segunda-feira, 27 de abril de 2020
Fim da sexta semana de isolamento
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Fim da quinta semana de isolamento
domingo, 19 de abril de 2020
Fim da quarta semana de isolamento
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Fim da terceira semana de isolamento
Ao fim dessa terceira semana de isolamento, o estresse se instalou por diferentes motivos, colocando na berlinda a minha capacidade de ser equilibrada e, sobretudo, paciente e educada. Tem sido difícil lidar com a falta de flexibilidade das pessoas que gerenciam a burocracia, seja por ignorância, necessidade de poder ou burrice mesmo. Recebi na mesma semana dois pedidos que pareciam ter saído do armário de Nárnia e não de uma situação de pandemia: um pedido de ata de reunião presencial quando todos sabem que a universidade está com as atividades suspensas e a exigência de uma assinatura na ata de defesa de mestrado do examinador que participou virtualmente da banca. É preciso apelar para a paciência e o bom senso nessas horas e eu estou apelando muito... Meu apelo é para que as pessoas entendam que vivemos tempos completamente fora da normalidade e que estamos em guerra contra um inimigo letal que não podemos ver e do qual o presidente do país faz piada, dizendo que ele não existe. Não é possível que a burocracia vá causar mais estresse aos nossos professores e alunos além da carga extrema que sofremos todos os dias ao ver que a contaminação se multiplica e o número de óbitos só faz crescer. Tive uma crise de pânico no supermercado na última segunda-feira, é difícil ver as pessoas sem tomar qualquer precaução, insistindo em se aproximar mais do que o necessário e agindo como se não houvesse nenhum risco em andar pelas ruas. É angustiante saber que as manicures do pequeno salão perto da minha casa estão passando dificuldades e sem perspectiva de qualquer ajuda. Por fim, é arrasador receber a notícia de uma aluna nossa que perdeu o filho de 17 anos por insuficiência respiratória, mesmo que o resultado para o COVID-19 tenha sido negativo. Estamos condenados não apenas a ficar dentro de casa por um longo período, mas a viver com medo, ansiosos e inseguros sem saber o que o futuro nos trará. Vamos fazendo o que é possível, ajudamos um, nos preocupamos com o outro, oferecemos apoio ao terceiro, confortamos quem precisa... Fazemos tudo isso sem ter qualquer resposta sobre como será o nosso mundo amanhã. A única coisa que eu sei é que é impossível olhar para trás.
segunda-feira, 30 de março de 2020
Fim da segunda semana de isolamento
Chegamos a fim da segunda semana de isolamento social com 4.579 casos confirmados e 159 mortes.As pessoas começaram a reagir mal ao confinamento e muita gente, inspirada no péssimo exemplo do presidente demente que temos, voltou a circular nas ruas. Nos grupos de WhatsApp, e-mail de trabalho e entre os "amigos" do Facebook e outras redes sociais, as pessoas começam a transbordar o seu desequilíbrio com provocações, confrontos, brigas e retiradas triunfais ou estratégicas, além de textos religiosos ou de autoajuda. Não tenho tempo para isso, o trabalho continua me consumindo e lentamente as tarefas são finalizadas, enquanto surgem outras, como se algum portal dimensional maligno estivesse aberto trazendo não apenas o vírus, mas também toneladas de trabalho. Estou trabalhando mais horas agora e as mensagens urgentes surgem o tempo todo: aos domingos, durante o almoço ou nas primeiras horas da manhã. Nada existe horário definido para nada e todos parecem ter perdido a noção da funcionalidade dos dias úteis e a utilidade do horário comercial. Enquanto o caos se anuncia nas matérias dos jornais e no comportamento inacreditável do governo federal, conseguimos implementar as bolsas dos alunos de mestrado e doutorado, realizar as bancas virtualmente, preencher relatórios e alimentar sistemas. Não saio de casa para nada além do supermercado e farmácia, por aqui as ruas estão vazias e melancólicas. O serviço de entrega de comida continua funcionando a pleno vapor, garantindo a sobrevivência dos restaurantes e entregadores. Por enquanto os preços estão caindo com uma enxurrada de promoções para conquistar os clientes, mas é difícil saber se esse movimento vai durar. Tentando manter um pouco de sanidade e equilíbrio, tenho feito aulas de Yoga com a minha professora usando o Skype como ferramenta e amanhã farei o mesmo com os meus alunos de Yoga do CE, espero que seja uma experiência boa para todos. É hora de encontrarmos meios para apoiar os outros e, mesmo quando não somos solicitados, precisamos buscar uma forma de atuar positivamente e coletivamente. Como disse o biólogo Atila Iamarino, pedir o fim do isolamento é querer voltar para um mundo que não existe mais. O nosso mundo com liberdade para ir para qualquer lugar, para planejar uma viagem, uma festa, um casamento ou uma mudança de vida, não existe mais. O mundo que virá dependerá muito das pequenas ações de cada um de nós e é hora de cada um pensar em como fazer a sua parte. Fiquem em casa, fiquem bem.
