmente nas suas redes sociais (preferência dos jovens usuários segundo o estudo), do que assistindo novela e reality show na TV? Existem muitas outras informações no estudo como dados sócio-econômicos dos países, o uso de vídeo-games, celulares e outras mídias. Vale a pena analisar os dados...
quarta-feira, 18 de março de 2009
Novo Ambiente do Grupo de Pesquisa

Esta semana retomamos as atividades do nosso grupo de pesquisa Mediação Pedagógica. A proposta de funcionamento este ano está bem diferente do ano passado, teremos responsabilidades maiores para os orientandos. A discussão da teoria (pauta do primeiro semestre) será responsabilidade dos orientandos no formato de seminários, e no segundo semestre desenvolveremos as pesquisas de campo. Já temos algumas sugestões, mas acredito que ainda vão aparecer muitas idéias interessantes. A articulação com outros grupos de pesquisa está na pauta do dia e os convidados continuam bem-vindos ao grupo, mas sem a responsabilidade de conduzir as discussões. Nossa orientadora e líder, Prof. Sônia Pimenta, decidiu abandonar o estilo Soninha Paz e Amor e resolveu usar o chicote nas suas pupilas (provavelmente como resultado dos quilos extras perdidos a custa de muito sacrifício e que ALGUÉM terá que pagar por tanto sofrimento...). Como eu e Alásia estamos pagando a disciplina Prática de Pesquisa com ela, fomos logo procurar o que fazer para não irritar a nossa professora. A pobre da Graça, recém-chegada ao mestrado e toda feliz e serelepe, já se lamentou "- Mas logo agora que eu estou chegando, ela resolve mudar... Uma questão interessante é que abandonamos o uso do Moodle como nosso ambiente de divulgação e comunicação e optamos por trabalhar com um site estilo "Web 2.0", reservando o Moodle apenas para os cursos ou outros experimentos. Vamos aprofundar as pesquisas sobre a mediação pedagógica nos ambientes virtuais e outras ferramentas de EaD. Este ano está prometendo...
domingo, 15 de março de 2009
Amadeus
Nas minhas leituras sobre a educação a distância no contexto internacional, venho observando várias tendências que me causam inquietação. Quase todos os artigos tratam da necessidade de multiplicar ao máximo o uso de diferentes ferramentas. Estas ferramentas referem-se não apenas aos vídeos, podcasts etc, mas também ao contexto de acesso, como o uso do telefone celular. Neste aspecto, o Moodle anda me cansando um pouco, gostaria que ele fosse bem mais flexível na sua estrutura e permitisse mais possibilidades de autoria para o aluno e o professor (sem precisar do domínio de programação, é claro!). Esta semana fiquei sabendo que o Amadeus, ambiente de aprendizagem desenvolvido pela UFPE, está avançando bastante nesta direção. Eu já conhecia o Amadeus porque li a tese de doutorado de uma colega sobre ele, mas naquela época ele não se diferenciava muito de outros ambientes de aprendizagem. Agora, o Projeto Amadeus ingressou no Portal do Software Público Brasileiro, portal que hospeda projetos considerados estratégicos para o Governo Federal por gerar economias e o impacto social. Segundo o texto do blog do projeto "o Projeto Amadeus visa o desenvolvimento de um sistema de gestão da aprendizagem de segunda geração, baseado no conceito de blended learning. O empreendimento permite estender as experiências de usuários de educação a distância para diversas plataformas (Internet, desktop, celulares, PDAs, e TV Digital) de forma integrada e consistente. Essa ampliação das formas de interação dos usuários com os conteúdos e dos usuários entre eles permite a implementação de novas estratégias de ensino e de aprendizagem orientadas por teorias construtivistas ou socio-interacioniste do desenvolvimento humano". Já vou hospedar a plataforma no meu servidor web para fazer alguns testes com meus alunos. Se o Amadeus se concretizar como uma opção inovadora de ambiente virtual vou ficar toda fofa em ver um produto nacional, legitimamente nordestino, ganhar o mundo...
