Para começo de conversa, o frio está me matando! Aos poucos, silenciosamente, congelando o meu sangue e matando os meus neurônios... Estou gripada desde o primeiro momento da viagem, o que significa que estou com os olhos inchados, nariz escorrendo e espirrando mais do que um bode velho. Encerrado o muro das lamentações, vamos ao que interessa: o primeiro dia de atividades do GT Educação no Fisl13. Começamos a manhã com uma reunião de apresentação do GT Educação, com os grupos que estão estruturando o GT e realizando ações efetivas para a construção da discussão sobre Educação e software livre. Frederico Guimarães, Ana Matte, Ronald Scherolt e Wilkens Lenon, falaram sobre o histórico e os objetivos do GT Educação. Mais tarde, participei da mesa sobre "Software Livre na Educação Superior", com vários enfoques diferentes sobre o tema, pesquisa, extensão, uso de softwares, formação de professores, currículo, tecnólogos etc. A sala estava cheia, tivemos muitas discussões interessantes e uma ótima interação com o público. Na parte da tarde, o GT continuou bombando com várias mesas e oficinas para os participantes do evento. Depois eu vou contar com mais detalhes o que está sendo discutido nas mesas e palestras. Hoje, eu preciso de vitamina C e cama para aguentar a programação de amanhã!
quarta-feira, 25 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
FISL13
Viajo amanhã para Porto Alegre, vou participar do 13º Fórum Internacional do Software Livre. "Há 13 anos, o Fórum Internacional Software Livre – fisl, vem crescendo e se consolidando como o mais significativo encontro de comunidades de Software - e cultura! - livre na América Latina. Mundialmente reconhecido, o fisl já treze anos é o resultado do trabalho, da colaboração e do envolvimento de milhares de pessoas que acreditam no software livre e na força da comunidade, no Brasil e fora dele". Estarei no GT Educação, uma iniciativa mais do que necessária para discutir as relações entre aprendizagem, colaboração e software livre. Vamos debater a Educação e a cultura livre, buscando analisar as práticas e as abordagens teóricas existentes. "Neste 13º Fórum Internacional de Software Livre o público da educação terá uma programação bem diversificada, com mesas redondas, palestras e oficinas voltadas às demandas de educadores, profissionais, gestores da educação e estudantes, além do debate performático, que trará a inusitada proposta de misturar saber e sabor, numa convergência dinâmica entre tecnologia, educação, cultura e arte". A programação do GT Educação está muito diversificada e eu estarei em três mesas (três? Não é muita coisa? Mas quem foi que me colocou em TRÊS mesas? Eu quero nomes agora mesmo! rsrs...):
Dia 25: Educação e inclusão digital, software livre na educação superior. Rodrigo Padula de Oliveira, Ronald Emerson Scherolt da Costa, Sergio Amadeu da Silveira e Ana Cristina Fricke Matte.
Dia 26: Educação e Inclusão Digital, Políticas públicas educacionais e software livre. Verónica Xhardez, Ana Cristina Geyer de Moraes e Lina Monto.
Dia 27: Educação e Inclusão Digital, Professor livre na rede. Sérgio F. de Lima,Hugo Leonardo Canalli, Rafael José Puiati Bergamaschi, Sergio Amadeu da Silveira,Wilkens Lenon da Silva de Andrade e Ana Cristina Fricke Matte.
