domingo, 12 de julho de 2009

A qualidade dos desenhos brasileiros

Fugindo um pouco da temática do blog, preciso contar que estou me tornando pós-doutora em desenhos animados, já que nos intervalos em que tento esfriar os miolos e me distanciar da tese, assisto junto com a minha filha de três anos e meio todos os desenhos possíveis e imagináveis. Vocês podem até pensar que é tarefa fácil, mas só quem mergulha de cabeça nos roteiros complexos e na diversidade dos traços sabe que é preciso horas de dedicação para compreender e acompanhar os desenhos. Temos dinossauros em cartão (virtuais e reais), padrinhos mágicos de um menino solitário com pais displicentes, culto aos exercícios e boa alimentação em Lazytown, um menino melequento e uma amiga de humor ácido que vivem com a morte sabe-se lá porque, uma esponja alienada e seu amigo estrela que são vizinhos de uma lula militante e engajada, menino cientista que estuda em uma escola bem bacana e, finalmente, um desenho brasileiro lindinho chamado peixonauta que desenvolve o interesse científico nas crianças. O desenho tem uma qualidade incrível e não deixa nada a desejar aos desenhos estrangeiros, que aliás, são em sua maioria financiados pelo governo do Canadá. Sim, parece que o Canadá tem uma grande preocupação com a formação de suas crianças e investe pesado nos desenhos educativos. É um bom exemplo de uma política pública para formação das crianças que não esteja direcionada apenas para a merenda ou para a escola. Aliás, já está na hora de mudar esta percepção de que o único espaço de formação das crianças é na escola. Fora dela, os mais ricos complementam a formação com várias atividades e aos mais pobres resta a rua ou com um pouco mais de sorte, a televisão com a sua programação medíocre. Como já dizia a música dos Titãs, a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!

sábado, 11 de julho de 2009

Divulgação da Produção Científica na Internet

Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno semelhante ao período medieval, foi aprovado na Comissão de Educação e Cultura o projeto de Lei 1120/07 que obriga as instituições públicas de ensino superior e unidades de pesquisa a publicarem sua produção técnica e científica na internet. "As instituições deverão criar repositórios para abrigar trabalhos de conclusão de mestrado, doutorado e pós-doutorado de alunos e professores, e também estudos financiados com recursos públicos. O relator do projeto, deputado Átila Lira (PSB-PI), acredita que a proposta tem o indiscutível mérito de democratizar o conhecimento científico das instituições de ensino. A disponibilização pública de conteúdos digitais, sua proteção legal e a garantia de acesso aos seus produtos derivados são fundamentais para alimentar as cadeias culturais, artísticas, educativas e científicas" A lógica é simples, todo estudo financiado com recursos do poder público pertence à sociedade que mantém as Instituições com o dinheiro dos seus impostos, logo, nada mais justo do que compartilhar com todos o conhecimento produzido. Até hoje, o conhecimento circula em revistas especializadas, fechadas ao público em geral ou em anais de eventos científicos. Mesmo quem está vinculado aos programas de pós-graduação encontra dificuldade em alguns momentos para encontrar artigos e teses. Semana retrasada eu precisei de uma tese de doutorado aprovada em uma universidade pública e não a encontrei na rede. E olha que era uma tese premiada de um professor renomado. Foi preciso me deslocar até a biblioteca da UFPB e acessar o portal da Capes para encontrar a bendita. Perda de tempo, dinheiro meu (pelo deslocamento) e público (ocupei um funcionário, um computador e a rede da universidade) para uma ação que poderia ter sido feita em casa. Por falar nisso, resta saber agora como vai ficar a questão do Portal de Periódicos da Capes que resiste bravamente aos apelos de segmentos da comunidade acadêmica para a democratização do seu acesso. O projeto pode ser lido na íntegra e a sua tramitação acompanhada via web. Simples, não?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Trabalhos da UFAL

A produção sobre Educação a Distância está mesmo crescendo e algumas instituições acabam despontando na área. Fiquei surpresa com a quantidade de trabalhos apresentados pela UFAL (Universidade Federal de Alagoas) no evento. O fato de realizar cursos a distância potencializa a pesquisa, mas a atuação dos professores que orientam os trabalhos também é fundamental. Fiquei muito bem impressionada com o apoio que os professores orientadores tem dado aos seus alunos. A Cynara e o Fernando, mestrandos da UFAL com quem tenho um contato mais direto, estão muito seguros em suas pesquisas e já animados para uma continuidade no doutorado. Estão pesquisando, refletindo, divulgando e se mobilizando para fazer valer as suas idéias. Como diz o Mastercard, isso não tem preço...Inspirada nos exemplos, fui acompanhar a apresentação da minha orientanda Mayam Andrade que se saiu muito bem na defesa de sua pesquisa sobre a tutoria. É muito bom crescer e ter sucesso na nossa caminhada, mas é melhor ainda apoiar e acompanhar o sucesso de outras pessoas. Pessoalmente, não acredito em competência profissional do professor que não seja acompanhada de uma boa dose de generosidade e disponibilidade para o compartilhamento do conhecimento.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O 19° EPENN é um sucesso!