segunda-feira, 23 de março de 2020
Fim da primeira semana de isolamento social
Em mais de meio século de vida, assisti filmes e li vários livros que descreviam cenários de um futuro distópico, com a humanidade enfrentando o seu fim e poucos sobreviventes tentando reconstruir as estruturas sociais e materiais. Acredito que o último filme tenha sido "Interestelar" e a praga retratada no filme estava relacionada com o ambiente, não com as pessoas. São situações que deveriam ficar no campo da imaginação e nada nos preparou para a angústia de ver esse cenário se tornar realidade. A cada notícia que é publicada, aumenta o nível de apreensão e passamos a temer, diariamente, não apenas pelas pessoas que amamos, mas por todos que enfrentam a pandemia e que se tornam vítimas, direta ou indiretamente, dela. As notícias inicialmente chegaram devagar e, nós que trabalhamos com um público grande, começamos a nos preocupar. É alarmismo? É real? É preocupante? Trabalhar em um local com muitos cientistas fez com que soubéssemos antes da maioria das pessoas do cenário sombrio que estava por vir. Quando você presencia o pânico de um epidemiologista que passou a maior parte de sua vida adulta cultivando cepas de vírus perigosos no laboratório, é hora de começar a se preocupar... Entre a primeira nota oficial afirmando que não havia necessidade de suspensão das atividades acadêmicas e o cancelamento de praticamente tudo dentro da universidade, se passaram dois dias, com uma reunião de reitores em pleno domingo à tarde. Dois dias! Estou em casa desde o dia 16, com algumas saídas rápidas para ir ao banco, farmácia e supermercado. Nos primeiros dias da semana ainda fiz algumas coisas rápidas em ambientes maiores (ir ao banco dentro do shopping porque eu precisava ir em dois bancos diferentes), buscar remédio e fazer uma aula de yoga. As notícias pioraram, foi detectado o primeiro caso aqui e o governo estadual fechou shoppings e proibiu qualquer tipo de aglomeração. As lojas de rua, bares, restaurantes, academias e a fábrica onde minha filha trabalha continuaram funcionando. Hoje, apenas sete dias depois das primeiras medidas, suspenderam a circulação de ônibus, apenas os serviços essenciais estão funcionando e a fábrica fechou. No meio desse cenário de incertezas e informações desencontradas, a universidade bloqueou os ambientes virtuais de aprendizagem dos nossos cursos de graduação a distância! A nossa única forma de comunicação com os alunos foi bloqueada e isso me deixou tão furiosa que não tenho nem palavras para descrever... Só quem não entende lhufas sobre a dinâmica da EaD poderia considerar isso uma ideia razoável, os nossos alunos estão no interior, se sentem inseguros e nós professores temos um papel fundamental para manter a tranquilidade de todos. Eu consegui colocar uma última mensagem explicando a suspensão das atividades e orientando os alunos em relação aos prazos das atividades, mas não sei se alguém teve alguma dúvida. A justificativa oficial é que todas as atividades acadêmicas estão suspensas, inclusive a EaD. Eu sou bem tranquila em relação ao trabalho e dificilmente alguma coisa profissional consegue me irritar: já lidei com colegas desleais, chefes incompetentes e funcionários irresponsáveis. Eu não fiquei só irritada, eu fiquei furiosa porque penso que é inadmissível o rompimento das relações entre professores e alunos, sobretudo quando os alunos estão distantes e fragilizados. Não adianta apontarmos para os erros do governo federal que atua de forma omissa, autoritária e cruel se não identificamos esses mesmo elementos nas nossas relação hierarquizadas quando o momento exige colaboração, cooperação e, sobretudo, empatia. Minha função como professora vai além de transmitir conteúdos e desenvolver o processo de aprendizagem, é minha obrigação proteger os meus alunos e garantir que eles estejam informados e tranquilos. Enquanto leio documentos com as palavras "proibido, suspenso, impedido etc", continuo pensando que é possível uma universidade humanizada em todos os níveis e estou determinada a trabalhar muito para isso!
