quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tendências para o Futuro

Aproveitei a parada estratégica das férias para colocar em dia as informações sobre o uso das novas tecnologias na rede. Difícil é dar conta de ler tudo, acompanhar os streams do Campus Party, ler as notícias sobre Obama e ainda encontrar forças para voltar para um artigo chato de doer que estou escrevendo para minha avaliação do doutorado (e que nem eu estou aguentando ler, zzzzzz...). Então, diretamente das listas e das dicas de outros blogs, compartilho aqui o que tem de interessante na matrix para nós:


1. O e-book Educating the Net Generation de Oblinger & Oblinger (2005), especialmente os capítulos 4, 7, 12 e 13. Algumas de nossas inquietações relacionadas com o uso da tecnologia estão bem trabalhadas neste texto colaborativo. Duas questões chamam a atenção: a tecnologia é invisível para quem já nasceu em seu contexto, não existe o uso de "tecnologias" para a geração digital e as relações sociais são reforçadas com o uso das TIC´s, e não prejudicadas.


2. The Horizon Report 2009, um relatório de pesquisa sobre as tendências das tecnologias na aprendizagem nos próximos anos. Vejam só que interessante esta passagem do texto:


Alunos são diferentes, mas a maior parte do material educacional, não. As escolas continuam usando materiais desenvolvidos décadas atrás, mas hoje os estudantes chegam a escola com experiências muito diferentes do que há 20 ou 30 anos atrás, e pensam e trabalham muito diferente também. As instituições precisam se adaptar as necessidades dos estudantes atuais e identificar novo modelos de aprendizagem que envolvam as novas gerações. A avaliação, de igual modo, não avançou com os novos modelos de trabalho e precisa mudar de forma conjunta com os métodos de ensinar, ferramentas e materiais(Horizon Report, 2009, p.6).


O relatório enfatiza o incremento da tecnologia móvel como um diferencial para o uso das tecnologias na aprendizagem, construindo o conceito de portabilidade da informação. É interessante, porque a expressão portabilidade está sendo usada hoje como uma possibilidade de permitir ao usuário, transitar com elementos que antes eram fixos (número do celular vinculado à operadora, carência do plano de saúde, etc). A idéia da portabilidade das informações relacionadas com a aprendizagem formal, é bem interessante.


3. Para quem anda irritado com as mudanças no idioma de Camões, Saramago e nosso também, existe um site chamado Ortografa! para o escritor desesperado que formata o texto com as novas orientações baixadas através de decreto e acordos internacionais (saudade dos velhos tempos quando vosmecê virou você apenas pelo uso da linguagem de forma espontânea... Ei, eu não sou tão velha assim, eu ouvi dizer que a história da palavra é essa!).

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Besouro, o Filme

Está sendo filmado Besouro, uma superprodução brasileira de João Daniel Tikhomiroff, em co-produção com a Mixer da Globo Filmes e Buena Vista, sobre o lendário capoeirista Besouro Mangangá. A história é uma adaptação livre das aventuras do capoeirista que viveu na Bahia nos anos 20, e tornou-se um ícone da luta dos negros recém-libertos da escravidão contra a pobreza, o preconceito e a exploração de sua mão-de-obra. A idéia do filme já é por si só muito bonita, mas o mais interessante é a forma de divulgação e captação de recursos do filme. Para começar, fizeram um blog muito interessante para contar os detalhes da produção, relatando as estratégias e métodos de realização do filme e divulgando fotos com belas imagens das locações na Chapada Diamantina e no Recôncavo Baiano. Foi divulgado um vídeo no You Tube (em inglês chamado Beetle The Movie, que só me faz lembrar do carro), com o objetivo de captar recursos para a produção. O vídeo, de dois minutos, revela um pouco da mirabolante coreografia de lutas do filme, em que os personagens literalmente voam em cena, sustentados por cabos, guindastes e outras técnicas inéditas no cinema brasileiro, apresentado sem edição final e efeitos especiais. Para vocês terem uma idéia do tamanho da superprodução, o coordenador das cenas de ação é o chinês Huen Chiu-Ku, de filmes como o Tigre e o Dragão e Kill Bill, e o diretor de fotografia é o equatoriano Enrique Chediak, vencedor do prêmio de melhor fotografia em Sundance pelo filme "Hurricane Streets", de Morgam J. Freeman. Só pela qualidade das imagens e o modus operandis da produção, já dá vontade de comprar a pipoca e sentar na primeira fila!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Museu do Prado e o Google Earth