segunda-feira, 9 de março de 2009
Cultura na Rede
O que mais me atrai no uso dos blogs como ferramenta de comunicação, é a possibilidade de formar um rede para compartilhar informações. Fico particularmente satisfeita quando posso colocar aqui alguma informação passada por um colega blogueiro, divulgando um link para uma boa leitura. Quando vi que uma postagem que eu publiquei aqui virou capa do Informativo Cultura na Rede de março, fiquei toda fofa... O "Cultura na rede trata-se de um ambiente virtual, disponibilizado no site da Secretaria de Estado da Educação, voltado para ações do uso das tecnologias Educacionais do Estado de Santa Catarina. Dessa forma, os NTEs utilizam esse canal para divulgar e socializar as ações que fazem uso das tecnologias aplicadas à Educação". Não pude deixar de pensar porque raios os NTE´s daqui não se apropriam destas idéias interessantes colocando-as em prática na Paraíba. Aliás a organização dos NTE´s em outros Estados do país mostra que a difusão da tecnologia nas escolas é possível nos mais diferentes níveis. Só é preciso competência e organização, além é claro, da velha e rara vontade política.
domingo, 8 de março de 2009
Prece das Mulheres

Hoje é o Dia Internacional da Mulher e navegando pelos principais jornais, fiquei perplexa com a quantidade de imagens de mulheres usando burka. Parece até que o direito das mulheres ficou restrito aos países muçulmanos onde as mulheres usam a burka. É preciso ter cuidado com essa mensagem subliminar, ou daqui a pouco vamos acreditar que o tal do "eixo do mal" é o único lugar no planeta onde as mulheres são maltratadas. Ou pior ainda, que o único desejo das mulheres do Oriente Médio é tirar a burka e usar batom. É claro que eu sei que as mulheres passam por muitos sofrimentos em função da estrutura social e religiosa, mas acredito que os problemas delas são muito mais complexos do que o vestuário. Alguém aí sabia que a Espanha é um dos países que lideram as estatísticas de mulheres espancadas e assassinadas pelos seus maridos e companheiros? Pois é, um país europeu, democrático e que não faz parte do "eixo do mal" muçulmano... Eu recebi algumas mensagens em homenagem ao Dia da Mulher, mas pensando na menina de Recife, na Rihanna que reatou com o namorado depois de ser espancada, nas Marias e Madalenas do mundo, eu continuo gostando de uma mensagem chamada Prece das Mulheres.
DEUS,
Eu lhe peço:
"Sabedoria" para entender meu homem,
"Amor" para perdoá-lo,
"Paciência" pelos seus atos…
Porque, DEUS, se eu pedir "Força",
Eu vou enchê-lo de porrada até matá-lo.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Blogs Científicos
Depois de muito debate no meio jornalístico sobre a credibilidade dos blogs, a comunidade científica parece estar se apropriando de forma mais efetiva do mundo dos blogs para divulgar e compartilhar as suas pesquisas. O boletim publicado pela Bibilioteca Virtual em Saúde com o título "Blogs se afirmam como meios de comunicação científica", diz que "de acordo com o site indexador de blogs Technorati, entre os milhões de blogs, há cerca de 2.500 blogs científicos em ciências da saúde e cerca de 20 mil com perfil pseudocientífico, pois não são necessariamente mantidos por instituições acadêmicas. Destes últimos, ao redor de mil a 1,2 mil são escritos por estudantes de pós-graduação, pós-doutores, professores universitários, professores de ciências e alguns por jornalistas profissionais, estima Bora Zivkovik, uma estudante de doutorado que escreve A blog Around the Clock, um blog científico bastante popular". Eu visitei o blog Pharyngula, campeão de visitas com cerca de 20 000 acessos por dia, e fiquei impressionada como é bem estruturado e visualmente agradável. Algumas postagens chegam a ter mais de 300 comentários (morra de inveja, blogueira incompetente!) e o blog ainda permite a formação de comunidades. O texto afirma que "web logs ou blogs são as mais recentes ferramentas que cientistas estão usando para comunicar suas idéias com outros cientistas e com o público em geral". Fiquei tão interessada no tema que criei um grupo de discussão para alimentar e compartilhar as reflexões sobre o uso de blogs nesta perspectiva. Quem quiser participar o endereço é http://br.groups.yahoo.com/group/blogscientificos e o e-mail é blogscientificos@yahoogrupos.com.br .
