domingo, 14 de março de 2010

P2PU

Estou fazendo o curso Cidadania e Redes Sociais, com o Sergio Amadeu na comunidade P2PU. Para quem ainda não ouviu falar, a P2PU (Peer 2 Peer University) é uma comunidade online para grupos de estudos abertos, com cursos de curta duração em nível universitário. Segundo o site, a missão da P2PU é alavancar o poder da Internet e software social para capacitar as comunidades de pessoas para apoiar a aprendizagem para o outro. P2PU combina recursos educativos abertos, cursos estruturados e no reconhecimento do conhecimento / aprendizagem a fim de oferecer alta qualidade, baixo custo de oportunidades de educação. Ela é dirigida e regida por voluntários. Os primeiros cursos em português ofertados iniciaram as atividades no dia 12 de março, e um deles é o curso do Sergio Amadeu (que dispensa apresentações e agora é professor da Universidade Federal do ABC). Na última sexta-feira, tivemos uma aula síncrona utilizando a platadorma Dindim reconfigurada pela 4Linux, e o que me impressionou até agora é a similaridade com o presencial, ao mesmo tempo em que é totalmente diferente. Explicando melhor: a estrutura do curso permite que as coisas boas do ensino presencial (lista de textos para leitura prévia, interação dos alunos, exposição do professor) estejam presentes ao mesmo tempo em que novos elementos são acrescentados (lista de discussão, plataforma virtual, chats etc). Como aluna, me senti confortável porque identifico as situações familiares do cotidiano presencial agregando as tecnologias digitais como ferramentas, e não como objeto principal. Neste sentido, começar o curso com uma aula expositiva na qual era possível ver e ouvir o professor foi muito mais interessante e confortável do que abrir um Moodle e desvendar a estrutura do curso apresentado. Mais do que o curso em si, a comunidade P2PU propõe uma nova forma de acesso ao ensino superior, mesmo que não seja formal no sentido do currículo. O curso de 40 horas tem uma estrutura bem puxada: além dos encontros síncronos e a carga de leitura proposta, teremos trabalhos em grupo e avaliação ao final, para fazer jus ao certificado. O fato é que enquanto na batcaverna da minha Universidade ainda se discute se a Educação a Distância é válida ou não, a proposta de P2PU já transcende essa questão e coloca em pauta possibilidades infinitas para flexibilizar o acesso ao ensino superior. Voilá!


# Mal posso esperar para apresentar (no primeiro encontro que tiver na UFPE) o conceito da P2PU com o respectivo Learning for everyone, by everyone, about almost anything. É melhor chamar a SAMU, porque metade dos professores vai enfartar...Muahahahaha!

sábado, 13 de março de 2010

COBESC 2010

Estão abertas as inscrições para o II Colóquio Brasileiro Educação na Sociedade Contemporânea, com o tema Processos Pedagógicos e Produção do Conhecimento. O evento acontecerá no período de 14 a 17 de junho, na Universidade Federal de Campina Grande, com dez grupos de trabalho (GT's) para a apresentação de artigos. O GT9, Novas tecnologias na prática pedagógica, é uma boa opção para a apresentação de trabalhos relacionados como o uso das tecnologias digitais na educação. A submissão de proposta de mini-curso deve ser feita até o dia 16 de março, e o envio do resumo até o dia 31 de março.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Crianças não gostam da escola

Desde o vídeo clip do Pink Floyd, The Wall, eu não via uma crítica tão contundente ao ambiente escolar. Pode ser que seja tudo uma armação, mas na dúvida, eu repensaria o que estamos fazendo nas escolas. No nosso caso, basta pesquisar a quantidade de escolas depredadas e pichadas todos os anos. Me parece um bom indicativo do sentimento de opressão dos alunos no ambiente escolar.