Como vocês podem ver, existem duas possibilidades: eu vou morrer de frio ou de tanto trabalhar! Pretendo publicar vários posts aqui no blog com um resumo diário do evento, com as novidades das palestras, oficinas, conversas nos corredores e o que mais estiver acontecendo. Só com muito trabalho vou conseguir esquentar o corpo no frio congelante de POA!
sábado, 21 de julho de 2012
4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil
"O Museu Exploratório de Ciências – Unicamp recebe a partir do dia 01/06/2012, as inscrições para a 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). Poderão participar estudantes regularmente matriculados no 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e demais séries do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, incluindo alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Em 2012, O Museu Exploratório de Ciências custeará, para participarem da final, as passagens de avião das 27 equipes mais bem colocadas em cada estado da Federação (escolas públicas ou particulares) e mais 10 equipes de escolas públicas com a maior pontuação, sendo uma por região do país, e cinco escolas públicas com mais alta pontuação em todo o Brasil, independente de sua região. Após a final da Olimpíada, os professores responsáveis por essas equipes são convidados a permanecer na Unicamp para realizar capacitação de uma semana, com custos de hospedagem cobertos também pelo Museu.A ONHB premiará escolas, alunos e professores, com medalhas de ouro (60), prata (100) e bronze (140) e certificados de participação para todos os inscritos e também para as escolas.A 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil é uma iniciativa do Museu Exploratório de Ciências – Unicamp. O evento é patrocinado pelo CNPq e tem o apoio da Rede Globo de Televisão e da Revista de História da Biblioteca Nacional". Aproveitem!
sábado, 14 de julho de 2012
EaD e a formação de professores
Semana passada fui procurada por Rafaela Bortolin, jornalista da Gazeta do Povo (Curitiba) para uma entrevista sobre as vantagens e desvantagens da formação a distância para os professores. A matéria intitulada 30% dos professores em formação no Brasil cursam graduação a distância ficou excelente, com dados e opiniões interessantes sobre o tema. A matéria apresenta também infográficos e quadros explicativos sobre o reconhecimento e avaliação dos cursos.A jornalista pesquisou bastante e captou exatamente a essência da discussão espinhosa sobre a aposta governamental para formar professores utilizando a modalidade a distância. A minha opinião na matéria faz parte dos resultados da minha pesquisa sobre letramento digital e formação dos professores a distância.
sábado, 7 de julho de 2012
II Fórum da Internet no Brasil
O II Fórum da Internet no Brasil propiciou muitas discussões interessantes sobre as mudanças e as reais demandas que temos na rede atualmente. Não vou comentar as discussões específicas das trilhas agora, depois vou escrever melhor sobre isso. O que mais me impressionou foi o aprofundamento de questões que estão em pauta de discussão há muitos anos. Parece que finalmente conseguimos consolidar questões básicas, como a importância de uma cultura livre, a resistência aos mecanismos de controle da rede e a necessidade de banda larga disponível para todos.
Existe uma tendência de aproximar as questões que envolvem a cultura hacker com a disseminação do conhecimento e, consequentemente, com a Educação. Bingo! Temos aí um grande campo para a pesquisa. O evento resultou na Carta de Olinda, uma petição pública em defesa do marco civil da internet no Brasil.
Para provar a minha percepção que não existe contraponto entre pessoas reais/virtuais, conheci no evento quatro pessoas que eu só conhecia nas redes. Pude conhecer e abraçar as queridas Lilian Starobinas e Débora Sebriam, duas fofas que trouxeram uma discussão interessantíssima sobre REA, conversei um pouquinho com Sérgio Amadeu, que participou da banca de qualificação do meu orientando Wilkens Lenon e, finalmente, conheci Ricardo Amorim que está agora no CIn/UFPE, fazendo o seu pós-doc com Alex Sandro Gomes. Fiquei muito orgulhosa com a participação dos meus alunos e orientandos (especialmente Lenon e Josivânia Freitas) no evento. Enfim, uma delícia de evento, encontros maravilhosos e muita conversa produtiva e agradável.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Evento sobre REA
No mês passado, foi lançado o livro Recursos Educacionais Abertos: práticas colaborativas e políticas públicas, organizado por Bianca Santana, Carolina Rossini e Nelson Pretto. O livro está disponível onine, livre para download e remix (licença CC-BY). Pausa para a surpresa: o site do livro é lindo!!! Além de bonito, é muito bem estruturado e permite que leitor possa ler cada capítulo, folhear ou descarregar em português, espanhol ou inglês. objetivo é difundir o conceito de REA entre educadores de todas as esferas. Os autores estarão no II Fórum da Internet no Brasil em Olinda, nos dias 3, 4 e 5 de julho e organizaram um momento de conversa sobre o livro e sobre REA em geral no dia 5/7, às 9h. Vou aproveitar a oportunidade para conhecer as queridas Lilian Starobinas e Débora Sebriam. A inscrição no Fórum é gratuita. Nos encontramos lá!