Hoje foi o terceiro dia de atividades do 19° EPENN que está acontecendo na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. A participação nas comunicações orais, mini-cursos e nos outros espaços do evento tem sido intensa. A professora Adelaide Dias, coordenadora do evento, está radiante e não é para menos. Na parte da manhã, durante a sessão das comunicações orais do GT 16 (Educação e Comunicação), a sala estava lotada e tivemos a participação de vários pesquisadores renomados que não arredaram o pé da sala até o final dos trabalhos. Os temas eram bem variados, Orkut, inclusão digital, tecnologias e tribos urbanas, uso do áudio, Foucault, autoria coletiva na EAD e instrumentos de avaliação da tutoria. Eu apresentei o texto "Concepções de Aprendizagem e o Uso da Tecnologia na Educação a Distância: Das Máquinas de Ensinar ao Conceito de Aprendizagem Colaborativa", que foi meu trabalho de conclusão da disciplina Teorias de Aprendizagem e serviu como referência para a minha aula didática no concurso da UFPE. Além dos compromissos acadêmicos, é sempre bom rever os amigos virtuais e reais. Meu amigo Fernando Pimentel da UFAL levantou uma questão importante para todos nós: é urgente que seja criado um GT específico para Educação a Distância na ANPED. Os números revelam que a maior parte dos trabalhos apresentados no GT Educação e Comunicação abordam temas da EAD. Vamos apresentar um documento ao final do evento pleiteando a criação de um novo GT. No momento fofura do evento, encontrei com o pessoal da banca do concurso e já fiquei sabendo que deixei uma ótima impressão.Pena que estou muito gripada a febre sempre aparece no final do dia. Assim, estou pegando leve porque hoje em dia não dá para facilitar...

domingo, 5 de julho de 2009

Luto Virtual e Real por Cássia Baruque

Ano passado, exatamente no mês de junho, troquei uma série de mensagens com a Professora Cássia Baruque. Ela pesquisava sobre doutorado em EAD, encontrou o meu blog e como estava iniciando uma empreitada como coordenadora de EAD da UEZO (Universidade Estadual da Zona Oeste), trocamos informações sobre a legislação e os procedimentos de implementação de cursos a distância. Depois de viver todas as emoções fortes para a implantação dos projetos de EAD na UEPB, nada mais natural do que compartilhar com quem estava entrando em terreno nada amistoso naquele momento. Não a conheci pessoalmente, mas a conexão foi imediata, tínhamos as mesmas impressões e opiniões sobre as dificuldades do sistema. Pensamos, inclusive, em escrever um artigo ou livro sobre a implementação de cursos a distância nas IES públicas. No final do ano, ela me enviou um e-mail fofo que reproduzo no final deste post porque ela menciona o Rio de Janeiro. Hoje ao ler os jornais como todos os dias, comecei com a manchete sobre a morte de uma mulher assassinada por bandidos em Botafogo, no jornal O Globo. Chego ao final da notícia em choque, a mulher é a professora Cássia Baruque, minha colega virtual, amistosa, gentil, competente e cheia de planos. Fiquei tão abalada, pensando na estupidez da violência que muda uma história e todas as possibilidades em poucos segundos. Minha filha de três anos me perguntou porque eu estava chorando na frente do "quadrador". - O que você está lendo mamãe? Não ter resposta para explicar uma violência tão injustificada, seja para alguém com três ou trinta anos, é angustiante. Prefiro ler a mensagem de otimismo, carinho e reconhecimento que ela me enviou no Natal e ter a certeza de que minha saída do Rio de Janeiro, depois de ter a minha casa roubada, foi uma decisão mais do que acertada.
Cássia Baruque para mim - mostrar detalhes 24/12/08
Olá Ana Beatriz, tudo bem?
Chegou o Natal e eu gostaria de lhe desejar um excelente Natal com muitas rabanadas...rs rs e em união e paz com sua família!!!
Um Ano Novo pleno em realizaçoes, sucesso e vitórias!
Náo sei se lembra de mim, você me "Socorreu", esclarecendo várias dúvidas que eu tinha em relação a leis sobre EaD!!!
Gostaria de lhe agradecer todo o seu apoio e lhe dizer que conte comigo também!
Dê notícias!!
abraços,