terça-feira, 9 de março de 2010

Aulas no Mestrado

A correria está grande, mas não podia deixar de passar por aqui para comentar sobre o início das aulas. As pessoas costumam achar que o meu entusiasmo é devido ao fato de ser novata na Universidade. Ouço a expressão "é porque você é nova aqui" o tempo todo, para as coisas boas e também para as ruins (é isso mesmo, vai entender..). De fato, já estou há quatro anos trabalhando no ensino superior e continuo com a mesma sensação: quando entro em sala de aula tenho a certeza de que ali é o meu lugar. Ontem eu estava tão feliz em sala de aula que tive a certeza (eu diria quase uma epifania) de que encontrei o meu lugar e o que quero fazer pelo resto da vida. Ainda bem, dirão os meus leitores, afinal fiz o concurso e estudei para isso não é mesmo? Mas mesmo assim, com tanta previsibilidade na vida, eu fiquei super feliz porque conheci os meus orientandos do mestrado (fofos demais, todos os dois), porque adorei a turma, porque trabalhar com Patrícia Smith tem sido um prazer, porque posso fazer tantas coisas... Eu estava transbordando e só não dei pulinhos porque tenho senso de ridículo! Se eu tivesse que escolher uma música para ilustrar a minha vida hoje, seria a preferida da minha filha de 4 anos, The Traveling Song, do Will.I.am. Lendo a letra abaixo, já dá para concluir que encontrei a minha casa!



I've been around the world in the pouring rain,
Feeling out of place, really felling strange,
Take me to a place, where they know my name
Cause I ain´t met nobody that looks the same.

See I´ve been traveling, been traveling forever
But now that I´ve found a home,
Feels like I´m in heaven

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Passando dos 40

Isso mesmo, hoje é meu aniversário e estou passando dos 40 anos. Já dobrei o cabo da Boa Esperança faz tempo, seja lá o que isso for, mas não posso me queixar. O fato mais significativo que aconteceu comigo ao fazer 40 anos, foi não conseguir ler nada sem óculos. É fato, há dois anos atrás eu conseguia ler um texto e assinar meu nome sem precisar de óculos. Hoje, não consigo ler nada sem eles, e acreditem, é uma limitação bem irritante. Não engordei barbaramente (peso apenas 4 kg a mais de quando eu tinha 30 anos), tenho asma com muito menos crises do que tinha aos 20 anos, ainda não tenho lapsos de memória graves e alcancei uma estabilidade profissional há muito desejada. Pode ser que o fato de ter uma filha de 4 anos não me deixe tempo para me sentir velha e acabada. Eu preciso assistir todos os filmes da Disney (de novo!), conhecer todos os desenhos do Fox Kids, Cartoon, Discovery Kids e Nicklodeon. Juntos! O mais difícil é sentar horas a fio para brincar de Lego, que são desmontados o tempo todo e juntar brinquedos todos os dias. Todos! Afinal, a coluna e as articulações não são mais as mesmas. Envelhecer é muito mais como nos sentimos do que como parecemos. O que realmente me anima é ver as atrizes que estão chegando aos 60 com tanto vigor e animação que posso afirmar que os 60 hoje, são os antigos 40! Não pretendo fazer dezenas de plásticas nem sair por aí com roupas sumárias, mas é um alento perceber que a idade pode ser relativizada em diferentes momentos da sociedade. Só espero manter a lucidez por bastante tempo, se eu começar a falar besteiras e dizer "esqueçam o que eu escrevi", me internem!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Google, eu me rendo...


Eu sempre torci o nariz para os serviços da Google, sem mesmo saber a razão. Sempre achei tudo muito bonitinho e interessante, uso o Gmail, o Blog e o Google como ferramenta de busca, mas nunca encontrava tempo e disposição para explorar os outros serviços. Pois neste verão a minha vida mudou, senhoras e senhores. O uso controlado e cuidadoso que eu fazia das ferramentas Google se tornou uma compulsão. Finalmente, descobri as funcionalidades do Feedburner, E-Reader, Docs, Chrome e Talk (só não uso mais o Orkut porque cansei dele mesmo!). Consegui organizar a minha leitura de blogs, fiz pelo menos dois formulários de pesquisa no Docs, escrevi um texto de forma colaborativa e uso o Talk para trabalhar a distância, sem problemas. O Docs merece registro, eu já tinha visto os formulários que ele apresenta e lido alguns artigos que exploravam o seu uso educacional, mas fiquei surpresa com a facilidade para criar e compartilhar as informações. Talvez seja esse o diferencial das ferramentas, elas não tem como objetivo apenas a criação e o gerenciamento, mas focam o compartilhamento como ponto de partida. Não sei se o Google vai dominar o mundo, o processo que surgiu na Europa e os problemas na China indicam que não. Mas...o que posso dizer? Ok, Google, você venceu! Fui obrigada a me render, mas continuo resistindo ao Buzz. Só para não perder o hábito.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tecnologia e Arte