No final do ano passado, eu participei de uma reunião da UAB onde estavam reunidos os coordenadores dos cursos de Licenciatura em Geografia, História, Filosofia, Artes e Teatro a distância.O objetivo desta reunião, era discutir as especificidades dos cursos e as necessidades de adequação para a melhoria da qualidade. Os professores do curso de Artes reivindicaram viagens para os alunos frequentarem os museus, partindo da premissa que a observação in loco é fundamental no curso. Eu acredito que visitar museus é fundamental para qualquer professor, não apenas o de Artes já que a experiência é impactante e pode ser transmitida para os alunos nem que seja apenas um relato de amor à arte. Entre os anos de 98 e 2002, o Rio de Janeiro foi palco de inúmeras exposições fantásticas, Rodin, Botero, Miró, Picasso, Dalí, e tive a oportunidade de levar vários alunos para viver esta experiência, mas esta oportunidade acontece apenas nos grandes centros urbanos. Um dos aspectos mais fascinantes da Internet é a possibilidade de acesso aos diversos museus do mundo, uma consulta que não substitui a presença física, mas permite uma acessibilidade que nem os livros de artes (caros demais) podem proporcionar. Assim, fiquei perplexa com a reivindicação tão enfática dos professores de Artes, como se o uso da rede não possibilitasse o acesso dos alunos, ainda mais considerando que é um curso a distância. Afinal, quantas pessoas tem a oportunidade de visitar o Louvre? Fiquei entusiasmada quando li que o Museu do Prado , em Madrid, deu início a um projeto inovador, em parceria com o Google, através do qual será possível contemplar 15 obras-primas da coleção da pinacoteca espanhola em altíssima resolução na internet.Segundo a reportagem publicada no jornal O Globo, na última terça-feira, a iniciativa, batizada "Obras-primas do Prado no Google Earth", permitirá que se percebam detalhes dos quadros que o olho humano não pode perceber. A seleção foi feita de modo a incluir obras consideradas imprescindíveis do ponto de vista didático e que representam as escolas presentes na coleção do museu, de acordo com o diretor do Prado, Miguel Zugaza. Apesar das imagens não substituírem a experiência de se ver as obras ao vivo, "o nível de excelência do trabalho leva as obras a um nível universal e permite que se chegue a detalhes inalcançáveis a olho nu", afirma Zugaza. O diretor do Prado defende ainda que não há melhor maneira de render tributo aos mestres da arte do que universalizar suas obras.A precisão das imagens permite "observar até mesmo detalhes das restaurações, assim como experimentar um prazer extraordinário de contemplar cada um dos fragmentos de uma obra da complexidade de um 'Jardim das Delícias'" diz Zugaza. O projeto, único no mundo, como recorda Javier Rodríguez Zapatero, diretor do Google Espanha, "é um avanço a mais na democratização do acesso a informação e cultura, neste caso levando a arte a todo o mundo". A iniciativa não teve nenhum custo para o Museu e pode ser ampliada dependendo da acolhida que tiver. Ela permite que se vejam as imagens com uma precisão 1.400 vezes superior a que se teria com uma câmera digital de 10 megapixels. Ou seja, a compreensão das possibilidades de uso da Internet nem sempre dependem de uma solução tecnológica retumbante, mas sim de uma preocupação com o acesso e disseminação da informação para todos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Blogs.com

Encontrei na rede algumas informações sobre o livro "Blogs.com. Estudos sobre blogs e comunicação" (SP, Momento editorial, 2009), organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo, com uma coletânea de artigos sobre o uso de blogs. Fiquei surpresa porque o livro será lançado em versão eletrônica sob licença Creative Commons, na Campus Party em São Paulo. É interessante porque espaços como Campus Party, Fisl, entre outros, sempre foram eventos organizados pelo pessoal mais anárquico, que buscava quebrar completamente as bases que sustentam a propriedade de informação em nossa sociedade. Felizmente, estes grupos conseguiram se estruturar enquanto movimento e fizeram o caminho inverso, trazendo segmentos mais "quadrados" e pouco flexíveis para os seus espaços de discussão.Um movimento semelhante também está acontecendo com os blogs, já participei de debates sobre a categoria blog como algo inferior, passageiro e sem credibilidade, principalmente de jornalistas vinculados aos grandes veículos de comunicação. Hoje, vejo o movimento inverso, vários jornalistas mantém os seus blogs como uma tentativa de estar inserido em um perfil de leitor que busca muito mais do que só um lado da informação. Assim, lançar um livro acadêmico em um evento como o Campus Party, com versão eletrônica em Creative Commons, é bom demais porque dissemina uma tendência de compartilhamento, tão pouco praticada entres nós. Eu já tinha visto experiências similares em Portugal e no México, mas não conhecia uma experiência aqui no Brasil. O livro, em versão digital, estará disponível em breve no site http://www. sobreblogs. com.

Twitter na Educação: uma questão de tempo?

Semana passada eu recebi um pedido, via lista, para responder um questionário da pesquisa da Prof. Raquel Recuero e Gabriela Zago sobre o uso do Twitter como ferramenta. O formulário é bem bacaninha (feito no Google Docs) e as solicitações de participação que eu recebi vieram de três listas diferentes, o que mostra que a rede realmente pode agregar quando "aperta os seus nós". Eu fiquei surpresa com o assunto da pesquisa porque mal consigo me recuperar do Google Talk ou do MSN e já temos pessoas pesquisando o Twitter, que é uma ferramenta nova. Eu relutei em usar o Twitter no começo, não compreendia muito bem a sua funcionalidade. Depois que eu passei a "seguir" blogs de notícias e outras coisitas más, coloquei o Twitter no meu Mozilla e minha vida mudou... Tá, não mudou, mas facilitou. Eu acabei pedindo socorro para Suzana (que tem um blog lindinho) e coloquei um link bem fofinho do meu Twitter aqui no blog. No meu caso, eu uso o Twitter como um resumo das notícias e das informações que eu quero acessar, sem precisar ficar procurando na rede. Carregar as inúmeras páginas dá trabalho e abrir e-mail também, assim o Twitter acaba sendo um híbrido disso tudo. Sem falar no aspecto pessoal, é uma mistura do MSN e Google Talk só que assíncrono! Assim, você recebe a informação, absolutamente casual ou não, e acessa se quiser ler, caso contrário, é só ignorar. Afinal, nada é mais irritante do que estar trabalhando na Internet e ser atacado por uma turba ensandecida que chama a sua atenção só para dizer oi! Assim, achei bem interessante que as pessoas já estejam pesquisando essas novidades e quebrando a cabeça para usar o Twitter com objetivos educacionais. Já existe o edmodo, uma espécie de twitter educacional que permite que o professor envie twittadas diretamente para o aluno, e podemos encontrar vários relatos das experiências de professores que usam o Twitter com seus alunos. Mas o mais interessante disso tudo é que a cada dia surgem novas ferramentas e os professores através de redes (ou não), buscam se apropriar das inovações tecnológicas em favor da educação. Este processo é mais revolucionário e transformador do que qualquer TIC, NTIC, TDIC,(ou qualquer outra sigla) que possa surgir.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Aprendizagem em Ambientes Virtuais