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Abandonando a Tese

Nas duas últimas semanas fiquei ocupada colocando os trabalhos atrasados em dia, corrigindo trabalhos e provas, revisando o material da disciplina do curso de Letras a distância e finalizando a minha tese. Durante esse processo, descobri que tinha finalmente encerrado a minha pesquisa "doutoral" (por favor, perdoem a arrogância do termo, mas é que eu ouvi essa expressão de uma colega que está começando o trabalho agora, e não pude deixar de rir, é ridículo!). Enquanto eu ajeitava um capítulo aqui, organizava outro ali, me dei conta que não tinha mais o que pesquisar, não tinha mais documentos para ler ou material para buscar. A pesquisa estava acabada e tudo o que me restava era processar o abandono, de forma tranquila e equilibrada. Tem gente que nunca abandona o seu trabalho, na véspera da apresentação ainda encontra alguma coisa para acrescentar, um autor para inserir ou um comentário para fazer. Escrevendo o último capítulo, eu me dei conta de que poderia acrescentar algo sobre redes sociais na tese, mas consegui frear a intenção em tempo. Imagina só, eu iria começar uma nova pesquisa e obviamente um novo trabalho. Quando se fala em disciplina para escrever uma tese, as pessoas pensam em organização e produtividade, mas existe uma outra dimensão igualmente importante: saber quando parar. Não me entendam mal, não estou dizendo com isso que o meu trabalho está pronto e acabado, que dei conta de tudo o que era possível sobre o tema. Muito mais coisa poderia escrita sobre o assunto, mas o importante é que consegui concluir tudo o que eu pretendia. Os objetivos foram alcançados, a hipótese comprovada e todas as coisas novas que surgiram nos últimos meses, servirão como base para o pós-doutorado ou para outros momentos. Quem pesquisa tecnologia, educação e comunicação sabe que a cada semana surgem novos trabalhos e artigos, é impossível dar conta de tudo.Eu não aguento mais o assunto, já estou interessada em outras coisas, quero fazer outras pesquisas. Mesmo assim, vou me dedicar na próxima semana a passar três dias consultando o portal da Capes na Universidade para ter certeza que não escapou nenhum material importante sobre o tema. Fora isso, é preparar a defesa, publicar e...UFPE já estou chegando!


#O post sobre o concurso é o campeão de comentário até a agora no blog. O professor Niraldo colocou até uma mensagem no Twitter sobre ele. Fiquei toda fofa!Depois daquela maratona se eu não comentasse aqui, acho que explodiria ou enfartava...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Três dias que mudam a sua vida...