Quando eu vejo imagens como a Kinetic Sculpture, disponível no museu da BMW em Munique (2008), consigo pensar no futuro como algo muito além de uma simples abstração. A combinação de arte, tecnologia e design, alcança um resultado de deixar qualquer um de boca aberta. Vejam as palavras no fundo do movimento da escultura e aproveitem este incrível espetáculo visual.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Justiça rejeita a discriminação da EAD

As pessoas sempre falam do preconceito que envolve a EAD, mas sabemos que o foco é no público alvo da modalidade e não as questões relacionadas com a qualidade. Sempre acreditei que a não especificação da modalidade no diploma seria um passo importante para acabar com a diferenciação entre os cursos presenciais e a distância. A única razão para especificar no diploma que o curso foi realizado a distância, é a reprodução de uma hierarquia de qualidade entre os cursos, já que as maiorias das instituições públicas de excelência estão oferecendo cursos a distância atualmente. Ano passado, o Conselho Federal de Biologia aprovou uma resolução absurda: não aceitaria mais os registros dos formados em cursos a distância. O CFB alegou a falta de qualidade dos cursos, mas não me lembro de ter restringido outros péssimos cursos presenciais que existem por aí. Foi uma decisão repleta de preconceito, falta de visão e arrogância para desafiar o próprio MEC. O governo não deixou barato e entrou na justiça alegando a inconstitucionalidade da resolução do CFB. Afinal, se todos os outros conselhos resolvessem ir pelo mesmo caminho, a modalidade estaria desmoralizada e uma política pública importante seria esvaziada. A decisão da justiça foi firme e certeira, vejam só:


A 6ª Vara de Justiça Federal do Distrito Federal deferiu na quinta-feira, 4, liminar para suspender efeitos de resolução do Conselho Federal de Biologia. O conselho proibia o registro de diplomas de ciências biológicas, de biologia e do Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes a que tinham direito estudantes formados em cursos a distância. A juíza federal Maria Cecília de Marco Rocha, em sua decisão, lembrou que a competência para autorizar e reconhecer cursos superiores é da União. Segundo ela, os diplomas de cursos superiores reconhecidos e registrados são válidos — e não apenas os de cursos na modalidade presencial. “A educação à distância tem lastro em lei e não se restringe ao propósito de formar professores para o ensino fundamental e médio”, diz o parecer.A juíza enfatiza também que a proibição do registro é inconstitucional. “É certo que cabe aos conselhos de profissão fiscalizar seu exercício. Contudo, não menos certo é que sua atribuição há de se ater aos limites da Constituição e das leis em sentido formal”, afirma. A decisão judicial defende ainda que, ao constatar deficiências nos cursos, o conselho deveria informar ao Ministério, para que fosse realizada a devida supervisão e, se necessário, o descredenciamento da instituição com oferta inadequada.


É uma decisão histórica e fundamental para garantir que os alunos de EAD não sejam mais vítimas de discriminação em concursos, estágios e ofertas de emprego, já que o precedente de uma decisão judicial foi estabelecido.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Evento Educação em Rede


Nas duas últimas semanas estive envolvida com a organização do evento Educação em Rede: Educomunicação, Educação a Distância e Inclusão Digital, que acontecerá nos dias 24, 25 e 26 de março, na UFPE. O evento é promovido pelo Grupo de Pesquisa em Novas Tecnologias e Educação - GENTE, vinculado ao Centro de Educação da UFPE e ao mestrado em Educação Matemática e Tecnológica (EDUMATEC). Os nossos convidados já confirmados são: Ismar Soares (Educomunicação), Elizabeth Almeida (EAD) e Marco Silva (EAD). Além das mesas redondas, teremos também a defesa de várias dissertações do EDUMATEC sobre os temas tratados no evento. Uma das minhas atribuições foi elaborar o blog para a divulgação do evento, tentando aliar fofice, praticidade e o uso das ferramentas gratuitas disponíveis na web. Gostei do resultado, simplicidade é tudo! A ideia central do evento é fazer uma preparação para um evento maior que será realizado no próximo ano e construir uma rede para discutir o papel dos tutores no nordeste. Para quem está por perto, vale muito a pena participar!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Linguagem, Educação e Tecnologia - LingNet