Durante este curto período de férias, aproveitei para fazer algumas leituras e buscas na rede sobre a questão do uso da tecnologia na aprendizagem. A dificuldade de aprendizagem dos alunos nos ambientes virtuais vem me inquietando bastante, principalmente porque eu não vejo muitas alternativas promissoras. Ao final de cada semestre, realizamos pesquisas com os alunos buscando pistas sobre os obstáculos que eles encontram durante o processo. Os resultados não são conclusivos e as respostas não nos dizem o que precisamos saber. Acredito que isso aconteça pelo fato de que os alunos ainda não consigam verbalizar as suas dificuldades (em relação ao uso das tecnologias) com clareza. Ainda existe muita confusão entre as dimensões pedagógicas do ensino presencial e a modalidade a distância. Sabemos que a ausência da cultura digital é um obstáculo no processo, mas será que estamos apresentando as ferramentas com a estrutura correta? Os ambientes virtuais de aprendizagem são um instrumento essencial, mas não estaremos fazendo o ambiente um fim em si mesmo? Quero dizer, será que o usamos apenas como um repositório de dados, ao invés de potencializar seu uso como um ambiente de criação e interação? Encontrei esta imagem sobre a evolução das mídias no blog do meu colega Cristóbal Cobo, e penso que ainda usamos o ambiente virtual no primeiro estágio, com algum envolvimento do aluno nos momentos de avaliação (que acaba não sendo um envolvimento espontâneo e sim coercitivo). Estou lendo o livro Buenas Prácticas de e-learning, organizado por Ana Landeta Etxeberría, da UDIMA (Universidad a Distancia de Madrid). São textos de vários autores e selecionei dois capítulos especialmente interessantes. Tenho refletido muito sobre o uso da tecnologia móvel na educação a distância e acredito que ela poderá ser um elemento diferenciador na aprendizagem, mas é preciso pensar em uma estratégia tanto tecnológica quanto pedagógica para colocar esta idéia em prática. Mas isso já é assunto para outro post.


Cap. 9 – E-Learning 2.0
Cap.17-Virtual Mobility: an Innovative Alternative for Physical Mobility?

sábado, 3 de janeiro de 2009

A Educação a Distância na Perspectiva dos Estudos Culturais

O objeto do meu trabalho é a Educação a Distância na perspectiva dos estudos culturais, buscando compreender a subjetividade e as relações de poder que envolvem o uso da tecnologia na educação. Estou construindo o percurso de implementação do pró-Licenciatura, programa governamental da SEED/MEC para formar professores em cursos de Licenciatura a distância. Na análise dos documentos, venho observando a preocupação principal com a disseminação do uso das ferramentas tecnológicas entre os professores da educação básica na rede pública. O uso da modalidade a distância pressupõe o uso maciço destas tecnologias no decorrer de todo o curso, sendo um dos objetivos do programa modificar a relação dos professores com a tecnologia (incrementando todas as possibilidades de aprendizagem, do professor e do aluno). Esta mudança no comportamento dos professores tem um relação direta com a cultura escolar e com as relações de poder que estes dispositivos tecnológicos representam dentro do ambiente educacional. Assim, ouvimos o tempo todo inúmeras desculpas para que os professores não utilizem as ferramentas tecnológicas, mas pouco se tem feito no sentido de mudar este paradigma. Observamos que são oferecidos cursos, os computadores estão na escola (trancafiados ou subutilizados), os professores possuem computadores, mas seu uso efetivo está longe de ser consolidado. Existe uma premissa falsa de que o uso das tecnologias acontece com sucesso na escola privada, mas na verdade o que acontece, de fato, é a aula de informática, dissociada da prática dos outros professores e do contexto curricular. Acontece porque a escola particular tem em seus quadros o professor de informática e a clientela domina o uso do computador, mas daí a existir um projeto integrado pedagogicamente, é outra história. Bom, para tentar pesquisar isso tudo (e mais alguma coisa), estou trabalhando na perspectiva dos Estudos Culturais. Embora seja utilizado mais freqüentemente no campo de gênero, etnias e mídia popular, ele também possibilita uma boa discussão sobre o uso dos artefatos tecnológicos.Infelizmente, o campo de pesquisa dos Estudos Culturais está mais disseminado nas áreas da comunicação e da linguagem, seu uso na educação foi intensificado apenas recentemente. Por esta razão, criei um blog esta semana para tentar organizar as leituras disponíveis e discutir um pouco os Estudos Culturais a partir da questão do uso das tecnologias na educação. A idéia é colocar a contribuição de todos que quiserem publicar algum post sobre o tema, mantendo no controle das carrapetas do blog, professores colaboradores. Quem tiver interesse em conhecer um pouco do assunto ou quiser contribuir para a discussão é só passar por lá.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Em 2009...

Chegando ao final de 2008, um balanço das atividades é sempre interessante, não como um processo de acúmulo de riquezas, mas sim como uma reflexão crítica do que foi positivo e o que precisa ser melhorado. Vamos ver:


Coisas que me fizeram feliz:
1. Orientar nove monografias de especialização na UEPB, cinco no Senac e três na graduação da UEPB;
2. Participar da comissão científica do Cobesc com o convite da Professora Rossana;
3. Finalizar o livro Didática e o Ensino de Geografia com Sônia;
4. Apresentar trabalhos no Simpósio de Hipertexto e na Anpae com Graça Barros;
5. Ser aprovada no doutorado e cursar quatro disciplinas;
6. Escrever o artigo sobre a Web 2.0, as Máquinas de Ensinar e a Educação a Distância;
7. Participar do evento dos coordenadores de Geografia a distância em Brasília.
8. Conhecer Cristiano, Alásia e Manuel no doutorado e conviver mais de perto com minha orientadora, Sônia;
9. A inauguração da Secretaria de Educação a Distância da UEPB;
10. Meus alunos maravilhosos, verdadeiras jóias na esperança de uma educação de qualidade.
Coisas que me estressaram:
1. Fazer o concurso de substituto mais uma vez;
2. Cursar disciplinas com professores "nothing to say" no doutorado (perda de tempo minha e deles);
3. Dar aula até dez horas da noite e dirigir de Campina para João Pessoa;
4. A certeza de que o ser humano não falha em sua mesquinhez e desonestidade.
Coisas para melhorar em 2009 (ou promessas de campanha):
1. Não aceitar muitas orientações ou orientandos fora do meu foco de pesquisa;
2. Organizar melhor o meu tempo para estudar, trabalhar e descansar;
3. Ir ao médico e ao dentista com mais regularidade e freqüentar a academia;
4. Ler todos os textos do doutorado;
5. Me organizar melhor para publicar trabalhos com meus orientandos;
6. Parar de fazer o trabalho dos outros, à César o que é de César;
7. Trabalhar mais no grupo de pesquisa.
Coisas para fazer em 2009:
1. Ajudar na publicação do livro sobre Ambientes Virtuais da Sônia;
2. Finalizar o livro da disciplina Novas Tecnologias e Educação;
3. Fazer um curso de Francês express para a prova de proficiência;
5. Fazer a qualificação até julho;
6. Defender a tese até o final do ano.

Fica ainda em suspenso fazer uma plástica depois de amamentar Mariazinha (não por necessidade, mas por vaidade), trocar de carro (não por vaidade, mas por necessidade), fazer um concurso para professor efetivo (nem por vaidade nem necessidade, mas por direito). E, finalmente, uma questão de honra para minha verve carioca: definitivamente eu preciso aproveitar melhor a praia, tão perto da minha casa e tão inacessível nesta vida corrida.A foto deste post é da praia que fica à 500 metros da minha casa... Feliz 2009 para todos nós!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Janela com Tramela

Eu visitei minha avó materna poucas vezes na minha vida, em parte porque ela morava no interior e porque os vínculos da minha mãe com a família eram precários. Meu contato com ela aconteceu apenas até a minha adolescência, na minha fase adulta nunca mais voltei a visitá-la. A casa em que ela morava era uma típica casa de interior, com poucas janelas de madeira com tramela, chão de cimento vermelhão e porta dividida em duas metades, a metade inferior sempre fechada para evitar a entrada dos bichos. Eram muitos bichos, porcos, galinhas, marrecos, etc. Eu era alérgica e todas as vezes voltava da casa da minha avó coberta de bolhas provocadas pelas picadas dos insetos. Hoje, em minhas viagens para o meu trabalho em Campina Grande, sempre vejo várias casas idênticas a da minha Vó Ana, e sempre me pergunto porque as pessoas ainda usam o sistema de tramela (ou taramela) como trinco das janelas. É como se as pessoas se recusassem a experimentar outro modo de vida, diferente do que elas conheceram. Percebo como uma reafirmação das raízes através da resistência ao novo. No fim do dia, o cheiro de mato queimado me traz imediatamente as lembranças daquele tempo, quando se usava o fogão fora da casa em uma área aberta porque a fumaça do fogão à lenha não permitiria a cozinha dentro de casa. Na semana passada, visitei um assentamento do movimento sem terra em um município próximo. Foi uma tarde muito agradável e tirei fotos das construções exatamente iguais as imagens do meu passado. Eu, Sônia e Alásia, passamos uma tarde que nem parecia trabalho, e foi muito interessante entrar no túnel do tempo e relembrar as texturas, o cheiro e as cores de um modo de vida do interior, tão distante de minha realidade atual.Voltamos de lá cheia de idéias para colocar em prática, variando da alfabetização de adultos até projetos de inclusão digital. A parte mais engraçada do dia foi quando tivemos que atravessar o rio de carro e Sônia, com medo da profundidade, se dispôs a atravessar o rio a pé para garantir que o carro não afundaria e nem seria arrastado pela correnteza. Nada vai apagar da minha memória nossas risadas ao ver nossa orientadora vadeando e segurando seu vestido na altura dos joelhos enquanto a profundidade só aumentava. Nós, que não valemos uma rosquinha furada, registramos este singelo momento em uma linda fotografia. A única razão de não compartilhar este momento mágico aqui no blog, é a certeza de que ela nos cortaria em pedacinhos...Foi um fechamento quase mágico de um ano tão difícil, mostrando que a vida é feita destes momentos pequenos de felicidade. Feliz Natal para todos!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Trabalhos da Graduação

Minha experiência em orientações esteve concentrada até hoje em monografias de especialização. Eu não faço parte de nenhum programa de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado como professora, mas atuo na graduação e na especialização em diversos cursos. No meio deste ano conclui a orientação de vários trabalhos com alunos de especialização e não foi uma tarefa fácil, principalmente porque vários alunos estavam há muitos anos sem estudar. Na última sexta-feira foi o dia das defesas dos meus alunos de graduação (Licenciatura em Computação) e fiquei surpresa com os resultados obtidos nos trabalhos. Embora estes alunos sejam inexperientes do ponto de vista da pesquisa, suas dificuldades são compensadas com a facilidade de leitura e estrutura na sistematização do conhecimento. Basta um único direcionamento e eles prontamente compreendem onde queremos chegar e conseguem concluir a atividade proposta com desenvoltura. As apresentações foram excelentes, todos seguros e desenvoltos, passaram a certeza de que estudaram horas para estar ali. Meus três orientandos realizaram pesquisas em diferentes áreas do uso da tecnologia na educação: Daniell Wagner pesquisou o perfil dos blogs educacionais, Thyago Ferreira pesquisou o telecentro como instrumento de inclusão digital e social e Heloise Santos (foto) se debruçou sobre o uso da informática em crianças com dificuldades de aprendizagem. Todos eles trouxeram contribuições importantes e surpreendentes sobre suas pesquisas. No trabalho sobre blogs, verificou-se que a maior parte dos professores blogueiros atua na escola pública e o número de links nos blogs educacionais para outros blogs ainda é muito pequeno (a média é menos de dez links), dificultando a formação de redes. No trabalho sobre telecentros, foi apontado que o discurso oficial do telecentro está centrado na formação de mão-de-obra, mas 64% dos frequentadores querem usar o telecentro para o acesso livre em sites de redes sociais e informação. Heloise verificou que o desempenho dos alunos nas aulas de informática é muito superior ao da sala de aula convencional, e que alunos considerados problemáticos pela professora polivalente, são considerados normais pelos professores de informática.Depois deste resultado, quero duzentos orientados de graduação, pouco importando seu valor limitado na pontuação do lattes ou nos relatórios de produtividade docente. Para quem tem Academicard, um trabalho bem feito não tem preço...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Autores e Revisores