Semana passada participei do concurso público para professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (área Educação a distância: fundamentos e metodologia da EAD). Sem querer radicalizar, se Socrátes, Homero e todos os autores dos clássicos vivessem nesta época, sem dúvida escreveriam sobre um concurso público para professor. São várias pequenas torturas, que vão se avolumando ao longo do processo e, caso o cidadão sobreviva até o final em pleno uso de suas faculdades mentais, terá uma chance de ser incluído no seleto grupo de professores doutores de uma IFES qualquer. Primeiro é a inscrição, é preciso procurar os documentos, atualizar o maldito currículo lattes (que já não sei bem se é uma homenagem ou uma vingança de algum desafeto acadêmico), pagar a taxa no Banco do Brasil (que dispensa comentários) e enviar por Sedex. Depois disso tudo, começa a tarefa detetivesca para descobrir se sua inscrição foi homologada ou não, a experiência (=UFPB) já me mostrou que se não tiver nenhuma teoria da conspiração em jogo, tudo pode dar certo, caso contrário... Neste caso específico, a ansiedade foi grande porque além de estar escaldada eu estava concorrendo como doutoranda, sem ter certeza absoluta de que os documentos estavam corretos. Depois é fácil, basta escrever um artigo de dez a quinze páginas para cada ponto, elaborar esquemas, desenhos ou qualquer outro artifício que faça o cristão memorizar todos eles, ter um cuidado enorme com as referências, escrever de forma impecável, sem borrões ou riscados e pronto! Está automaticamente habilitado para a prova didática que acontecerá 24 horas Jack Bauer depois de sorteado o ponto. Ah, sim, esqueci do ponto alto, na UFPE é realizada uma leitura pública da prova escrita! Como? Sim, querido leitor, se você não domina o conteúdo, não apareça lá, porque depois de escrever até a munheca cair e os olhos saltarem, temos que ler a nossa produção. Confesso que só continuei no processo porque realmente eu dominava todos os pontos em nível de não dar um vexame completo, mas conheço muita gente que faz concurso (e passa!) porque conta com a possibilidade de sorteio de determinados pontos, enquanto não saca nada dos outros. Bom, parece que 24 horas é mais do que o suficiente para montar uma plano de aula com seus respectivos slides, certo? Errado, o cansaço, o sistema nervoso e as noites mal dormidas começam a cobrar o seu preço exatamente nesta etapa final, e o risco aqui é grande. Eu já sabia que existe alguma coisa mágica com o tempo de aula em concursos, aquela aula maravilhosa que você treina em casa com duração de 60 minutos é misteriosamente encolhida na hora H, e você se vê em desespero completo para esticar os minutos que faltam e não ser reprovado. Sabendo disso, eu preparei um plano B com slides e esquemas que poderiam ser acelerados caso fosse necessário ou apresentados beeeeeemmm devagar no final da nossa Ilíada de Homero. Ao final de tudo, eu que já nem conseguia falar direito, perguntei quando saía o resultado. - Amanhã, às dez horas, respondeu a banca. -Ahhh... Vai estar fixado aqui na sala ou no departamento? perguntei. A banca me olhou como se eu fosse uma alienígena demente (juro que corri um sério risco de ser reprovada nessa hora):- Você não entendeu. O resultado é divulgado a partir das dez horas porque os envelopes são abertos na hora e a contagem dos pontos é pública! Mas que raios, tudo é público neste concurso? Ou seja, se você não deu vexame na leitura da prova, não pagou mico na hora da aula, ainda corre um sério risco de ser exposto ao ridículo na hora do resultado. Como mulher de fibra que sou, fui até lá com a cara e a coragem e, embora eu soubesse que tinha ido bem na prova escrita, sabia que todos poderiam ser reprovados. Entrei na sala, vi os resultados no quadro, mas só compreendi quando o professor Luiz Mercado me deu os parabéns. Saí de lá atônita, com o coração inflado de tantos abraços de boas vindas, e com uma sensação incrível de ter conseguido algo que consumiu meus três últimos anos de trabalho árduo e dedicação total. Toda a minha resignação diante dos contratempos da vida (e a decisão inabalável de não ir para o lado negro da força) teve a sua recompensa materializada naquele momento único. Só pude pensar em uma coisa: os anjos agiram por mim!

sábado, 13 de junho de 2009

Redes Sociais na Internet

Já está na rede para download o novo livro da Raquel Recuero, Redes Sociais na Internet, que aborda a construção e a dinâmica das redes sociais. Em entrevista para o blog Monitorando, a autora afirma que "os espaços sociais que temos na rede auxiliam em um processo de comunicação mais amplo, tanto nos aspectos informativos (acesso à notícias, informações, serviços e etc.) quanto naqueles conversacionais (debates, discussões, etc.). Assim, também são espaço potenciais para a educação e o espírito crítico. Do meu ponto de vista, ainda fazemos um uso muito modesto das tecnologias na educação". Eu não me interesso particularmente em pesquisar as redes sociais, mas a sua fundamentação é essencial para o desenvolvimento de qualquer pesquisa sobre a apropriação e o uso da Internet. Eu fiquei sabendo do lançamento do livro pelo Twitter (esta ferramenta ainda vai servir para alguma coisa...). Não é fantástico quando o conhecimento está compartilhado, ao alcance de um clique?

Astronomia a Distância no Observatório Nacional

Mais uma iniciativa interessante para a oferta de cursos a distância: o Observatório Nacional está com inscrições abertas para o curso Astrofísica do Sistema Solar, estruturado em módulos e totalmente a distância. Segundo as informações do site, "não é necessário qualquer conhecimento prévio de astronomia para acompanhar o nosso curso a distância uma vez que ele está voltado para um público não especializado em ciências exatas. Nosso objetivo é difundir e atualizar o conhecimento científico de todas as pessoas interessadas em astronomia". O curso tem duração de um ano e quem quiser o certificado do curso deverá realizar as avaliações para obtê-lo. Totalmente gratuito e organizado em um formato livre que permite o acesso de qualquer pessoa, inclusive os que não estão inscritos, a proposta é uma iniciativa interessante para a divulgação da ciência no país e um indicativo de que a educação a distância está sendo apropriada até mesmo pelos setores mais resistentes da academia.