quinta-feira, 5 de março de 2009
19° EPENN
As inscrições de trabalhos para o 19° EPENN foram prorrogadas até o dia 23/03. O Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste - EPENN, será realizado na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, de 05 a 08 de julho deste ano com o tema Educação, Direitos Humanos e Inclusão Social. O EPENN é qualificado no Qualis Eventos da CAPES, como Nacional. É um encontro bianual, vinculado à Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação - ANPED e ao Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação em Educação do Norte e Nordeste - FORPRED-N/NE. São 25 grupos de trabalho (os mesmos da ANPED) que tratam de assuntos como Filosofia da Educação, Educação Ambiental, Educação e Comunicação, Educação no Campo, entre outros. Além do site divulgado aqui, veja também o e-mail e o telefone do evento para mais informações.
epenn2009@ce.ufpb.br
Fone:(83) 3216-7702
quarta-feira, 4 de março de 2009
Aulas de David Harvey
Em 1992, quando eu estava escrevendo minha dissertação de mestrado, li o livro Condição Pós-Moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural, do David Harvey e todos os elementos da minha pesquisa começaram a fazer sentido, quase como um passe de mágica. Eu estava detalhando as mudanças no modo de acumulação capitalista, tratando da acumulação flexível e naquele momento, a globalização ainda era um mistério para muitos professores. Alan Lipietz e David Harvey são os autores das duas grandes estruturas teóricas do meu trabalho. O tempo passou e agora estou em trabalhando com educação e tecnologia, no doutorado em educação. Supostamente não deveria haver nenhuma relação entre o meu mestrado em Planejamento Urbano e Regional e a Educação, incluindo neste percurso a pós-modernidade. Semana passada eu recebi uma dica incrível do Sérgio Lima, ensinando o caminho das pedras para assistir as aulas do Professor Harvey pela rede. Eu sempre falo aqui no blog sobre as possibilidades irrestritas do compartilhamento, principalmente entre os professores. Pois bem, temos um excelente exemplo e quem quiser saber mais sobre este intelectual marxista, deve visitar o site do Professor Harvey. O mais interessante é que embora esta iniciativa não seja novidade, a forma como ela foi apropriada pela rede é que se tornou surpreendente. Segundo Gabriel Fernandes, "o que chama a atenção na iniciativa de Harvey foi a reação da assim chamada "blogosfera" (expressão que detesto, mas adequada): um leitor gostou tanto das aulas que resolveu criar um sítio que congregue por meio de RSS qualquer postagem em blogues, se assim desejarem os respectivos autores, que comente os textos de Harvey. Tal sítio está localizado em http://readingcapital.org. Deu certo e já há vários usuários cadastrados: após a iniciativa de Harvey em disponibilizar seu material na internet, parece que seus alunos deixaram de se limitar ao corpo discente da CUNY e passou a abranger uma esfera muito maior. Também é possível construir um blogue dentro do próprio domínio readingcapital.org. O próprio Harvey introduziu em seu sítio uma ligação para o dos "alunos". As aulas de Harvey agora fazem parte da esfera pública".Coloquei a introdução do curso logo a seguir. Aproveitem!
Uma palavrinha sobre a viagem...