sexta-feira, 20 de março de 2020
Atividades acadêmicas suspensas na UFPE
Todas as atividades acadêmicas estão suspensas na UFPE do dia 19 até o dia 31/03. Segundo as informações da ASCOM UFPE, "A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e as universidades que compõem o Consórcio Pernambuco Universitas e os Institutos Federais do Estado de Pernambuco assinaram conjuntamente a decisão pela suspensão de atividades acadêmicas presenciais no período de 16 a 31 de março. No comunicado, há indicativo que as atividades remotas, os serviços essenciais e ações administrativas específicas seriam definidas por cada instituição. As razões da suspensão têm por objetivo reduzir a circulação das pessoas e colaborar nas medidas de combate à propagação do Covid-19". Todas as atividades programadas do Seminário do Edumatec foram canceladas e a secretaria do PPGEdumatec está atendendo as demandas dos alunos e professores remotamente. As informações sobre o funcionamento de outros setores da universidade podem ser acessadas aqui.
Se cuidem, cuidem dos outros e cuidem dos idosos e das pessoas vulneráveis!
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Equilíbrio físico e mental no CIn
Na última terça coordenei uma conversa com o pessoal de uma startup no CIn/UFPE sobre o equilíbrio físico e mental. Meu exemplo sempre é o Yoga, mas existem vários caminhos possíveis na busca por uma vida mais saudável e equilibrada. Cada um deve encontrar a atividade com a qual mais se identifica e fazer escolhas que beneficiem a sua saúde física e mental. A minha jornada começou com uma tragédia na minha vida, mas ninguém precisa esperar a vida virar de cabeça para baixo para começar a mudar.
Falei sobre os assédios que sofremos diariamente, das expectativas irreais, dos nossos limites e da minha experiência (não, não foi papo coach palestrinha, Deusmelivre de dizer aos outros o que fazer na vida...). Espero que a conversa tenha sido útil e que eu possa ter ajudado um pouco na reflexão de cada um. Adorei o momento e a oportunidade de conversar com pessoas jovens que estão com todas as condições de pavimentar um futuro melhor. Gratidão pelo convite!
quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
Adeus, 2019!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
Revista Tecnologias na Educação: Edição Temática CTRL+e 2019
Está disponível a Edição Especial da Revista Tecnologias na Educação para o IV Congresso sobre Tecnologias na Educação (Ctrl+E 2019). Os artigos selecionados foram publicados em versão estendida e abordam as temáticas como tecnologias assistivas, RPG, cultura maker, realidade aumentada, jogos digitais e aprendizagem, entre outros assuntos relacionados com o evento. Boa leitura!
quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
VII Seminário Nacional Gênero e Práticas Culturais
Semana passada participei do VII Seminário Nacional Gênero e Práticas Culturais que aconteceu na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. O tema desta edição foi feminismo como resistência e apresentamos dois trabalhos no GT 06: Gênero, Cultura e Educação. O primeiro trabalho foi REPRESENTAÇÃO FEMININA NOS FILMES DE ANIMAÇÃO DA DISNEY E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO, produção em coautoria com a minha orientanda de mestrado, Amanda Cunha e Simone Carvalho (mestranda do PPGEducação/UFPE). O segundo trabalho foi uma produção com Thelma Panerai Alves intitulada A CULTURA MAKER E A FORMAÇÃO E EMPODERAMENTO DE MENINAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA. Os trabalhos do GT foram maravilhosos e foi impossível não se emocionar com os depoimentos, estudos e conclusões que foram apresentados durante toda a tarde. Quem ficou até o final teve a oportunidade de participar de uma discussão belíssima que me deixou comovida e com o coração cheio de esperança. Tem muita gente jovem, consistente, antenada e disposta a lutar por um mundo mais tolerante e menos desigual. Quando participo de eventos como esse, vejo claramente que não falhamos e que a próxima geração está preparada para enfrentar o que vier. Pau nos fascistas!