sábado, 6 de junho de 2009

Nuvem de Tags


Depois de levar uma surra pesquisando na rede, consegui fazer uma nuvem com as tags do meu blog no Wordle Create. A idéia inicial era apenas visualizar as tags em um formato diferente, mas ao ver o resultado fiquei pensando em utilizar a mesma ferramenta para fazer uma representação com as palavras que mais aparecem nos meus trabalhos. O resultado final ficou bem interessante, poderia ser uma nova forma para substituir os resumos caretas dos trabalhos acadêmicos. Aliás, fico pensando em como o pessoal que determina as normas da ABNT vai se adequar aos novos percursos e possibilidades que a tecnologia oferece. Como diz o slogan de responsabilidade social da Natura, é crer para ver!

Tópicos em Cidadania e Direitos Humanos

Na dureza que é a vida de doutoranda, estou fazendo algumas disciplinas apenas para contabilizar os créditos e alcançar a incrível marca de 37 créditos exigidos. Quando eu fiz o mestrado no IPPUR/UFRJ, todo mundo comentava que era um dos cursos que exigia um número de créditos absurdo (36 no total), enquanto outros mestrados exigiam 12 créditos para o sujeito concluir. Uma das disciplinas que estou cursando para cumprir a exigência de carga horária é Cidadania e proteção internacional dos direitos humanos, com o professor Fredys Sarto. Para o meu trabalho não acrescenta quase nada, mas para a vida é imprescindível. Começamos com Kant, passamos por Arendt, lemos Marshall e chegaremos em José Murilo de Carvalho e Alaez Corral nas próximas semanas. A turma é bem pequena (exigência do professor), mas o tema é um verdadeiro desafio. Pensar em questões como a origem da nossa cidadania no modelo romano, o direito natural, a inexistência de fronteiras na cidadania e o papel essencial da educação neste processo, tem sido muito enriquecedor. Vou desenvolver meu artigo relacionando a questão do acesso tecnológico na sociedade de informação e a formação da identidade e cidadania. Neste momento, corro um sério risco de acreditar que esta foi a melhor disciplina do curso e a única que não contribuirá em nem uma linha sequer com a minha tese. Vai entender...

domingo, 31 de maio de 2009

Entre Moleskines e Corrupios

Eu sempre quis ter um moleskine, e para quem não liga o nome à pessoa, são aqueles livrinhos de anotações que cabem no bolso do paletó, do tipo usado por Indiana Jones. O problema na aquisição do meu objeto de desejo, é que eles são muito caros porque são importados. Através do Twitter (quem diria, hein?) descobri um blog lindo de morrer, chamado Corrupiola - experiências manuais, com uma produção de moleskines artesanais lindinhos. Até aqui tudo normal em nossa sociedade de informação e conhecimento,blá, blá, (CASTELLS, 2002), mas depois de escolher e comprar os meus moleskines, chamados pela artesã de corrupios, recebi o pacote pelo correio com os moleskines embalados com capricho e um cartão que agradecia o apoio ao artesanato e que esperava que eu gostasse do produto. Não era um cartão padrão, era uma mensagem escrita pela pessoa que me vendeu o produto, uma forma carinhosa e simpática de concluir a venda e conquistar o cliente. Recapitulando: twitter, blog, produtos artesanais, venda pela Internet, envio pelos correios, cartão com mensagem pessoal, capricho na confecção e envio dos produtos. Resultado: inovação, divulgação e, é claro, muito sucesso!

Fim do Senaed

Ontem chegou ao fim a maratona de palestras e atividades do 7 Senaed. O balanço geral é positivo, principalmente pela iniciativa em inovar na construção de eventos dessa natureza. A tecnologia está aí para ser utilizada em favor do compartilhamento e colaboração, e um evento que se propõe a realizar uma série de atividades incorporando uma diversidade de ferramentas tão grande, aponta para um caminho possível no (bom) uso da rede. Algumas coisas não deram certo, o próprio AVA deu pau em alguns momentos com as irritantes mensagens de erro e considerando a relativa estabilidade do Moodle, foi uma surpresa. Como experiência positiva, posso citar a palestra da Patrícia Behar no Aulavox, e o grupo de discussão no Yahoo sobre estilos de aprendizagem organizada pela Daniela Barros. Não participei de todas as atividades para fazer uma avaliação completa, mas de todas que eu vi, essas foram as que mais bombaram. Infelizmente, também vi alguns equívocos, como um vídeo onde a palestrante afirmava coisas como "o aluno da EAD sempre foi um aluno excluído, mas o perfil está mudando e hoje já temos alunos normais". Normais para quem, cara pálida? É um lapso, é claro, obviamente a pessoa é muito mais consistente, mas uma vez gravado e no YouTube, a besteira fica para sempre... As atividades no Moodle foram mornas, mas talvez tenha sido em função da participação de muitos neófitos querendo informações sobre coisas básicas da EAD. Todos esses encantos e desencantos apontam para uma conclusão: a ferramenta utilizada não interfere grande coisa no sucesso de uma atividade, o que vai definir mesmo é o poder de fogo do mediador e a qualidade dos participantes. Mas isso todo mundo já sabe... Ou não?