A edição do meu livro e de Sônia Pimenta, Didática e o Ensino de Geografia, ficou pronta esta semana e eu não podia deixar de fazer um comentário sobre a construção do texto. Em primeiro lugar, não se trata de um livro comum, o tema não é ficção nem tampouco pode ser considerado como um livro didático. O grande desafio era transformar todo o nosso conhecimento sobre o assunto em um material leve, que dialogasse com o leitor o tempo todo. Pesquisar, selecionar material, apresentar nosso ponto de vista sobre o assunto na perspectiva da aprendizagem, foram tarefas bem complexas... Neste contexto, surge o trabalho dos revisores, que analisavam a proposta das aulas, a estrutura e a linguagem. Aí, o desafio era outro, o foco estava centrado em ter tranqüilidade para ver as correções realizadas e lidar com aquilo de forma construtiva e motivadora. O que parecia tão claro estava confuso, os objetivos truncados, a apresentação nada acrescentava, o resumo resumia o texto em excesso e a auto-avaliação mais parecia uma atividade... As primeiras aulas pareciam um texto egípcio com tantas marcações, mas é uma satisfação enorme chegar ao final do livro e receber uma aula com elogios e poucas correções.Conheço algumas pessoas que não aceitam que seu texto seja alterado, sei de uma amizade que terminou por causa disso, e sei também que nossa cultura criou uma premissa falsa de que as pessoas cultas não cometem erros quando escrevem. Isso é uma bobagem sem tamanho, vejo o trabalho de revisão como um conhecimento técnico de pessoas que estudaram muito sobre o assunto. Da mesma forma que alguém pode tirar uma dúvida comigo ao rabiscar um mapa, eu posso apresentar um texto para uma pessoa da área rever e apontar as construções textuais mais adequadas. Agora, cabe aqui uma ressalva: nem todas as pessoas que possuem esse conhecimento técnico serão bons revisores. A revisão tem a ver também com estilo, com o que a pessoa entende como linguagem e o respeito ao formato pessoal que cada um imprime ao seu texto. Poucas pessoas fazem isso com desenvoltura, eu tive a sorte de conhecer a Professora Divanira Arcoverde que faz este trabalho com maestria. Ela e Rossana Delmar foram as revisoras de todo o trabalho de produção de material da UEPB, e posso dizer com conhecimento de causa: elas tiraram leite de pedra em alguns momentos! Como diz um amigo meu, é impossível transformar um texto ruim em algo bom, mas é possível transformar um texto truncado em algo que possa ser lido com coerência. Eu respeito muito o trabalho de revisão porque acredito que não seja fácil ficar do outro lado, tentando apontar o melhor caminho para o autor. A dificuldade é conseqüência de dois fatores:o primeiro, ter que captar o ritmo e o estilo de texto do autor e quais os melhores caminhos para melhorar o resultado final, o segundo é a incompreensão de alguns autores sobre a necessidade e a importância deste trabalho. Alguns se ressentem, como se ainda fossem crianças em sala de aula sendo punidos pela professora.Divanira sempre diz que a construção deste material é repleta de idas e vindas, por isso é um processo tão demorado. Eu percebo como um diálogo entre autores e revisores que trabalham juntos para o sucesso do resultado final. No meu caso, agradeço por ter tido as duas aparando as arestas e permitindo que eu me ocupasse com minha função principal: desenvolver o conteúdo nos prazos exigidos pela edição e manter minha integridade física e mental!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos...

Esta semana foi um filme do Almodóvar, aconteceu tanta coisa inacreditável que somente um filme kischt retrataria com fidelidade os acontecimentos. Já encomendei meu vestido de oncinha para entrar no clima... Alguém pode estar pensando: bah, quanto exagero, imagina se a vida de uma pacata professora que trabalha com educação pode ser agitada? Se ainda fosse química ou medicina, vá lá, pois poderia explodir um laboratório ou alguém morrer. Mas... licenciatura? Pois bem, somente nesta semana nós tivemos uma separação turbulenta, um affair secreto descoberto, uma mentirosa patológica desmascarada (eu disse desmascarada, as demais podem suspirar aliviadas), um tutor para ser substituído,uma professora muuuiiito zangada com nossos constantes atrasos, um professor com material atrasado para edição, problemas de saúde na família (bem sérios por sinal), um relatório importantíssimo para o CNPq precisando ser refeito (quando os prazos já expiraram) e last, but not least, as fatídicas planilhas do MEC. Ahhhh, as planilhas do MEC... Se você já fez alguma, ficará imediatamente solidário comigo. Se não fez, não imagina a loucura que é trabalhar com vinte e três planilhas diferentes que tratam exatamente da mesma coisa! Eu e Eliane (minha coordenadora) refizemos um mesmo ofício quatro vezes! E pior, ele ainda está errado! E pior ainda: está errado porque eles nos enviaram informações erradas! Parece uma brincadeira sádica, onde eles nos enviam planilhas com fórmulas secretas erradas inúmeras vezes para testar nossa paciência e perseverança. Será vencedor aquele que resistir ao suplício até o fim... Resultado: a pobre da Eliane estressada por solicitar a assinatura da Reitora inúmeras vezes no mesmo documento, enquanto eu estou com uma crise de gastrite e com tantas aftas na boca que não consigo comer há vários dias. O preço deste inferno para quem tem Mastercard? Um repasse insignificante em termos de orçamento para dois semestre de curso e a certeza absoluta que eu preciso ampliar meu vocabulário de palavrões para continuar aguentando o tranco.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Três Dias...