Dica preciosa do dia: vai apresentar trabalho em congresso, seminário ou evento? Se organize para participar integralmente da sua sessão de apresentação! Sabe aquela pessoa que pede para apresentar primeiro porque tem passagem comprada, hora para sair ou outro compromisso mais importante? Não seja essa pessoa! A imagem que fica é que você não acha o evento importante e que as apresentações dos seus colegas não são relevantes para você ou para a discussão acadêmica. Qual é o sentido de apresentar um trabalho e sair correndo sem participar das discussões ou ouvir perguntas e sugestões sobre o seu trabalho? Não pode apresentar? Não vá! Quando a coordenação do GT pergunta se alguém se importa em ceder a vez para o colega apressado, eu digo que sim, eu me importo e que isso não está correto. Sou a tia antipática, mas pode ser que a mensagem desagradável ajude a alguém a refletir sobre isso e melhorar um dia. E isso vale para todo mundo: alunos que apresentam trabalho, professores apressados, reitores, gestores do MEC ocupadíssimos e sem tempo para a plateia. Porque no fim das contas, é isso mesmo: não temos tempo para os colegas, para esperar a nossa vez e para ouvir o outro...
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Cerimônia de posse do reitor e vice-reitor da UFPE
Aconteceu hoje a cerimônia de posse do novo reitor e vice-reitor da UFPE, Professores Alfredo Gomes e Moa. Eu passei a maior parte da minha vida adulta dentro de universidades públicas, mas nunca tinha assistido uma cerimônia de posse de reitor. Os rituais são mesmo medievais, com muita pompa e circunstância, mas quer saber? Foi lindo! Pode ser que seja por causa das incertezas políticas, do contexto obscuro que promove ataques ao conhecimento e tem nas universidades o seu principal alvo, mas tudo pareceu perfeitamente adequado. Cada discurso e cada simbolismo nos fez lembrar da função da universidade e da importância do nosso papel da sociedade. Estamos mais sensíveis, vulneráveis diante de tantos absurdos e, na minha opinião, os rapapés e rituais de transmissão do cargo me pareceram estranhamente reconfortantes. O auditório estava cheio, o ataque que as universidades vem sofrendo foi lembrado várias vezes, os discursos foram poéticos e conciliadores, com referências importantes e questões atuais, como sustentabilidade e diversidade.
Foi uma posse repleta de afetividade, de esperança e de alívio porque o processo democrático foi respeitado. Tempos estranhos em que temos dúvida sobre o que deveria ser líquido e certo... Sabemos que houve muita luta para que o processo eleitoral da consulta à comunidade acadêmica fosse respeitado, mas também sabemos que a resistência, o senso de justiça e indignação existem fortes em cada um de nós. Hoje foi emocionante não só porque era uma solenidade de posse de um reitor do Centro de Educação, mas também porque hoje foi dia de comemorar a vitória da democracia. E quando a democracia vence, voltamos a sentir a única coisa que nos faz ter vontade de viver e mudar o mundo: a esperança!
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
Habemus Reitor!
Foi publicado ontem o decreto com a nomeação do novo reitor da UFPE, Professor Alfredo Gomes. Ele foi diretor do Centro de Educação e candidato mais votado em todos os segmentos da comunidade acadêmica. Apesar das ameaças absurdas de alguns grupos externos que queriam tumultuar o processo, a escolha foi respeitada e a democracia fortalecida. Agora é apoiar a nova gestão para continuarmos trabalhando duro e manter a UFPE no ranking das dez melhores universidades brasileiras. O mandato do novo reitor começa no dia 13 de outubro e as notícias dos principais jornais sobre a nomeação e uma entrevista com Alfredo estão nos links a seguir.
Paz!
Carta Aberta da Comunidade do Centro de Educação da UFPE
Nós que fazemos a comunidade do Centro de Educação da UFPE, docentes, estudantes, pessoal técnico e de apoio, vimos de público manifestar nossa consternação e nosso posicionamento sobre o ato de violência ocorrido em nosso Centro, no último dia 02 de outubro de 2019.
