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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

TEDx São Paulo e Many Eyes

De vez em quando eu recebo uma sugestão de postagem por e-mail e minha reação é ignorar solenemente a indicação. Faço isso por vários motivos, mas o principal é que considero este blog como um espaço pessoal e intransferível. Todas as indicações que faço aqui (leitura, eventos, sites, softwares etc.) são informações que encontro através das redes sociais, verdadeiras comunidades de compartilhamento. Ontem eu recebi uma "sugestão" sobre o evento TEDx São Paulo que, segundo a mensagem, "reunirá mais de 700 pensadores para debater O que o Brasil tem a oferecer ao Mundo agora? Durante todo o dia 14 de novembro, 30 palestrantes apresentarão inovações em diversas áreas de conhecimento e atuação, buscando descobrir como um pais moldado pela diversidade pode ajudar a construir, na prática, um mundo melhor.As inscrições são gratuitas e ainda estão abertas". Normalmente eu ignoraria a mensagem, mas ao navegar no site do evento verifiquei que era gratuito (nem mesmo os palestrantes são pagos) e, além disso, descobri uma ferramenta muito interessante desenvolvida pela pesquisadora brasileira Fernanda Viegas. É uma ferramenta de visualização de dados, chamada Many Eyes que permite construir e comentar gráficos com design artístico. "Além de acessar e comentar gráficos que apresentam de forma visual estatísticas tão distintas quanto o índice de desemprego americano por estado e o número de seguidores no Twitter, qualquer pessoa pode criar seus próprios gráficos usando os data sets disponíveis. A filosofia por trás do sistema – criado dentro da IBM e usado pelo jornal The New York Times -, é fomentar o debate público em torno dos mais diversos dados. A crença é que quanto mais os dados são visuais, mais as informações são percebidas e, logo, discutidas". A proposta do sistema me fez pensar no uso dos mapas conceituais na educação a distância e a importância da leitura imediata das informações. Afirmamos que vivemos na cultura da imagem, mas entendemos a imagem como o que assistimos na TV ou no cinema, ou seja, a imagem como um retrato superficial, dinâmico e imediatista, construído para ser consumido por mentes preguiçosas. Esquecemos que existe muito mais além da TV, uma vez que obras de arte, fotografias, gráficos etc, também são imagens. O desenvolvimento de propostas educacionais fundamentadas na imagem, seja na reprodução de obras de arte, na construção de gráficos, ou mesmo em mapas conceituais, ainda é pouco explorado. É como se a educação excluísse qualquer elemento imagético por considerá-lo como uma estratégia menor no processo de aprendizagem. Como acabei de rever meus conceitos ao publicar uma sugestão de postagem, posso ter alguma esperança de que os professores também possam rever a sua prática pedagógica sobre o uso das imagens como estratégia para potencializar a aprendizagem.


# Uma curiosidade para os meus leitores: o cargo da pessoa que assina o e-mail com sugestão de postagem é "Assistente do Núcleo de Relacionamento e Disseminação em Mídia Social". Tá certo que muitas profissões de hoje não existiam há dez anos, mas... isso não é um exagero?

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