Devido aos problemas de horários e conexões entre as linhas interestaduais, eu passei o dia ontem viajando. A estrada está com obras de duplicação em quase todo o percurso, então já dá para imaginar o martírio de sacolojar dentro de um ônibus velho por mais de seis horas. Na volta, meu companheiro de viagem, um homem comum, se comportou de forma muito curiosa. A melhor parte é que ele ligou o computador e assistiu um episódio de House, que eu adoro. Pedi licença para "filar" o filme e fiquei assistindo. Depois disso ele falou no telefone a viagem inteira! Até onde não tinha sinal, ele conseguia falar. Tratou da folha de pagamento da empresa, fechou dois contratos, aplicou na bolsa de valores duas vezes (falando aos berros com o corretor), ligou para a mulher buscá-lo na rodoviária (especificando que ela fosse com o Corolla), disse para alguém que iria viajar para Belo Horizonte naquele dia mesmo no vôo das 18 horas, conversou com o mecânico ou comprador, começando com um "Fulano, sou eu, Bruno da Hillux". Eu juro que não estou exagerando, foi um inferno porque ele gritava no telefone o tempo todo (talvez por conta do sinal ruim do celular, talvez porque quisesse ter certeza que todo o ônibus escutava). Diante do festival de compromissos e ações de nosso intrépido empresário, eu fui obrigada a dar uma analisada básica no sujeito, o que me deixou com a pulga atrás da orelha. A mochila que ele carregava já viu dias melhores, rota, com o fecho agarrando nos fios soltos do tecido, uma calça jeans comum demais para quem estava comprando ações com tanta propriedade, uma blusa listrada e um tênis. Isso não que dizer muita coisa, pois os homens não ligam mesmo para essas coisas e nós estávamos viajando de ônibus (eu estava de sandálias havaianas). Mas, todos os homens adoram novidades tecnológicas e costuma ter celulares e computadores de acordo com sua situação econômica. Aí a coisa se complica ainda mais, o Sony Waio era bem antiguinho e o celular Nokia não tinha grandes aparatos da última tecnologia. Bom, ele poderia ser destas pessoas que não ligam nem para a roupa nem para as novidades tecnológicas, mas porque fazer questão de dizer que tinha uma Hillux e um Corolla? Além disso ele ainda comentou com o corretor que tinha perdido um pouco de dinheiro naquela semana, mas isso não era nada porque ele estava acostumado a pagar dez reais na dose de uísque! Das duas uma: ou o cara era um tremendo fanfarrão que estava entediado no ônibus ou era o empresário rico mais chinfrim que eu já vi na vida.
Tauó: O Império Contra-Ataca

Todo mundo (com mais de vinte anos) conhece os filmes da saga Star Wars, de George Lucas. Digamos que hoje eu estou me sentindo mais para o Império Contra-Ataca do que para Star Wars, Uma Nova Esperança (para quem não sabe o filme o Império Contra-Ataca é o mais sombrio, onde tudo dá errado com os nossos heróis). Como eu tinha comentado aqui, fui fazer um concurso em Maceió, uma espécie de planeta Naboo aqui na terra. Bom, a responsabilidade jurídica me impede de dizer o que eu realmente penso sobre o concurso, mas posso relatar três fatos para os leitores, e como são fatos, não estão imbuídos de meu juízo de valor: 1) Todos os candidatos foram orientados a assinar as provas no cabeçalho; 2) Durante a prova os membros da banca foram vasculhar na Internet (usando seus laptops) o currículo dos participantes porque não tinham recebido o envelope com os documentos, já que esta é a última etapa; 3) A última publicação de um dos professores da banca é de 2002; 4) As duas primeiras colocadas eram da própria Universidade. Minha chateação não é nem comigo especificamente, tinha gente muito mais qualificada do que eu nesta área e que ficou de fora. Eu não pretendia morar em Maceió nem estava concorrendo na minha área de atuação, mas e as pessoas que escreveram suas dissertações sobre o assunto? É possível que alguém que escreveu uma dissertação ou tese sobre o objeto do concurso não conseguiu escrever cinco páginas apresentáveis? Sim, a pessoa pode passar mal, ter um branco, ficar nervosa etc, mas estas são situações de exceção, é pouco provável que três ou quatro candidatos apresentassem a mesma indisposição e incompetência na hora da avaliação. Enfim, c´est la vie, e continuaremos aguardando outras oportunidades que, com certeza, surgirão.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Carnaval Carioca

Enquanto eu tento estudar, várias coisas acontecem ao mesmo tempo: início das atividades do semestre na EAD, elaboração de novas planilhas, preocupações práticas da viagem para Maceió, o último episódio de House e o carnaval carioca. Cazuza já cantou sobre as características dos cariocas e posso dizer que é tudo verdade. Nós não frequentamos os pontos turísticos da cidade e também não ficamos no Rio na época do carnaval, salvo situações de exceção, como o caso raro em que o primo-do-cunhado-do-noivo da amiga que trabalha na Globo consegue descolar um passe livre para os camarotes do sambódromo. Fora isso, nosso programa é muito mais light e civilizado, passamos h-o-r-a-s do nosso feriado de carnaval nos engarrafamentos intermináveis para um lugar com muito sol, praia, cerveja e... engarrafamento! Não é conversa de pescador nem exagero, já passei oito