Todo mundo pensa que o maior trabalho quando se escreve um livro é produzir o texto, certo? Errado! Escrever o texto é só o começo de uma longa e tortuosa batalha entre revisão, editoração, ficha catalográfica, ISBN, entre outras coisas. Estou há três semanas tentando conseguir o ISBN e por razões impublicáveis, só consegui resolver o problema esta semana. Os sete leitores que acompanham esse blog (incluindo a minha mãe) sabem que eu elogiei bastante a edição de um dos capítulos do meu material, a Aula 10. Como dizem por aí, não se pode elogiar. Acordei hoje com o seguinte e-mail: "Ola Ana A aula Di_En_Geo_A02-Elementos da Didática: Os Diferentes Métodos de Ensino voltou para edicao, pois se passaram TRES DIAS e foi tida como aula sem correcao. Mais informacoes, entre em contato com a Revisao Tipografica. Atenciosamente..." Não sei se vocês repararam nos três dias em caixa alta, foi impossível não lembrar do filme "O Chamado" (você tem sete dias - seven days...), ou então o desenho animado da Pequena Sereia (você terá três dias para fazer o humano se apaixonar por você...). Obviamente não consegui fazer a revisão em três dias, basicamente porque a aula foi disponibilizada na quinta-feira e eu tinha mais três aulas para revisar.Descobri, tarde demais, que eles contam o fim de semana nos três dias de prazo. Partindo do princípio que fui punida como criança e não tenho poderes sobrenaturais para editar um material que não posso acessar, resolvi deixar para lá. Eis que algumas horas depois recebo outro e-mail:"Ola Ana ATENCAO!!! O(A) SENHOR(A) TERA 3 DIAS PARA CORRIGIR A AULA ENVIADA, CASO NAO CORRIJA A AULA VOLTARA AUTOMATICAMENTE PARA A EDICAO. Uma aula foi enviado para seu ambiente virtual para a sua aprovacao". Bom, sou eu ou vocês também perceberam um tom ameaçador na mensagem? Não sei o que me chamou mais atenção, a caixa alta (gritando comigo) ou o negrito (que deve significar gritos histéricos). Nada motivador, não? Respirei fundo, procurei me lembrar de meu método zen de convivência pacífica e ao invés de continuar fazendo a revisão, passei aqui no blog para debafar. Corro um sério risco do pessoal da edição descobrir e mandar um gângster quebrar as minhas pernas. E o pior, não porque eu reclamei dos e-mails, mas porque eu desperdicei um bom tempo da revisão escrevendo no blog! Juntando o prazo dos dois e-mails, eles deveriam mudar o tom cavernoso para seis dias... Você tem seis dias...

domingo, 30 de novembro de 2008

O Círculo Hermenêutico e Eu

Este semestre estamos concentradas no doutorado em resolver o problema da metodologia do nosso trabalho. Esta semana eu e minha comparsa do doutorado, Alásia Santos, apresentamos um seminário sobre a hermenêutica do bom velhinho Gadamer, como metodologia de nossas pesquisas do doutorado. Nossos trabalhos apresentam muitos aspectos convergentes, eu focando o Pró-Licenciatura e ela, a UAB. Nesta perspectiva, a hermenêutica cai como uma luva e as contribuições de nossa professora foram bastante significativas.Começamos o seminário levando lambadas de nossa teacher, mas terminamos com muitos beijos e elogios (coisas da academia, não me perguntem...). A única conclusão que posso chegar é que ela imaginou que nós não conseguiríamos dar conta do tema por sua complexidade, mas mudou de idéia ao longo da apresentação. Alásia domina muito bem a filosofia e nós já tínhamos escrito um artigo para outra disciplina a quatro mãos. O que realmente me empolga no uso da hermenêutica é que ela pode ser aplicada ao lado pragmático da vida. Meu maior desafio hoje é ser coerente com meu desejo de compreender o outro e construir, a partir desta compreensão, relações mais harmônicas e positivas com as pessoas. Gadamer aborda exatamente este aspecto quando afirma que todo ser humano, ao estar aberto ao diálogo, é um ser que se lança ao mundo que é um horizonte de compreensão, buscando compreendê-lo e compreender seu papel no e com o mundo.Verdade e Método conquistou muito mais do que meu lado de pesquisadora, ele capturou minha alma ao mostrar um caminho filosófico para a verdadeira compreensão da complexidade humana. A seguir, compartilho um esquema elaborado por nossa professora Windyz que pode ser muito útil para quem deseja trabalhar metodologicamente com a hermenêutica.