O III Seminário de Estudos em Linguagem, Educação e Tecnologia (III Seminário LingNet) acontecerá nos dias 27 e 28 de maio, na Faculdade de Letras da UFRJ. O evento é ogranizado pelo núcleo de pesquisas em Linguagem, Educação e Tecnologia do Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O título do evento é 2010: o ano em que faremos contatos - emprestado do título do filme baseado em 2010: Odissey Two, de Arthur C. Clarke, e, por coincidência, eu escrevi um post com o mesmo título em outro blog comentando a chegada do ano novo e a necessidade de realizarmos mais contatos reais e virtuais. Faz um bom tempo que eu admiro o curso de Letras da UFRJ, enquanto eu fazia Geografia na UFF, minha melhor amiga estudava na UFRJ, e sempre me surpreendia com a capacidade de inovação do pessoal de Letras. Claro que tudo isso é apenas coincidência, segundo a minha racionalidade científica, mas vou aproveitar o alinhamento cósmico da Lua Europa de Jupíter para participar. O evento terá uma parte presencial e outra a distância, recebendo até 22/03 propostas para comunicações presenciais e pôsteres eletrônicos que tenham como foco temas alinhados com o campo de Linguagem-Educação-Tecnologia. Na parte presencial, haverá palestras, mesas-redondas, comunicações, sessão de vídeos e cursos. Na parte on-line, haverá pôsteres eletrônicos (com fóruns de discussão), sessão de vídeos, acompanhamento de atividades do evento via perfil no Twitter e cursos (com uso da plataforma Moodle). Estamos definitivamente estreitando as distâncias entre o virtual e o presencial.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Curso de Especialização em Game Design

Os professores e pesquisadores que trabalham com o uso da tecnologia na educação estão sempre apresentando novas propostas de cursos, projetos, linhas de pesquisa etc., mas apenas uma pequena parte do que é proposto consegue ser aprovado. Ainda existe muito preconceito sobre as TIC's em praticamente todas as áreas (Pedagogia, Geografia, Letras etc.) embora nenhum professor-pesquisador sério queira ficar sem o seu notebook ou os programas que facilitam a sua vida. Quando eu li a notícia de que a UNEB está oferecendo o Curso de Especialização em Game Design, tive a certeza que estamos começando a avançar. Em passos de formiga e sem vontade, como a letra da música, mas já é um grande começo. As disciplinas do curso são: Gestão de processos de inovação, Game Design e Game Cultura, Metodologia para Game Design, Game producer, Criação de roteiro para jogo digitais, Metodologia da pesquisa, Engine para Games, Games e Educação, Seminários temáticos, Inteligência artificial para games e Trabalho e conclusão de curso. O curso é oferecido pelos departamentos de Ciências Exatas e da Terra - DCET e o Departamento de Educação do Campus I da UNEB, e financiado através da FAPESB e UNEB.O curso tem o objetivo de qualificar os profissionais que atuam ou tem interesse em atuar na indústria de Games, a indústria de entretenimento que mais cresce no mundo. Serão 25 vagas ofertadas e mais informações sobre o edital e os prazos de inscrição podem ser encontradas no link do Grupo Comunidades Virtuais.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Campus Party Ao Vivo

Liberdade de Informação

Está disponível, na versão em Português, o livro Liberdade de Informação: um Estudo de Direito Comparado de Toby Mendel, publicado pela UNESCO. Segundo a UNESCO, o livro tem tido papel importante ao auxiliar instituições públicas e privadas e os Estados-membros da UNESCO a lidar com a legislação sobre liberdade de informação. A obra apresenta uma visão geral de exemplos concretos de boas práticas nessa área e analisa a legislação sobre a liberdade de informação e o direito a informação de 14 países (quatro a mais em relação à primeira edição), entre Suécia, Uganda, Estados Unidos, México e Reino Unido, destacando aspectos positivos e problemas das leis em vigor ao redor do mundo.O estudo tenta ainda responder a algumas perguntas-chave, como qual seria o teor do direito a informação, se ele pode realmente ser classificado como um direito e como os governos podem aplicá-lo. Por fim, o autor faz uma análise comparativa das várias leis e políticas que dizem respeito ao direito fundamental a informação.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Nova Versão do Amadeus