horas em um engarrafamento monstruoso de Búzios para o Rio (a viagem sem trânsito não leva mais do que duas horas). Oito horas intermináveis! Não me perguntem porque fazemos isso, é uma questão cultural. Ficar na cidade sem o passe livre para a passarela do samba é o destino dos perdedores, daqueles que não conhecem ninguém e não são convidados para nada. Bom mesmo é encher o carro com ventilador, colchonete, isopor e travesseiro e viajar para algum lugar na praia (mas serve outros cantos também, no desespero...). Por esta razão, o carioca começa o feriado de carnaval cada vez mais cedo. Antes a viagem era no sábado pela manhã, depois passou para a sexta-feira à noite. Como não adiantou muito, o pessoal passou a matar o trabalho na sexta e viajar na parte da manhã. Quando eu me mudei do Rio, o povo já estava viajando na quinta. É provável que agora estejam saindo na segunda, ou até mesmo uma semana antes! Dizem que o ano para o carioca começa depois do carnaval, e confesso que a perspectiva de trabalhar no carnaval provoca conflito no meu DNA cultural. O fato é que eu agora moro na praia, longe do carnaval já que a grande festa aqui é o São João. Não sei mais o que é um engarrafamento, chego na praia em cinco minutos e como uma peixada completa para quatro pessoas por vinte e três reais, contemplando o mar que não está poluído (ainda). Para completar o cenário, a única escola que eu vi desfilar na televisão foi campeã, com um enredo simples e lindo. Diante disso tudo, encontrar concentração para sentar e ler pela enésima vez o objeto de estudo da Geografia nas séries iniciais, me parece um desperdício...
# Será que os candidatos escrevem os textos dos dez pontos e decoram tudo? Se for assim, é preciso ter uma memória filha da puta, não? Eu consigo reter a idéia central do assunto e algumas referências essenciais, mas o resto, só escrevendo na hora... Afe, seja o que Deus quiser!
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Ctrl C + Ctrl V

Vou fazer um concurso para professor e preciso estudar os dez pontos apresentados, estruturando um texto coeso e fundamentado para cada um deles. Muita coisa eu já tenho pronta, organizada a partir dos meus alfarrábios, mas obviamente nem tudo se encaixa nos pontos do concurso integralmente. Dos dez pontos apresentados, domino bem uns três ou quatro, razoavelmente outros cinco e não tenho a menor idéia do que se trata um deles. Por incrível que pareça, penso que o que fará realmente a diferença é a experiência em sala de aula por anos a fio, com todas as reflexões sobre a minha vivência. De qualquer forma, não tenho grandes expectativas porque não é exatamente a minha área de estudo. Quero fazer o concurso para experimentar o processo e me preparar para os outros que virão. Bom, pesquisando algumas teses na rede para estruturar meu material, me deparo com documentos bloqueados, que mal e porcamente permitem uma visualização. Resultado: até para citar o autor eu preciso copiar as passagens, alternado as janelas, já que eu só imprimo algum documento quando é necessário assinar e reconhecer firma. Fora isso, contribuo com o meio-ambiente lendo o máximo possível na tela do computador. Fico me perguntando se realmente este artifício é eficiente. Afinal, se alguém mal intencionado quiser mesmo copiar o documento, vai encontrar uma alternativa, nem que seja na base do Alt+PrintScr... Me parece que os bloqueios só prejudicam as pessoas que querem utilizar os trabalhos de outros autores de forma correta. Eu já deixei de usar algumas passagens de outros autores por causa disso, o que provoca o efeito inverso ao desejado por qualquer autor. A questão da publicação na Internet tem trazido muitos problemas relacionados com a autoria, existem até sites com ferramentas de verificação de cópias de postagens dos blogs. Quando entregamos um exemplar da dissertação ou tese, temos que assinar um documento concordando com a publicação na Internet. Quem defende o compartilhamento de informações deve achar isso tudo muito esquisito. Por um lado, as pessoas reclamam que as teses nunca serão lidas e ficarão empoeiradas o resto da vida na prateleira, mas por outro, diante da possibilidade de difusão da produção acadêmica, nota-se um receio de "ser copiado". Ora, é preciso ser muito pretensioso para achar que todos querem copiar o seu trabalho! Vejo alunos com trabalhos medíocres, repletos de erros de português e lacunas conceituais, preocupados com a possibilidade de alguém roubar o seu texto. As pessoas precisam descer de cima do muro e resolver se querem realmente compartilhar as suas informações ou se querem guardar o que escreveram no baú a sete chaves. Colocar o material na Internet significa perder o controle sobre ele, para o bem ou para o mal. Não estou defendendo o plágio descarado, mas acredito que esta ameaça pontual não deva ser um obstáculo para compartilhar informações. Quem ainda acredita na propriedade privada do conhecimento (que vamos combinar, desde Aristóteles ninguém é cem por cento original), deve continuar escrevendo e produzindo, só que usando um diário. Daquele cor-de-rosa com o cadeado dourado. Essa é uma boa garantia que ninguém vai ler o que a criatura escreveu. Bom, a não ser que se tenha um irmão mais novo...