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Revista da ABT

A Revista da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional publicou os seus quatro últimos números com uma produção diversificada que apresenta os resultados de vários grupos de pesquisa brasileiros. O Professor João Mattar faz parte do conselho editorial da revista e escreveu um post interessante sobre as publicações, com link para todos os números da revista que abordam o uso de games na educação, EaD, TV digital e mundos virtuais. Apresentei os resultados da minha pesquisa no artigo "Apropriação Tecnológica, Cultura Digital e Formação de Professores nas Licenciaturas a Distância", no número 195 (out/dez.2011). Encontrei resultados que eu não esperava em minha pesquisa e tenho refletido bastante sobre as questões da construção e consolidação da cultura digital entre os professores da Educação Básica. Para quem quiser ter uma ideia sobre o assunto do artigo antes de ler o texto na íntegra, o resumo está logo a seguir. Boa leitura!
Resumo: A formação de professores na modalidade a distância pressupõe o uso intensivo de tecnologias digitais durante o processo de aprendizagem, já que a modalidade apresenta forte agregado tecnológico. Este artigo é resultado de uma pesquisa financiada pelo CNPq, sobre o papel das licenciaturas a distância na apropriação das tecnologias digitais e as possibilidades de autoria e colaboração dos professores da Educação Básica. O objetivo deste artigo é analisar as possibilidades no processo de consolidação da cultura digital e apropriação tecnológica dos professores da Educação Básica que cursaram a graduação a distância, especificamente as licenciaturas. A proposta de investigação desta pesquisa está orientada pelos princípios da pesquisa qualitativa, com fundamentação teórica no campo dos Estudos Culturais. Os resultados indicam que os professores se apropriam dos recursos tecnológicos digitais com desenvoltura e os utilizam em benefício da sua própria formação e em sala de aula, mas ainda não conseguem estabelecer uma rede de colaboração efetiva.
sábado, 16 de junho de 2012
Arena socioambiental

Não sei se todos os leitores do meu blog sabem, mas a minha graduação é em Geografia. Durante mais de dois anos eu trabalhei como professora-tutora no curso de especialização em Educação Ambiental no Senac e orientei diversos trabalhos de conclusão na área. Durante a Rio 92, eu fazia mestrado no Fundão e acompanhei de perto os debates e as reivindicações das organizações não governamentais. Na Rio+20, conferência internacional para discutir o desenvolvimento sustentável, a situação não está melhor do ponto de vista ambiental no planeta, mas a conscientização das pessoas avançou de forma que nenhum de nós na época julgava ser possível. Temos uma nova geração hoje que teve a sua formação nos princípios da Educação Ambiental, são jovens que nasceram e cresceram ouvindo falar sobre os perigos da destruição do nosso planeta. É claro que falta muito e não chegamos nem perto do que precisamos, mas se temos tantas pessoas discutindo, brigando e se organizando, é porque alguma coisa deu certo nos últimos vinte anos. Na minha opinião, o maior avanço que temos hoje é a compreensão de que a agenda ambiental não pode ser dissociada da agenda social. Em 1992, predominava a participação das ONG´s com foco na questão ambiental. Hoje, temos diversos grupos e movimentos sociais que também debatem e lutam pela questão ambiental. É um avanço real e significativo (principalmente para quem não aguentava mais a conversa fiada de que os ambientalistas querem salvar baleias, mas não ligam para criancinhas morrendo de fome na África...). Quem não conseguiu estar no Rio para participar das discussões, pode acompanhar o blog da Arena Socioambiental ou assistir os debates e saber da programação. Para quem tem pressa e gosta de ler as informações resumidas em 140 caracteres, o twitter do evento é @ArenaRIO20 e a hashtag é #ArenaRio20. Acompanhar de perto os movimentos dos governantes, organizações, políticos e líderes no evento, é essencial para fundamentar as nossas decisões no futuro.
domingo, 10 de junho de 2012
Estamos em greve!