domingo, 24 de maio de 2009

Na Rede do Senaed

Arf,arf,arf... A onomatopéia serve para ilustrar como estou me saindo na tentativa de acompanhar os cinco cursos disponíveis no AVA da ABED, ouvir as palestras em MP3 e assistir as palestras em webcast. Isso sem falar no twitter... Contabilizando de forma bem superficial, são dezesseis fóruns para opinar, debater, apresentar, discutir, sei lá mais o que. Para completar, um dos professores resolveu colocar tarefas para os participantes! Será que existe dispensa do trabalho para acompanhar eventos virtuais? Não pude deixar de rir sozinha ao perceber que precisaria de muito mais tempo (nem parece que trabalho com EAD) para ler os textos, participar das discussões e fazer os downloads dos vídeos (ah, sim, falha número um, os vídeos são imensos, sem banda larga de um mega não dá para ser feliz!). Minha avaliação até o momento é que tudo está muito confuso, mas como experiência já vale a pena. Não consegui participar das atividades no Second Life e nas outras propostas, não existe um eixo centralizador das atividades além da programação.Só hoje descobri que tinha um espaço de debate do Orkut. Achei estranho não receber nenhuma mensagem, seja por e-mail ou no próprio ambiente. Enfim, para um evento que privilegia a comunicação e interação, as ferramentas estão deixando a desejar. Para quem não viu o avatar esquisitão do ambiente do evento, a imagem dele está ilustrando o post. Os olhos dele acompanham o mouse, mas ao invés de um efeito especial legal (cool), o resultado fica mesmo é assustador (freak). O usuário diante da figura com cara de apresentador de jornal das oito da noite, tem duas alternativas: pode morrer de rir ou sair correndo. Difícil mesmo é ficar indiferente ao avatar...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tocando Violino no Convés do Titanic...

A analogia do título do post com o comportamento apático dos professores foi feita em uma reportagem sobre "nativos digitais" do Jornal O Globo. Segundo o especialista consultado na reportagem, os pais e os alunos estão sentindo falta de uma resposta mais incisiva da escola sobre o uso das tecnologias na educação. É bem interessante caracterizar como apatia o comportamento dos professores frente às inovações tecnológicas.


- Coordenadores de escola, educadores e diretores estão apáticos. A escola é teórica, mas o vetor digital, que não está sendo levado em consideração, transformou a sociedade de forma radical. É como afinar o violino no convés do Titanic - diz Faustini.


No outro lado da moeda, ou melhor, da rede, o presidente e CEO do Google, Eric Schmidt, disse para mais de seis mil graduandos da Universidade da Pennsylvania que eles precisam encontrar as respostas que realmente importam, vivendo uma vida analógica por um tempo.

- Desliguem os seus computadores. Vocês precisam mesmo desligar seus telefones e descobrir tudo que há de humano a sua volta - disse Schmidt - Nada é melhor do que segurar a mão de um neto que dá os primeiros passos.


Bom, para alguns falta a inserção no mundo digital, para outros a recomendação é justamente inversa, voltem para o mundo analógico... Se estamos vivendo como migrantes pendulares, indo e vindo de uma realidade para outra, a recomendação da vovó é ainda mais pertinente: o melhor caminho é o do meio, no qual prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém!