Eu já comentei aqui no blog sobre o ambiente virtual colaborativo Amadeus, e olha que eu nem era da UFPE naquela época. Agora que eu sou, vou fazer uma propaganda ainda mais enfática. Não tenho nada contra o Moodle, meus experimentos com o Amadeus não foram grande coisa, mas penso que é muito importante ter uma alternativa e outras soluções para os ambientes virtuais. Como acabei de receber um comunicado sobre a nova versão, compartilho a notícia aqui com vocês: Agora está muito mais fácil e simples instalar o Amadeus. Essa versão está empacotada com tudo que é necessário para a instalação, basta apenas ter instalado em sua máquina os softwares periféricos que o AmadeusLMS utiliza, que são, PostgreSQL8.3, Apache Tomcat6.0.20, e JVM(Java Virtual Machine). A nova versão pode ser baixada e nela você vai encontrar um pack zip(AmadeusLMS-v00.93.30.zip) com todos os arquivos publicados na versão como changeLog, manual de instalação, instruções para obtenção do código fonte, quick installation guide e etc. Recado dado, se virem para testar e me mantenham informada das novidades!


# Atenção: Para conseguir acessar os arquivos é necessário se inscrever na comunidade Amadeus, no site do software público.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Pós-Mídia de Ivana Bentes

Eu gosto muito do conceito da pós-modernidade, usei o Harvey na minha dissertação de mestrado e continuei na mesma linha no doutorado, embora não houvesse espaço para aprofundar a questão. Sim, eu sei o que os críticos dizem a respeito do pós-moderno, conheço as limitações e argumentações, mas a ideia da pós-modernidade me agrada (os percursos acadêmicos também deveriam deixar espaço para as necessidades pessoais). Por esta razão, me identifiquei muito com o discurso na entrevista da Ivana Bentes (UFRJ), sobre a pós-mídia. Ela diz que o que caracteriza a era pós-mídia de massa são justamente as práticas descentralizadas de comunicação. A Internet é esse lugar de desconfiguração. No meu mestrado (1997), trabalhei as questões relacionadas com a fragmentação e reestruturação no trabalho e no território, com foco no surgimento da acumulação flexível. Assim, eu me sinto muito à vontade com a ideia de descentralização e fragmentação nas relações de poder que dominam (e produzem) a informação, e acho particularmente interessante o conceito de capitalismo cognitivo. Na entrevista ela estabelece uma relação, embora não linear, entre as novas configurações territoriais e o próprio território livre da Internet. Fiquei pensando nas possibilidades de agregar o conceito de redes sociais com as questões da construção de identidades e a cidadania no mundo globalizado. Estou finalizando um artigo para o livro do Professor Fredys Sorto, intitulado "Cidadania, proteção e afirmação dos direitos humanos", tentando relacionar alguns pressupostos dos Estudos Culturais com a questão da cidadania no contexto de uma sociedade globalizada e informacional.O problema é que quanto mais eu leio e escrevo, mais perguntas e caraminholas surgem na minha cabeça. Leia a entrevista e fique cheio de caraminholas você também...