Vou pedir licença aos leitores para começar o domingo com o megafone virtual da militância. Eu realmente pensei que a greve dos professores não aconteceria, afinal, no ano passado a categoria aceitou os 4% de aumento em 2012, sem muito esforço do governo para convencer as pessoas. A justificativa do governo no ano passado era a crise mundial, mas ficou a promessa de que a carreira docente, os salários e outras reivindicações seriam rediscutidas no começo deste ano. A promessa saiu do papel, ficou no ar e agora virou algo como o "aparece lá em casa dos cariocas" (só lembrando antes que alguém me jogue pedra: eu sou carioca!). Enquanto isso os critérios de produtividade da CAPES continuam provocando colapso nervoso nos professores, o ministro anuncia com um sorriso no rosto que vai trazer não sei quantos mil cientistas estrangeiros para trabalhar no Brasil e mandar centenas de alunos para o exterior. Tudo muito lindo, muito bacana, mas... e as condições do professor? Um professor doutor que espreme os seus neurônios até a última gota, que tem uma responsabilidade enorme na formação dos seus alunos e orientandos merece ganhar o salário que é pago hoje nas Universidades Públicas? Nos exigem publicações em periódicos internacionais (mas não nos dão condições), participação em eventos (nunca consegui que passagens e diárias na minha Universidade, dizem que existe essa possibilidade, mas estou inclinada a acreditar que é lenda urbana) e precisamos nos atualizar constantemente. Resumindo: para publicar em periódicos, comprar livros para me atualizar e participar de eventos pelo país, eu preciso bancar todas as despesas. Eu gosto muito da Dilma, votei nela, tenho orgulho de ter uma mulher presidenta , mas não aceito ter que tirar uma parte considerável do meu salário (as inscrições em eventos nacionais variam entre 100 e 600 reais) para fazer algo que o próprio governo exige e é parte do meu trabalho. A indignação dos professores se transformou em uma greve que já dura 20 dias e atingiu 51 instituições de ensino superior. A previsão mais otimista dos meus colegas é que ela dure até agosto, mas pode durar muito mais. As reivindicações (que nem são tantas assim) são justas e urgentes. Uma universidade pública de qualidade, com professores competentes e comprometidos não pode existir com voluntariado ou gambiarras para se trabalhar. Pagar melhor e dar condições de trabalho ao professor, é valorizar a Educação e garantir que as pessoas continuarão trabalhando empenhadas em contribuir para o desenvolvimento do país!