domingo, 17 de maio de 2009

Seminário Nacional da ABED Online

Será realizado, entre 23 e 31 de maio, o 7º Seminário Nacional ABED de Educação a Distância - SENAED. O foco do evento é a diversidade de meios para a realização da mediação pedagógica a distância, que resultou na escolha do tema “Polifonia na Docência e Aprendizagem Online”, envolvendo os diversos canais e as diversas vozes que participam da educação online. Para revelar na prática como as múltiplas ferramentas podem ser utilizadas, o evento envolverá inúmeras atividades síncronas e assíncronas em diversas plataformas, como: listas de discussão por email, ambientes virtuais de aprendizagem, redes sociais, blogs, wikis, podcasts, vídeos, videoconferências, rádio, televisão, games e mundos virtuais. Será uma experiência interessante, e acredito que algumas ferramentas vão funcionar muito bem e outras, nem tanto. Avaliar as razões para o sucesso e o fracasso de cada uma delas será um exercício interessante para se (re)pensar o seu uso.Uma outra questão que promete incendiar os debates é o interesse especial que será dedicado à formação para a docência online e ao personagem “tutor”, incluindo sua contratação, remuneração, formação e qualificação. Mas o que me interessa mesmo, além das aitividades disponíveis no ambiente virtual, é a discussão do papel do MEC na regulação da EaD e a situação da UAB - Universidade Aberta do Brasil, já que as últimas declarações do Professor Litto sobre o assunto foram bem ácidas.Além disso tudo, as atividades envolverão palestrantes e moderadores que se destacam na prática e reflexão sobre EaD, contando com o apoio de diversos polos distribuídos pelo país. Os trabalhos e palestras apresentados durante o evento, assim como o resultado das discussões e construções coletivas, serão publicados no primeiro número da Revista da ABED, a ser lançada durante o 15° CIAED. Para finalizar, o evento será gratuito e já estão disponíveis várias atividades interessantes no ambiente virtual do evento. Só não reparem no cara esquisito que eles colocaram como avatar do "assistente online", são os excessos da tecnologia...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mesa Redonda em Patos

Eu fui convidada para participar de uma mesa redonda na I Mostra de Iniciação Científica e Extensão da UEPB/Patos. O tema da mesa redonda era Educação e Tecnologia e o objetivo do evento era despertar os alunos para o desenvolvimento da pesquisa e extensão. Isso tudo seria óbvio se não fosse um Campus novo, com apenas três cursos, no interior da Paraíba e longe para chuchu (são 350 km do litoral). Eu aceitei o convite da Professora Lívia Campos(que sempre foi muito atenciosa e gentil) porque sei o quanto é difícil começar um trabalho do zero em condições pouco favoráveis. Fiquei surpresa com o que encontrei lá, e foi isso que motivou esta postagem. Para começar a palestra era à noite, eu trabalhei o dia inteiro e fui encontrar a minha companheira de viagem, a Professora do CEFET/AM, Andrea Mendonça. Fomos nos conhecendo no carro, ela é muito jovem, cheia de energia e super inteligente, doutoranda em computação na UFCG. A estrada estava o ó, maltratada por causa das chuvas, o que fez a viagem parecer ainda mais interminável. Comentei com a minha companheira de viagem que esperava pelo menos ter uma platéia de trinta alunos para valer a pena. Quando chegamos lá, encontramos uma recepção calorosa e uma mesa cheia de comidinhas gostosas do nordeste (sim, aqui o pessoal come muito, a mesa é sempre farta, ao contrário do que pensamos aí no sul...). Antes da palestra estava acontecendo uma mostra com os trabalhos dos alunos, coordenados pelo professor Dante Passos. A movimentação era intensa e a participação dos alunos era significativa, mas como eles estavam espalhados em vários espaços, não pude dimensionar a quantidade real de participantes. Na hora da palestra, todas as cadeiras estavam ocupadas, quase duzentas pessoas lotaram o auditório improvisado para ouvir o nosso blá, blá, blá. Para vocês terem uma idéia do meu referencial, quando a UFPB traz um convidado internacional, cheio de firulas, não se consegue ter uma platéia maior do que quarenta pessoas! Pois o povo todo ficou até o final, fizeram perguntas (inclusive os professores da Universidade), aplaudiram, discordaram e participaram como há muito tempo eu não via. São os futuros professores das pequenas cidades ao redor da Universidade querendo aprender. E muito! Voltamos no mesmo dia, cheguei em casa de madrugada, morta de cansaço, mas com a alma lavada e o coração leve, na certeza de que esse mundo ainda tem jeito. Basta ir aonde o futuro professor está...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Movimento Digital: É Hoje!

O Senador Azeredo Mala sem Alça continua querendo empurrar goela abaixo dos cidadãos um projeto substitutivo sobre crimes na Internet. O projeto está para ser votado na Câmara de Deputados e seu objetivo é criminalizar práticas cotidianas na Internet, tornar suspeitas as redes P2P, impedir a existência de redes abertas, reforçar o DRM que impedirá o livre uso de aparelhos digitais. Resumindo: tornar a internet um panóptico idealizado por Foucault, em Vigiar e Punir. Entre outros absurdos, o projeto quer transformar os provedores de acesso em uma espécie de polícia privada, que vigiará a conduta criminosa, subversiva e moral dos internautas, e nós sabemos que estes conceitos podem variar bastante de acordo com a conjuntura. Não faz muito tempo na história do nosso país que andar com um livro de Marx embaixo do braço era motivo de prisão e tortura. Portanto,compañeros, vamos apoiar a mobilização contra o projeto que será realizada hoje na Assembléia Legislativa de São Paulo, a partir das 19h, e será transmitido em streaming para todo o país pela web. E como não podia deixar de ser, O Ato também terá cobertura em tempo real pelo Twitter e pelo Facebook.Como dizem por estas bandas, muito massa!