domingo, 23 de novembro de 2008

O Governador, a UEPB e Politiketes

Este blog não é sobre política, mas é impossível não comentar a cassação do Governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, até porque esta decisão afeta diretamente a nossa Universidade. Com olhar de estrangeira, e longe da disputa emocional histórica, posso dizer que estou indignada com essa história toda porque apenas uma parte perde: o povo paraibano. Pelo visto o Estado se tornou a palmatória política do país, semana retrasada cassaram um deputado por mudança de partido, agora não se pronunciaram sobre a cassação em Santa Catarina, mas aplicaram a justiça com rigor aqui. Não me agrada nem um pouco esta história de decidir quem ocupará a vaga, se o pleito foi contaminado de alguma forma, que se faça uma nova eleição. Os cenários são muito fluidos e ninguém pode prever com certeza quem vai ganhar em caso de mudança de candidato. Para vocês terem uma idéia sobre o papel dos dois governadores (o substituto, Maranhão já foi governador da Paraíba duas vezes) no que diz respeito à Universidade, Cássio deu autonomia financeira para a Universidade, abriu mais três novos campus e tomou muitas decisões que fizeram a Universidade caminhar bastante nos últimos anos. Mérito de nossa Reitora e dele também, já que em uma Universidade Estadual a dependência do Governo do Estado é muito grande. Já com Maranhão, a Reitora (que na época estava à frente do sindicato) entrou em greve de fome para ser recebida (e ouvida) pelo então governador. E pior, pouco adiantou. O mais interessante é observar que o governador indicado pela justiça (não parece coisa da ditadura?), teve suas contas de campanha rejeitadas pelo tribunal eleitoral e o seu substituto no Senado responde a tantos processos na justiça que o foro privilegiado que ele vai ter a partir de agora, caiu do céu. Ou seja, ainda corremos um sério risco de ficar sem nenhum governador, e mesmo que se confirme Maranhão no cargo, será um governo medíocre e fraco com uma grave crise de legitimidade, já que ganhou no tapetão e não respeitou a vontade das urnas.Não vou nem entrar no mérito dos defeitos dos dois, porque não vejo diferenças ideológicas entre eles (foram, inclusive, aliados no mesmo partido). De qualquer forma, parece coisa do velho prefeito Odorico em "O Bem Amado".

Nós no Evento da ANPAE

Esta semana foi realmente corrida, dirigi aproximadamente mil quilômetros em três dias, estou me sentindo como Speed Racer. Terça-feira foi o evento da ANPAE, eu me inscrevi como co-autora no trabalho da minha orientanda de especialização, Graça Barros. Meu objetivo era apenas apoiá-la em um evento de grande porte, mas ela agora já ganhou segurança suficiente e nem precisa mais de meu apoio para coisa nenhuma. Tem segurança suficiente para expor suas idéias e já pode caminhar sozinha em qualquer lugar. As demais apresentações foram interessantes, coordenadas pela Professora Hilda Mara. O debate foi realizado no final das apresentações, organizamos um círculo e trocamos muitas idéias sobre os trabalhos. Depois tiramos muitas fotos e foi muito engraçado porque pedimos ao rapaz responsável pela manutenção dos equipamentos para tirar fotos do grupo e o coitado teve que tirar a mesma foto com oito câmeras diferentes! É tão interessante como parecemos desconectados do mundo, parece que estamos dentro de uma bolha com o tempo suspenso enquanto discutimos problemas e soluções da educação. O troféu abacaxi vai para uma professora de Recife que solicitou a antecipação de sua apresentação para a nossa seção por motivos pessoais, tomou nosso tempo e saiu assim que terminou de falar, porque tinha "compromissos urgentes". Ou seja, despejou seu trabalho, pegou o certificado e saiu correndo sem a menor consideração com os demais. Sua passagem foi tão meteórica e superficial que sequer me lembro do nome da criatura. Eu acho isso o fim da picada, se as pessoas não tem tempo nem disposição para compartilhar seu conhecimento, por favor, não participem!Todos nós temos nossos compromissos e prioridades e agir como se o nosso fosse mais importante do que as demais é, no mínimo, uma tremenda falta de educação. Por outro lado, tínhamos um professor na sala com sua orientanda, que não só participou da sessão com seriedade, como apoiou sua aluna de graduação de forma admirável. Este é o nosso papel e,definitivamente, está na hora de entender que o ouvido dos outros não é penico para despejar um monte de porcaria em um local que sequer tem descarga...

domingo, 16 de novembro de 2008

Como Água Para Chocolate

Estamos na reta final do semestre e equilibrar as atividades de aluna e professora não tem sido fácil. O lado positivo para os meus alunos é que estou ficando mole, reduzi bastante a proposta de atividades este semestre. Talvez seja porque praticamente todos os meus alunos trabalham e estão muito sobrecarregados com as outras disciplinas, mas também pode ser porque estou do outro lado e sinta na pele as dificuldades em equilibrar o trabalho e os estudos. Não tenho mais certeza se o acúmulo de trabalhos é um caminho seguro para a realização da aprendizagem. Ontem passei o dia todo estudando, preparando um texto sobre a metodologia da minha tese. Aproveitei o dia de hoje para descansar um pouco, inventando novas receitas na cozinha. Sim, este é meu lado B (se é que isso existe), eu gosto de inventar um prato novo, comprar os ingredientes, fazer os testes e registrar o resultado. A foto deste post é o resultado da experiência de hoje, uma receita de camarão com molho de catupiry e gorgonzola. Todas as vezes que acerto a mão como hoje, sempre penso em largar tudo e abrir um restaurante em Pipa. É o meu projeto de aposentadoria, até lá vou ter que descobrir um novo balneário, porque Pipa já estará decadente. Eu sequer gosto da badalação, mas existe uma energia especial em lugares como Búzios, Pipa, Porto de Galinhas, que não sei se é anterior à chegada das pessoas (que são atraídas por esta energia) ou se é por ser um local de trânsito de pessoas de diversos lugares que torna tudo tão especial. De qualquer forma, venho escrevendo um livro de receitas digital onde eu registro não apenas as minhas receitas, mas também as dos meus amigos. Cada uma delas tem uma história especial e como todos os meus amigos antigos e muito queridos moram distante de mim, encontrei uma forma de me sentir perto deles cozinhando as receitas que costumávamos comer juntos. Ah, sim, o título deste é post é o mesmo do filme que fala exatamente sobre os efeitos mágicos da culinária sobre nós.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Didática e o Ensino de Geografia