sábado, 9 de junho de 2012
Livro Decisão: percursos e contextos
sábado, 28 de abril de 2012
Educar com o Redu
O uso de ambientes virtuais de aprendizagem nos cursos a distância tem desafiado a criatividade dos professores para criar estratégias pedagógicas que garantam a aprendizagem do aluno. Embora as dificuldades com o uso de ambientes virtuais sempre perpassem a questão do desenho didático, sabemos que os alunos não encontram qualquer dificuldade ao usar as redes sociais. Exatamente nesse contexto, foi criado a rede educacional Redu, com o objetivo de integrar os aspectos de gestão e controle dos ambientes virtuais com a flexibilidade das redes sociais. Eu gosto muito da funcionalidade do Redu, a navegação é bem intuitiva, o visual é clean, as possibilidade de interação são bastante interessantes, mas você pode conferir isso tudo visitando o ambiente. Nas últimas semanas foi publicado o livro Educar com o Redu, abordando aspectos conceituais e práticos sobre o uso do ambiente Redu como espaço de mediação e aprendizagem. O livro está dividido em sete capítulos e já na introdução encontramos o conceito de softwares sociais no contexto educacional, nos ajudando bastante na construção dos fundamentos para o uso de novas plataformas de aprendizagem. O livro também aborda questões como fenômenos cognitivos, métodos e técnicas de ensino, novas situações de ensino de aprendizagem, processo de aprendizagem e avaliação utilizando o Redu. O livro é organizado pelo Professor Alex Sandro Gomes e está disponível para download gratuito. Respire novos ares e boa leitura!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
Notas sobre a inclusão digital nas escolas
A distribuição de laptops e tablets nas escolas vem provocando debates acalorados sobre o sucesso ou fracasso das práticas governamentais para promover a inclusão digital nas escolas. O histórico das políticas públicas de inclusão digital no Brasil indicam ações distribuídas em duas frentes distintas: uma que pretende realizar a inclusão digital em telecentros localizados na periferia das cidades e a outra é a inclusão digital dentro das escolas. A primeira frente apresenta um perfil voltado para a cidadania, com foco no protagonismo juvenil, na diversidade e na produção cultural das comunidades nas quais os telecentros estão inseridos. É o caso dos programas de inclusão digital como os Pontos de Cultura, Estações Digitais, Casa Brasil etc. As ações de fomento da inclusão digital dentro das escolas buscam um objetivo formador, inserindo aspectos do letramento digital nas ações pedagógicas. As duas frentes apresentam objetivos distintos e encontram inúmeras dificuldades em sua própria especificidade. Ambas necessitam de uma análise profunda das suas ações e uma avaliação cuidadosa dos seus erros e acertos, mas o meu interesse aqui é abordar como o público alvo dos programas de inclusão digital tem se apropriado das propostas. Na maior parte dos casos, a apropriação tem sido muito diferente do que foi planejado inicialmente. Os resultados qualitativos tem indicado que apesar da intencionalidade no direcionamento das políticas de inclusão digital - que insistem em orientar o usuário na sua apropriação do equipamento e nos percursos de navegação - as pessoas que participam desses programas tem dado a palavra final. São elas que estão, efetivamente, dizendo o que querem fazer com o acesso à Internet e o uso dos equipamentos disponíveis (câmeras digitais, filmadoras, som etc). Essa reação dos supostamente "excluídos digitais" deveria servir como uma pista importante para o redirecionamento dos projetos de inclusão de digital e, sobretudo, para que possamos pensar a tal inclusão a partir da perspectiva dos que a desejam e a reivindicam. Um exemplo interessante é o Programa Um Computador por Aluno (PROUCA) do governo federal. O PROUCA distribuiu laptops nas escolas públicas e, embora o seu uso pedagógico ainda seja bastante incipiente, o processo de inclusão digital dos alunos aconteceu. As pesquisas iniciais mostram que independente dos professores, das orientações e de qualquer tipo de formação, os alunos rapidamente se apropriaram das ferramentas existentes no laptop e passaram a navegar com bastante propriedade. Para algumas pessoas não é suficiente, já que é preciso qualificar melhor o tipo de inclusão que está acontecendo, mas eu considero que qualquer tipo de inclusão digital é sempre melhor do que nenhuma.