Na tarde deste dia, enquanto ocorria uma série de atividades acadêmicas e socioculturais no Centro, com ampla participação de nossa comunidade, um de nossos estudantes entrou com uma faca nas dependências do CE e agrediu de forma violenta outro estudante. As pessoas presentes, apesar do choque inicial, reagiram a tempo de evitar uma tragédia maior. O agressor foi contido, a segurança institucional e a polícia foram acionadas e a vítima foi socorrida imediatamente. Felizmente, apesar da dor, do trauma e dos ferimentos graves, o estudante agredido está se recuperando bem e, provavelmente, deve ter sua saúde reestabelecida. O estudante que realizou a agressão foi imediatamente detido e terá de responder pelos seus atos perante a justiça. Conforme tomou-se conhecimento posteriormente, a agressão absurda e injustificável foi motivada por razões pessoais e fúteis, como muitos dos crimes violentos que ocorrem em nossa sociedade. Diante dessa situação traumática e hedionda, que deixou perplexa e profundamente abalada nossa comunidade, apresentamos as seguintes considerações:
Infelizmente, estamos conscientes de que esse tipo de ataque violento não tem sido algo raro e incomum em nossa sociedade, o que inclui os espaços educacionais do país. Quem conhece e estuda o campo da educação sabe que têm se tornado cada vez mais frequentes os casos de violência ocorridos nos espaços escolares e acadêmicos, quer por agressores externos ou por pessoas da própria comunidade. Esses casos de violência têm sido alimentados por uma cultura de objetificação das outras pessoas, de incentivo a uma competitividade cada vez mais agressiva e acirrada, de produção e exploração do ressentimento social contra pessoas e grupos vulneráveis e de espetacularização da própria violência.
No contexto atual essa situação tem se tornado mais dramática a partir do crescimento de grupos que esvaziam os espaços democráticos afirmando em seu lugar a violência e o autoritarismo como práticas para a vida em sociedade. Efetivamente, não são poucas as pessoas de nossa Universidade e de nosso Centro, especialmente mulheres, pessoas negras, jovens da periferia e pessoas LGBT+, que têm sido vítimas frequentes de situações de violência simbólica, psicológica e física nos diversos espaços sociais em que vivem. No entanto, a violência, por mais comum que se apresente, não é aceitável, nem deve ser tomada como normal. Nesse sentido, reforçamos nosso compromisso pela produção de nosso espaço como um ambiente de cuidado com todos e todas no cotidiano do Centro de Educação. Nos dois dias que se seguiram ao caso de agressão foi realizada uma série de reuniões abertas com toda a comunidade do Centro de Educação e com pessoas dos setores de apoio psicossocial da UFPE. A partir das partilhas em relação à situação e das discussões realizadas, estão sendo produzidos os seguintes encaminhamentos para iniciar o enfrentamento emergencial da situação:
1. Encaminhar os procedimentos institucionais para que todas as pessoas e famílias diretamente envolvidas na situação tenham o acompanhamento necessário por parte da UFPE. Cuidar, especialmente, para que o estudante que foi vítima direta da agressão e sua família tenham o atendimento médico, psicológico, social e acadêmico necessários para que ele possa recuperar-se plenamente e retomar seu processo de formação acadêmica e profissional;
2. Realização de uma série de atividades de acolhimento, partilha e reflexão para a comunidade acadêmica do CE a partir da segunda-feira, 7 de outubro, e ao longo dos próximos dias, para facilitar o processo de elaboração psicológica coletiva da situação traumática vivenciada, assim como, acionar os setores de apoio psicossocial da UFPE para oferecer um acompanhamento individualizado a estudantes, docentes e pessoal técnico e de apoio, nos casos em que for necessário;
3. Iniciamos um processo de revisão e aprimoramento, a partir da avaliação da situação ocorrida, dos mecanismos de segurança e dos planos de ação emergencial em casos de violência e acidentes na UFPE e no Centro de Educação, com atenção especial aos aspectos de preparação da comunidade, comunicação emergencial, primeiros socorros e equipamentos de segurança;
4. Foi constituída uma equipe multidisciplinar para proceder análise do fenômeno da violência em espaços educacionais, considerando suas implicações para o CE, e para planejar e desenvolver ações, de médio e longo prazos, voltadas para o fortalecimento de dinâmicas pacíficas, democráticas e criativas de trabalho e convivência em nosso Centro, buscando compreender e enfrentar, da melhor forma possível, a disseminação e aprofundamento das lógicas psicossociais que têm contribuído para agudizar o problema da violência no contexto brasileiro contemporâneo.
Apesar do dano que essa violência provocou em toda a comunidade que faz o Centro de Educação, à UFPE e aos demais envolvidos, entendemos que é importante não nos deixar dominar e abater pelos sentimentos de tristeza, frustração, desânimo e raiva. Consideramos que a melhor resposta que podemos oferecer à ameaça representada pela eclosão da violência é intensificar e trabalhar com mais firmeza o processo de formação acadêmica, subjetiva e humana que já vivenciamos todos os dias no Centro de Educação. Vamos seguir abraçando com mais firmeza, apesar de todas as tentativas de deslegitimação, desmoralização e desmonte da educação pública, nossa convicção e nossa confiança em nosso papel na construção de um país e de uma realidade mais justa, democrática, igualitária, solidária e afetuosa.