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Sob o céu que nos protege

Quando eu estava na universidade, fui monitora da disciplina Astronomia durante dois anos consecutivos. Correndo o risco de entregar a idade, posso dizer que meu interesse foi despertado pela passagem do Cometa Halley. Na época, a imprensa fez uma cobertura intensa sobre a passagem do cometa, que acabou sendo decepcionante porque as pessoas imaginavam uma bola de fogo atravessando o céu. A realidade foi bem diferente, mas eu já estava envolvida com as estrelas de forma definitiva. Depois da experiência como monitora, participei durante muitos anos do Clube de Astronomia, que buscava divulgar a ciência para as crianças e jovens do Ensino Fundamental e Médio, através de oficinas e olimpíadas anuais. O Curso de Licenciatura em Geografia da UEPB, oferece em sua grade o curso de Astronomia como atividade acadêmica, para contabilizar as horas de AACC. Quando vi o programa da disciplina, fiquei entusiasmada e resolvi acompanhar a orientação dos alunos. O material foi desenvolvido por professores da UFRN e tenho pesquisado bastante outros materiais na Internet para complementar as atividades. Como este é o Ano Internacional da Astronomia, existe uma quantidade enorme de material na rede, com vídeos, animações, imagens do telescópio Hubble, entre centenas de atividades e outros materiais disponíveis nos sites. O site da NASA, por exemplo, disponibiliza centenas de imagens, vídeos e materiais diversos, embora a navegação não seja fácil. A Astronomia sempre se caracterizou pela contribuição intensa de observadores amadores, espalhados pelo mundo todo. Como o céu é imenso e apinhado, estas contribuições são importantíssimas e não é raro algum objeto celeste levar o nome de um astrônomo amador. O projeto SETI - Busca por Vida Inteligente Extraterrestre, por exemplo, distribuiu vários arquivos para serem rastreados por pessoas no mundo todo, um projeto que pode ser considerado como embrião no compartilhamento e colaboração coletiva para a construção de conhecimento. Estudar Astronomia hoje em dia é tão interessante que os alunos do Curso de Administração a Distância pediram para acompanhar o curso, mesmo não tendo relação alguma com o currículo do curso. Fiquei surpresa e satisfeita, pois fica claro que os alunos se interessam sim, desde que seja algum conhecimento que eles considerem significativo, tanto no aspecto profissional como pessoal. Termino este post com um dos vídeos disponíveis na rede sobre buracos negros nas galáxias.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
E-Competências
Eu tenho observado na rede que os materiais (artigos, livros, postagens, vídeos etc.), sobre o uso das tecnologias na educação tem aumentado em quantidade e qualidade, de forma significativa. Eu não diria que é impossível, mas está muito difícil acompanhar as inúmeras informações sobre o tema, mantendo-se atualizado o tempo todo. Por outro lado, é cansativo observar que ainda proliferam os discursos sobre o fracasso/sucesso das tecnologias com chavões "o professor é resistente, a escola não oferece condições", entre outros comentários dispensáveis. Em outros países, os professores estão se organizando em redes de pesquisa e compartilhamento de informações, cobrando dos governos uma ação voltada para o desenvolvimento de e-competências na educação. Por aqui, observamos vários relatos de escolas que recebem o aparato tecnológico e não conseguem utilizá-lo a favor da educação, seja por questões de logística, falta de informação ou vontade política. Existe uma verdadeira corrida pela inclusão digital, que fez proliferar uma variedade de programas governamentais nas esferas municipal, estadual e federal, sem que ninguém ainda consiga avaliar e extensão e a profundidade destas ações para o letramento digital. Isso não significa que as questões não estejam na pauta do dia para muitos pesquisadores, como podemos perceber analisando as