Esta semana finalizei o material da disciplina Didática e o Ensino de Geografia que eu e a professora Sônia Pimenta escrevemos para o curso de Geografia a Distância da UEPB e UFRN. Eu simplesmente a-do-rei o resultado da editoração, as imagens estão lindas e o trabalho é muito bem feito. O pessoal da UFRN abalou Bangu com seu bom gosto e idéias interessantes para melhorar a proposta do texto. Nós escrevemos doze aulas que são consideradas como uma publicação de livro. Embora o foco seja o professor de Geografia do segundo ciclo do Ensino Fundamental e o Ensino Médio, fiz questão de escrever uma aula abordando o ensino de Geografia nas séries iniciais. Pensei muito nos blogs das minhas colegas Sintian Schmidt e Teresinha Bernadete Motter e na sua contribuição para os professores do Ensino Fundamental (inclusive indiquei os links desses blogs no livro). Isto significa que a junção de diferentes mídias na aprendizagem não é um modismo ou um caminho alternativo, é realmente uma possibilidade de incrementar ainda mais os materiais que usamos em sala de aula, seja ela virtual ou presencial. Aliás, este é um processo interessante, os professores que elaboraram os materiais para a Educação a Distância estão utilizando os mesmos materiais com os alunos do curso presencial com sucesso. Já observamos indícios de que esta dualidade entre as modalidades presencial e a distância está se estreitando, aparecendo interseções e sobreposições que são muito bem vindas. Compartilho com vocês a versão preliminar da aula "A construção de conceitos nos primeiros anos do Ensino Fundamental", espero que gostem. Ah, sim, esta barrinha com figuras engraçadinhas logo abaixo serve para vocês opinarem sobre o post ou sobre o material. Deixe a sua opinião registrada!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bob Esponja, Sra Puff e Eu

O título deste post pode parecer estranho, mas foi impossível não lembrar da saga do Bob Esponja na escola de pilotagem da Sra Puff, durante esta semana. Passei vários dias visitando o Detran para renovar a carteira de motorista, fazendo exame de vista, exame médico e prova escrita sobre direção defensiva e primeiros socorros. Entre as filas e a espera interminável, eu só pensava no surrealismo daquilo tudo. Será que uma pessoa que tem carteira de motorista desde 1990, desaprende a dirigir de forma repentina? Respondi ao questionário que me perguntava se eu era louca, tinha desmaios ou usava drogas. Não pude resistir e perguntei ao funcionário se alguém respondia que sim a algumas destas questões. Pela cara do sujeito, já comecei a pensar que seria reprovada, afinal, lá não é o lugar para engraçadinhos... Levei uma bronca por falar ao celular durante o atendimento, o que mostra o caráter educativo do Detran, e tive que ouvir o sujeito dizendo que a prova era muito difícil e que eu devia fazer um curso. Me inscrevi no curso rápido do Senhor Google para Desesperados e lendo o manual de primeiros socorros e direção defensiva (baixados da Internet), percebi que o conteúdo todo é uma questão de bom senso. Coisas do tipo: não dê nenhuma bebida para a vítima inconsciente (???), se alguém estiver com fratura exposta remova-a imediatamente para o hospital, faça manutenção do seu carro etc. Sim, eu sei que nem todos os seres humanos tem bom senso, mas aplicar prova escrita em todos os motoristas... Posso estar enganada, mas não me parece ser a medida mais eficiente para incutir bom senso em alguém. Quando eu terminei a prova (em quinze minutos), fiquei enrolando uma meia hora para não me reprovarem por descaso. A funcionária anunciou que o resultado sairia na Internet e depois de vários acessos a cada quinze minutos, comecei a me sentir como Bob Esponja, com um medo enorme de ter sido reprovada. Enrolei bastante para ir ao Detran (cheguei lá dez minutos antes do expediente encerrar hoje) e já comecei dizendo, só vim saber se fui mesmo reprovada... Consegui minha carteira, descobri que estou praticamente cega do olho esquerdo e saí de lá procurando meu amigo Patrick para dar uma volta. A próxima pagação de mico é só em 2013!

domingo, 2 de novembro de 2008

Habemus Habermas?

A grande crise esta semana no doutorado foi a preparação de um seminário do texto Apres Marx, de Habermas, em francês. Considerando que nenhuma das alunas apresenta fluência no idioma igualité, liberté e fraternité, ficamos diante das seguintes opções: pagar uma tradução completa do livro ou pelo menos alguns capítulos, encarar o texto e traduzir como for possível, cometer suicídio coletivo deixando uma longa carta acusadora para o PPGE ou contratar alguém para desaparecer com a professora. Considerando que somos da paz e não temos o menor espírito de grupo, seja para uma coisa ou para outra, nos restou a alternativa mais indigesta (não, não estou falando do assassinato): encarar a leitura e preparar a apresentação do seminário contando apenas com um pequeno grupo aguerrido. O que me espanta nesta história toda não é a necessidade de ler o texto de Habermas, afinal, quem está na chuva é para se molhar. O problema é que as condições de avaliação da disciplina mudam a cada momento: cada uma de nós já apresentou pelo menos três textos, temos que fazer uma revisão do projeto, apresentar textos de outros autores que estejam relacionados com nossa metodologia, apresentar uma prévia de nosso capítulo metodológico, entregar as apresentações de slides dos seminários e escrever uma artigo para uma revista científica (apresentando o comprovante de submissão). Tudo isso sem qualquer possibilidade de negociação, e o mais surpreendente: recheado com um discurso de Paulo Freire! Alôu, ouvi direito? Isso mesmo, usando Paulo Freire como referência, o mesmo Paulo que escreveu a Pedagogia do Oprimido! Eu tenho tentado ser uma aluna passiva, compreensiva, meiga, disciplinada e obediente, mas vamos combinar: isso está indo longe demais...Na próxima aula, vou colocar estas insatisfações na mesa, vamos ver no que vai dar. O pior é que eu e minha comparsa doutoranda acabamos encontrando alguma coisa interessante e aproveitável no texto para a nossa tese, o que certamente amenizará a nossa fúria assassina. Merde!

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