Recife, 7 de outubro de 2019.
domingo, 22 de setembro de 2019
Número novo da Revista Em Teia
Publicação nova (v. 10, n. 2) da Revista de Educação Matemática e Tecnológica Iberoamericana - Em Teia, com vários artigos interessantes para os professores de Matemática. A revista pertence ao programa de pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica - Edumatec, do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. Boa leitura!
terça-feira, 10 de setembro de 2019
Catálogo de jogos interdisciplinares no ciclo de alfabetização
Depois de muito (mas muito meeeesmo) aguardar, saiu a publicação do Catálogo de Jogos Interdisciplinares no Ciclo de Alfabetização! Conseguimos que o catálogo fosse publicado como e-Book pela editora da universidade. Pausa para o desabafo: preciso dizer que a única ambição institucional que eu tenho na minha vida é assumir a direção da nossa editora universitária e dar um jeito na lentidão do processo de publicação. Posso garantir que o fluxo seria tão eficiente que Henry Ford levantaria da tumba para me cumprimentar! Minha gente, não é possível que um livro fique mais de dois anos na fila para ser publicado, ainda mais sendo um e-Book! Sim, estou passada no azeite de dendê e lavando roupa suja na rede, mas a minha paciência é muito curta quando o assunto é disseminar o conhecimento através dos livros. Não é um aborrecimento pessoal ou direcionado para pessoas, penso que qualquer produção da universidade merece ser tratada como prioridade, compartilhada e divulgada aos quatro ventos na maior velocidade possível! Fim do desabafo, vamos voltar ao catálogo que é o que nos interessa.
Eu e Cristine Pessoa planejamos e organizamos o catálogo e contamos com a parceria das professoras formadoras, Laís Thalita Santos e Lucicleide Bezerra. O catálogo teve a valiosa contribuição das professoras da rede pública de ensino de Pernambuco que participaram da Oficina de Jogos Interdisciplinares no Ciclo de Alfabetização, no âmbito da formação de professores do PNAIC (Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa) - PE. Quando pensamos na construção desse material, optamos por inserir diferentes tipos de jogos e brincadeiras, desde os mais simples até os jogos digitais. Incluímos jogos de tabuleiro, jogos criados pelos professores, jogos comerciais e jogos que fazem parte da nossa cultura popular. Listamos os conteúdos e objetivos relacionados com o ciclo de alfabetização para cada jogo e apresentamos exemplos de atividades. Além de colaborativo, o catálogo ficou uma fofura e está disponível gratuitamente para quem quiser ler/usar/reorganizar/recortar/aproveitar! Se joguem, miguxos!
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Banca na pós-graduação em Enfermagem
Eu gosto muito de participar das bancas de mestrado e doutorado na pós-graduação em Enfermagem, a linha Educação e Saúde tem produzido trabalhos muito interessantes com o uso das tecnologias digitais. Tenho acompanhado a criação de podscast, vídeos e jogos para a conscientização da população e ações preventivas de saúde. Penso que é muito importante participar do processo de avaliação de pesquisas com outros referenciais teóricos e metodológicos, os percursos de pesquisa são outros e podemos nos apropriar de muitos elementos interessantes das outras áreas nas pesquisas sobre Educação. Aprendo muito mesmo e também tenho a oportunidade de contribuir com outra área do conhecimento. No meio da correria louca da semana passada, participei da banca de Josiete Tavares, orientanda da professora Eliane Vasconcelos. A proposta do trabalho foi construir um vídeo para esclarecer melhor o procedimento do Hemope com os doadores de sangue que não retornam quando os resultados indicam alguma doença. Durante as entrevistas, ela descobriu que 15% dos doadores são analfabetos e não conseguem ler os panfletos informativos que estão disponíveis nas salas de coleta de sangue. Além dos analfabetos, muitos tem dificuldades na leitura porque não entendem os termos técnicos dos textos. O vídeo foi produzido por Adson Alves (ex-aluno do Edumatec) e ficou lindo!! Eu me emocionei várias vezes quando li o trabalho e chorei na defesa porque me dei conta do quanto continuamos falhando como sociedade... Josiete fez questão de dizer que cursar a disciplina que ofertamos no Edumatec foi fundamental para construir o seu trabalho e que somos professoras inspiradoras para ela. Aí foi demais, chorei mesmo e tenho fotos para provar!