Novas Ideias, Antigos Ideais?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E-Learning e Horizon Report 2010

Esta semana duas publicações importantes sacudiram as redes que compartilham as discussões sobre educação e tecnologia. O livro STRIDE Handbook 8:E-Learning, da Indira Gandhi National Open University (IGNOU), traz uma reflexão interessante sobre várias ferramentas inovadoras e seu uso educacional. Segundo o texto de apresentação do e-book, o livro é um humilde esforço para colocar "aprendizagem" antes de "tecnologia". Nós acreditamos e entendemos que a infra-estrutura tecnológica por si só não é suficiente para o sucesso do e-learning. Portanto, temos estado envolvidos no diálogo, discussão e debate sobre as capacidades potenciais, pontos fortes e limitações das tecnologias em linha em programas educacionais. Outra publicação importante é o relatório Horizon Report 2010 que apresenta as principais tendências do uso das tecnologias na educação. As principais tendências anunciadas no relatório são: computação móvel, conteúdos abertos, livros eletrônicos, realidade aumentada, computação gestual e análise visual de dados. Por enquanto o relatório está disponível apenas em inglês, mas voluntários já estão se mobilizando para traduzir o material. Aguardem!

Edupunk e a Educação a Distância

O João Mattar levantou a questão do movimento Edupunk no último #eadsunday e não pude deixar de pensar no significado real do movimento voltado para o ensino superior e no seu impacto na educação a distância. O fato é que a EAD surgiu como uma modalidade que poderia modificar a forma de aprendizagem através do seu agregado tecnológico. As tais tecnologias (chamadas de "novas" por um bom tempo) surgiram como uma espécie de cura para todos os males da educação. A prática vem apontando para o contrário e o movimento Edupunk explica o desconforto dos alunos com o uso que vem sendo feito das tecnologias digitais, especificamente nos ambientes virtuais de aprendizagem. Mas como podemos definir o Edupunk? No blog do Juan Freire, encontramos a explicação que Edupunk é uma aproximação com as práticas de ensino e aprendizagem abordagem baseada em um Do It Yourself (faça você mesmo). Embora o conceito seja recente, identifica um conjunto de atitudes, da comunidade e aplicações de tecnologia que são tão antigos quanto a própria Internet e viveu um desenvolvimento extraordinário nos últimos anos, paralelamente com a explosão da Web 2.0. No blog Cibercrítica encontramos algumas considerações interessantes no post intitulado Edupunk. Que Deus salve os pedagogos! (não pude deixar de pensar nos meus colegas de departamento...). A importância do movimento Edupunk para uma reflexão sobre a EAD está nas origens do movimento que é desencadeado a partir de uma pesada crítica de Jim Groom (foto), um especialista em tecnologia educacional e professor da Universidade de Mary Washington, na época do lançamento do software proprietário Blackboard. Embora a crítica esteja centrada no uso de uma plataforma (ou Learning Managemant System) fechada, Groom sugere que o uso de aplicativos livres no formato de autoria da Web 2.0 seria muito mais interessante para a aprendizagem dos alunos. Fiquei surpresa porque em 2006, fiz uma pesquisa com os alunos do curso de graduação a distância que usavam o Moodle e muitos argumentaram que não usavam o ambiente com mais frequência porque "não podiam propor nada na plataforma, apenas seguiam o que o professor colocava". Ou seja, o Moodle, por mais construtivista que pretenda ser, permite que o aluno apenas reaja aos movimentos propostos pelo professor, ele mesmo não pode interferir ou redesenhar o modelo instrucional proposto nas disciplinas. O aluno responde ao fórum, mas não pode criá-lo e toda forma de participação está restrita aos espaços virtuais coadjuvantes e não no eixo principal. Estamos reproduzindo o processo de educação presencial convencional, as relações de poder continuam estruturadas com o papel do professor como principal trasmissor de informações, enquanto os alunos permanecem passivos. Queremos que os nossos alunos respondam ao que foi perguntado nos fóruns, mas não queremos que eles criem seus próprios fóruns ou desviem-se das questões abordadas. Utilizamos o AVA para criar uma nova roupagem cibernética para as velhas práticas e nos consideramos modernos, atuais e inovadores. Na proposta do Edupunk se pretende identificar os novos papéis que devem desempenhar nestes processos de aprendizagem favorecendo a iniciativa dos alunos e suas habilidades criativas e inovadoras. Agora os estudantes estão ativos em cursos como os parceiros e colegas na construção do saber docente como estratégia de aprendizagem. Os alunos devem participar ativamente no processo de aprendizagem e deve trabalhar entre si e com professores que trabalham individualmente e em equipes. Uma das queixas mais frequentes nos cursos a distância é o silêncio virtual dos alunos e a baixa participação no AVA. Está na hora de cutucar o leão com a vara curta e realmente buscarmos as respostas para a apatia dos alunos. Afinal, queremos formar autores ou reprodutores?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Campus Party 2010