domingo, 11 de março de 2012
Defesa no CIn/UFPE

Eu costumo comentar e elogiar os meus alunos aqui no blog como uma forma de reconhecer o esforço e divulgar o trabalho que exigiu noites em claro e muito esforço para ser concluído. Eu já participei de várias defesas excelentes, mas não me sinto à vontade para comentar aqui no blog porque o momento de avaliação na banca é muito pontual e eu poderia não captar toda a dimensão do esforço do aluno no meu texto. Abrindo uma exceção, hoje vou comentar a defesa de um aluno de outro programa de pós-graduação e orientando de outro professor. Sexta-feira participei da defesa da dissertação de Marcello Mello, intitulada Visualização de atividades em jogos digitais para fins de avaliação, no Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação (CIn/UFPE). A pesquisa foi orientada pelo Professor Alex Sandro Gomes e teve como co-orientadora a Professora Dilma Tavares Luciano. Apenas para contextualizar: o mês de março costuma ser implacável com os professores da pós-graduação, praticamente todas as defesas acontecem ao mesmo tempo. Nas últimas semanas eu li doze dissertações e confesso que é inevitável não bocejar depois do décimo referencial teórico com os mesmos autores. Por isso mesmo o trabalho do Cello me surpreendeu: ele conseguiu relacionar os teóricos que discutem o uso de jogos na educação com coerência e equilíbrio, fez um esquema muito interessante para resumir a metodologia e apresentou uma ferramenta de visualização da avaliação dos jogos usados pelos professores na plataforma Amadeus com foco nas dificuldades dos professores. Oi? É isso mesmo, o foco da contribuição do trabalho do Cello é transpor os obstáculos que os professores encontram ao usar as ferramentas digitais como estratégia pedagógica. A ideia é que o professor possa visualizar graficamente o desempenho obtido pelos alunos nos jogos utilizados como atividade no AVA (como o tempo de jogo, número de partidas, desempenho etc). Os modelos de visualização propostos no trabalho são muito interessantes: tree (que os professores odiaram!), bubles, tags... Pausa para comentar sobre a visualização em nuvem de tags: eu só descobri que a nuvem se movia igual ao que eu tenho aqui no blog durante a apresentação (que foi brilhante). Ficou lindo e é óbvio que essa foi a visualização preferida dos professores. Assim que o trabalho estiver disponível no site do CIn vou colocar o link aqui no blog. Parabéns ao Cello e seus orientadores, Professor Alex e Professora Dilma! Só tenho a agradecer o convite para participar desse momento.
sábado, 10 de março de 2012
Dia internacional da mulher
Sim, eu sei que estou atrasada para comentar a data, mas fui atropelada pelo trabalho durante a semana. Além da minha desorganização na administração do tempo, qualquer coisa que eu escrevesse sobre o dia internacional das mulheres seria redundante, quem acompanha o blog consegue ter uma ideia do que eu enfrento como professora e mãe de três filhas. Aliás, o fato de ser mãe de três filhas (duas já moças e na luta para fazer valer os seus direitos) e professora do curso de Pedagogia tem reforçado bastante a minha percepção da necessidade de fortalecermos a luta pelos direitos das mulheres. Vale a pena ler os textos maravilhosos sobre a nossa luta em blogs como o da Srta Bia (a feminista lambateira tropical mais fofa da rede), o Blog da Lola e o da Cyntia Semíramis. Diante de tanta luta, é muito bom saber que a tecnologia e o compartilhamento de informações tem ajudado nas denúncias e na reafirmação do papel da mulher em nossa sociedade. O vídeo abaixo (vi primeiro no Blog do Mello) é inquietante demais e um exemplo de como precisamos fortalecer a nossa rede de compartilhamento, disseminação das informações e solidariedade.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Uma defesa perfeita
Hoje foi um dia realmente especial, daqueles que vou lembrar por muitos anos como um exemplo de um dia agradável e perfeito. A manhã começou com a defesa da dissertação da minha orientanda querida, Dagmar Heil Pocrifka. A pesquisa que ficou com título final "A inclusão digital de professores nas políticas públicas no Estado de Pernambuco", apresentou três políticas de inclusão digital: o Professor Conectado (esfera estadual), Professor.com (esfera municipal-Recife) e UCA (esfera federal). A análise de dados contemplou os documentos oficiais dos três programas e as entrevistas realizadas com 30 professores, utilizando o software Atlas TI para a análise de conteúdo. A pesquisa iniciou com a escolha de três categorias a priori fundamentadas na proposta de Warschauer: equipamento, conectividade e letramento. Durante a pesquisa surgiram elementos novos e surpreendentes para nós como a gestão, a usabilidade e o conhecimento do programa que foram elencados como categorias a posteriori. A conclusão final do trabalho foi que a inclusão digital não acontece, de fato, nos programas governamentais de inclusão digital porque os professores que realmente precisam da inclusão continuam à margem do processo, enquanto os que já estão incluídos encontram subsídios para melhorar a sua apropriação tecnológica.