postagens mais recentes em alguns blogs. Cristobal Cobo, apresenta uma idéia interessante, a criação de um concentrador de páginas (hub web - e-competencies.org), para servir como agregador de textos, vídeos, e outros materiais de vários organismos internacionais que tratam da alfabetização no século XXI. A página é parte de uma pesquisa realizada pela universidade de Oxford (bem chique, não?), sobre o desenvolvimento de e-skills, ou e-competências, construindo um repositório para os materiais e para o desenvolvimento da própria pesquisa. Marcos Telles levanta a questão da adoção de um modelo sistêmico para compreender a apropriação de tecnologia por escolas, discutindo a ação de três agentes fundamentais neste processo: direção, alunos e professores. Alex Primo aponta um ângulo diferenciado na discussão, onde o foco é a aprendizagem do aluno, ou seja, mudar a forma de ensinar não é uma opção, é uma necessidade urgente. E para completar, last, but not least, essa humilde blogueria pesquisadora, que foca a sua pesquisa na análise dos Estudos Culturais para compreender a relação entre o professor, a escola e o uso das tecnologias, através da formação de professores na modalidade a Distância. Ou seja, muita coisa para ler e compreender, e nenhum tempo a perder...
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Afinal, para onde vai a pesquisa científica?
No ano passado, a nossa professora e coordenadora do PPGE/UFPB, Professora Adelaide Dias, conversou com a turma sobre as suas preocupações com os critérios de avaliação da Capes para os cursos de pós-graduação. Entre as suas preocupações estava o critério de avaliações das publicações, que privilegiava os artigos em periódicos internacionais e diminuía consideravelmente a produção local e as atividades realizadas em congressos. A relevância social da extensão seria ignorada pelos novos critérios e a produção discente passava a ser tão importante quanto a docente.Não tenho elementos para discutir estas questões com profundidade, minha visão de ciência é fundamentada na minha filosofia de vida, que transcende para a vida acadêmica todas as minhas preocupações como gente. Assim, embora eu não acredite que estes critérios possam melhorar a ciência no país, não sou capaz de relacionar os elementos que devem ser implementados ou abolidos do sistema de avaliação. Porém, nas minhas leituras na rede, venho observando uma preocupação crescente dos professores pesquisadores com os rankings de produtividade, todos tensionados para produzir mais e melhor. Esta produção poderia ser interessante se realmente estimulasse os professores a interagir melhor com os seus alunos, propiciassem aulas melhores, orientadores mais comprometidos e disponíveis. A prática não se revela assim, os professores mais produtivos dos programas nem sempre são professores ou orientadores de excelência. Encontrei um artigo do Professor Wilson Vieira sobre o assunto que está repercutindo bastante, onde ele analisa o tema com perguntas como: "Para considerar o mérito de uma proposta em C&T, penso que os avaliadores devem se perguntar: É realmente uma contribuição à ciência? Trará maiores e melhores conhecimentos teóricos? Ou ainda, de um ponto de vista mais aplicado: é de interesse para o país, para a região? Gera emprego? Substitui importações? Salva vidas? Aumenta a eficiência? Promove a integração do país? Fortalece nossos mercados? Protege o meio ambiente? Aumenta a qualidade de vida? Diminui a poluição? Aumenta a produtividade? Diminui o custo de produção? Se questões como essas não forem consideradas, não conseguiremos transformar ciência em tecnologia, ou, mais claramente, educação em riqueza". Bom, o link está aí para a leitura completa do artigo e pelo visto o debate está só esquentando. Penso que a resposta mais adequada para a pergunta deste post seria para onde nós a levarmos.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Mariah Goes to School