Fiquei sabendo no começo da semana que a Lilian Starobinas está trabalhando com o pessoal do EducaRede na organização de alguns momentos mais diretamente voltados a temas da educação no Campus Party 2010. O evento parece ser incrível, felizmente existem formas virtuais de participação para quem está distante (quase na linha do Equador), como eu. A Lilian é ótima, e é muito bom ver pessoas que conhecemos e seguimos no mundo virtual - como o Sérgio Lima e Sonia Bertocchi- atuando no evento. Copiei a programação e os comentários do blog EducaRede no Campus Party para divulgar com vocês:


Na 4a feira, dia 27/01, às 20 horas, haverá o painel "Gerações Interativas - uso responsável da Telas Digitais". Como educar crianças e adolescentes para uma presença segura e responsável na Rede? Como educar para a segurança sem disseminar a cultura da vigilância e da proibição?Sobre esses pontos, ouviremos o que vem dizendo a pesquisa do Gerações Interativas, promovida pelo programa EducaRede, as opiniões da SaferNet Brasil, representada por Rodrigo Nejm e as posições do professor Sérgio F. Lima, educador, pesquisador dos usos de tecnologias digitais na educação e blogueiro.


Na 5a feira, dia 28/01, também às 20h, o papo será sobre "Redes Sociais e Educação". Em que medida as Redes Sociais contribuem para a aprendizagem na educação formal? A dispersão das Redes compromete o trabalho educativo? Faz sentido investir no letramento usando redes sociais? Qual os ruídos que as redes sociais trazem para as relações institucionais? O uso de Redes Sociais na Educação pode ser encarado como estratégico na escola pública?Estarão conosco a educadora Sonia Bertocchi, da rede social Minha Terra, Bianca Santana, jornalista e pesquisadora dos usos de blogs na Educação de Jovens e Adultos, Ivo Correia, diretor de políticas públicas do Google Brasil e Alexandre Schneider, secretário municipal da educação de São Paulo.No melhor espírito Campus Party, após essa mesa faremos um Twittencontro, isso é, um bate-papo entre educadores twitteiros e simpatizantes. Um excelente momento para fortalecermos vínculos que começaram na Rede ou começarão lá no CP.


Para o pessoal que ficou animado, o blog EducaRede está sorteando convites individuais. Aproveitem e não esqueçam de contar os detalhes do evento aqui no blog!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Conferência Internacional sobre Redes Sociais

No meu histórico profissional sempre aconteceram algumas coincidências estranhas, então, depois de muito apanhar, resolvi dar mais atenção ao sinais sejam eles do mundo real, virtual ou metafísico. Quando eu terminei o curso de Licenciatura em Geografia, estava farta das discussões sobre o objeto da ciência geográfica e resolvi dar continuidade no campo do Planejamento Urbano e Regional. A minha dissertação envolvia as novas tecnologias (naquela época eram novas mesmo!) e acumulação flexível, me levou para a educação a distância. Nos últimos quinze anos mudei de trabalho quatro vezes, de cidade, de Estado, mas continuei trabalhando, direta ou indiretamente, com a EAD. Agora, minhas pesquisas estão me levando para a discussão sobre redes sociais, e estou interessada em investigar as interfaces entre as redes reais nas cidades e as redes sociais virtuais. O preâmbulo é para falar sobre a Conferência Internacional sobre Redes Sociais que acontecerá em Curitiba, entre os dias 11 e 13 de março, com a participação de Pierre Lévy, Steven Johnson e Clay Shirky. A CIRS é um evento aninhado dentro da CI-CI 2010 - Conferência Internacional de Cidades Inovadoras, traduzindo exatamente a minha perspectiva de aproximação entre os dois conceitos.O evento está sendo organizado e divulgado através das redes e para participar é necessário estar inscrito na Conferência Internacional das Cidades Inovadoras. Não é um evento de cunho acadêmico, provavelmente terei dificuldade em participar por questões operacionais, mas fica aqui a reflexão e a divulgação.

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