# Alguém aí pode vasculhar a vida do saltitante Senador Azeredo, principalmente nos fatos relacionados com caixa dois de campanha e financiamento de Marcos Valério, para ocupar esse homem e ele deixar a Internet em paz?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Tudo o que você queria saber sobre o Twitter...

Tenho acompanhado de perto as publicações sobre as tendências da educação a distância, principalmente entre os autores europeus. Existe um movimento interessante que aproxima cada vez mais o ensino presencial e a modalidade a distância no uso de estratégias para reinventar a escola. A mobilidade é a palavra de ordem, associada com a portabilidade e mix de ferramentas para turbinar a aprendizagem. Eu não costumo ficar impressionada com modismos ou com ferramentas que não tem uma utilidade clara e definida para a educação. O Twitter é uma dessas ferramentas sobre a qual todo mundo está curioso em usar, mas pouca gente sabe realmente para o que serve. Duas abordagens bastante esclarecedoras sobre o Twitter caíram na rede esta semana, alimentando ainda mais a minha certeza de que o uso do Twitter pode ser um caminho possível na EAD. Uma delas foi na seção de tecnologia do jornal O Globo, com o sugestivo título A Real Utilidade do Twitter, onde os números impressionam e a sua contextualização é bem interessante, além de apresentar várias ferramentas para incrementar o seu Twitter. Outra abordagem é o post arrasa quarteirão do Alex Primo intitulado Ferramentas para tirar o máximo do Twitter, onde ele detalha e experimenta as ferramentas que foram construídas a partir do Twitter. A postagem esclarece pontos importantes, a página inicial e as ferramentas básicas do Twitter são uma porcaria e não servem para quase nada, mas as ferramentas criadas para potencializar o uso do Twitter dão outra dimensão ao seu uso. São vários exemplos, TweetDeck, Tweepular,Twitnest, todos com recursos bem interessantes que apontam para um uso bem mais complexo do que ele aparenta ter. O Twitter é definitivo e importante porque mostra o poder da arquitetura de participação e inteligência coletiva, e é exatamente por isso que estou tão interessada em pesquisar mais sobre ele, me parece um excelente exemplo do poder da aprendizagem colaborativa na rede. Pegando a deixa do "what are you doing", estou acompanhando os flashes do curso Mídias Locativas do André Lemos, na UFBA.

sábado, 2 de maio de 2009

Os Muppets e a Cibercultura

Em tempos de análise das mudanças promovidas pelo virtual em nossas vidas, vemos de tudo um pouco, dispositivos móveis, hipermídias, mídias locativas, autoria, entre outros temas. A questão das ferramentas que permitem a autoria, especificamente os blogs, é muito interessante porque ao mesmo tempo em que viabiliza a participação e exposição de qualquer sujeito através do texto (ou imagens), também expõe os conflitos desta visibilidade, notadamente nas questões de cópia de outros textos e a aceitação de comentários. Muitos blogueiros usam o dispositivo da moderação de comentários como um sistema de controle para decidir o que pode ou não ser publicado em seu blog. Mais do que uma simples ferramenta para evitar visitantes indesejados, vejo a moderação como uma forma autoritária de dizer ao outro "eu escrevo o que penso neste espaço, mas a sua participação só será permitida se eu desejar". É um pouco do modelo que usamos em sala de aula, quando damos voz aos nossos alunos apenas no momento de nossa conveniência, embora estejamos sempre reclamando da falta de participação. Pensando nisso, encontrei esse vídeo com a opinião dos dois ricaços dos Muppets sobre o mundo virtual e o nosso lugar nele (a tradução está logo abaixo do vídeo e para interromper o som dos slides é só clicar no ícone do som no canto superior esquerdo do slide).



- A Internet é uma cultura completamente diferente, não é?
- Você disse tudo, todas as coisas aqui são seguidas imediatamente por comentários sarcásticos e respostas safadas.
- Sim. Finalmente estamos no lugar ao qual pertencemos!

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