Depois de ter uma filha na Universidade e outra no Ensino Médio, crescidas e independentes, entrei no túnel do tempo para acompanhar a incrível aventura de Mariazinha frequentando a escola pela primeira vez. Esta semana todas as minhas atividades foram congeladas em uma dimensão paralela que os cientistas ainda vão descobrir que existe. Nada poderia ser mais importante do que verificar se a minha filhinha mais nova estaria segura e adaptada na escola. Existe um paradoxo que atormenta os profissionais da área de educação, invariavelmente eles se tornam seres irracionais, inseguros, medrosos e incompreensivos diante do cotidiano escolar dos seus filhos. Meu maior sofrimento é porque as minhas filhas mais velhas estudaram em escolas construtivistas maravilhosas no Rio e tiveram acesso ao pré-escolar dos sonhos de qualquer educador. Infelizmente, aqui em João Pessoa as grandes escolas são tradicionais, daquelas que acreditam que as crianças precisam decorar as letras do alfabeto e a levar o gatinho até pires com três anos de idade. Encontrei uma escola alternativa muito interessante, onde as salas são abertas, as crianças comem frutas e sopa no lanche e correm descalças na terra. Resumindo: podem continuar como crianças enquanto conhecem as cores, formas geométricas, letras e brincam com outras crianças. O que me conquistou mesmo foi a casinha de taipa onde são realizadas as aulas de costura (para meninos e meninas). Sem estresse...
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Puf, puf, puf...
A onomatopéia do título deste post retrata o corre-corre da minha vida na volta das férias. O lado positivo é rever as pessoas que gostamos, conhecer gente nova, colocar as conversas em dia e verificar que sua mesa continua do mesmo jeito que você deixou. Mas o início do semestre sempre tem suas surpresas, afinal, como viveríamos sem elas? Às quatro da tarde recebi um telefonema da minha chefe de departamento aflita, dizendo que precisava me ver. Isso significa duas coisas na linguagem acadêmica: ou o prédio desabou e você vai ter que dar aula embaixo da árvore depois de socorrer os feridos, ou você se ferrou completamente. Para quem não conhece a realidade dos professores substitutos, os diálogos são mais ou menos assim:
- Fulano, temos uma disciplina sem professor de Compiladores e Análise Lexicográfica I. Você pega, certo?
- Mas...
- O horário é na sexta-feira de 22:00 às 23:30h. Tá aqui a ementa e a listagem da turma. Dá para encaixar no seu horário, não é mesmo?
- Bem... É que eu...
- Ótimo! Sabia que podia contar com você!Você sabe né, professor X não voltou do doutorado, professor Y está com depressão e professor Z dá muito problema em sala de aula. Só sobrou você!
Neste momento, o pobre do professor (que é da área de educação e não saca nada de compiladores), já está achando que é a última coca-cola gelada do sertão, pega a lista e a ementa e vai para casa passar o fim de semana tentando descobrir de que diabo se trata a disciplina...Portanto, após receber o telefonema da minha chefe, nem pestanejei, saí correndo para o departamento para tentar desfazer seja lá o que me aguardava.Cheguei no prédio (que continuava em pé) e entrei na sala esbaforida, puf, puf, puf... Ela já estava com o quadro de horário na mão, apontando a raiz do problema: eu estava escalada para seis disciplinas, que ultrapassava (e muito) minha carga-horária. Mas, é muita coisa! exclamei atônita. - Vamos ter que dar um jeito! disse ela. Me ajuda a encaixar os horários... Enquanto eu olhava aquele emaranhado de disciplinas e horários, eu só pensava nas madrugadas que sobraram para terminar a tese. Felizmente, depois de conferir os horários, descobri que colocaram meu nome por engano em duas disciplinas. Alguém estava com menos do que devia e eu com mais do que podia. Desfeito o engano, descobri que terei laboratório em todas as aulas este semestre (se ninguém tomar, é claro), que minhas turmas são pequenas e que os anjos ainda olham por mim...