A banca foi formada por professores brilhantes e queridos que deram excelentes contribuições para o trabalho: Sérgio Abranches (UFPE), Sônia Pimenta (UFPB) e Dilmeire Vosgerau (PUC-PR) que co-orientou o trabalho em uma parceria maravilhosa. Trabalhar com Dagmar foi uma das melhores experiências que já tive como orientadora e não poderia deixar de elogiar a sua persistência, comprometimento e capacidade de trabalho.
Ela trabalhou muito e todo o seu esforço foi reconhecido na fala dos professores durante a banca de defesa. É uma pena que o processo de construção da pesquisa não apareça no resultado final e por isso mesmo eu gosto de falar sobre o desempenho do aluno na pós-graduação durante os dois anos de luta. Alguns alunos aproveitam ao máximo a sua formação no mestrado e conseguem sair do curso realmente estruturados e prontos para qualquer desafio da carreira acadêmica. Dagmar, sem sombra de dúvida, faz parte desse grupo. Depois da defesa, fomos almoçar na Oficina Brennand e conversamos tanto que qualquer observador pensaria que era o encontro de cinco amigas de infância que precisavam colocar em dia o assunto de uma vida inteira apenas durante um almoço!
Acabamos comemorando a defesa de Dagmar e o meu aniversário antecipadamente, arrematando o almoço com uma sobremesa maravilhosa que envolvia banana frita, sorvete e paçoca (sim, é para ficar com água na boca mesmo!). Um dia como esse me faz acreditar que a vida merece ser vivida de forma plena e que somos realmente pessoas privilegiadas quando conseguimos reunir ao nosso redor pessoas interessantes, com energia positiva em nível máximo e que realmente gostam de nós. Parabéns, Dag! Você merece!
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
O unicórnio de porcelana
Blade Runner marcou a minha geração antes mesmo de virar cult. Eu assisti pela primeira vez na sessão da meia-noite no cinema da UFF. O simbolismo das dobraduras de unicórnio e a sua relação com a identidade do protagonista (Deckard)era um desafio para a nossa compreensão sobre o enredo. Muitos anos depois, o jovem americano Keegan Wilcox conseguiu apresentar um tema já batido como o nazismo de forma delicada e inusitada. O curta foi premiado no concurso Parallel Lines: Tell it Your Way (linhas paralelas: conte da sua maneira), lançado pela Philips. Curiosidade: Ridley Scott foi um dos julgadores do prêmio.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Amamos David Harvey

Sim, é isso mesmo que vocês leram: eu A-M-O David Harvey. E não é um amor qualquer: já estamos juntos desde 1993! Ele foi fundamental para sustentar teoricamente a minha dissertação e "A condição pós-moderna" foi o meu livro de cabeceira por muitos anos. Harvey construiu uma relação perfeita entre o padrão de acumulação fordista e a acumulação flexível na perspectiva da pós-modernidade. Não satisfeita em usar e abusar do meu geógrafo querido no mestrado, trouxe o seu pensamento para a minha tese de doutorado também. Hoje eu descobri que o meu autor querido vai fazer várias conferências no Brasil, exatamente na semana do meu aniversário! "O geógrafo britânico David Harvey acaba de confirmar visita ao Brasil, a convite da Boitempo Editorial, para realizar as conferências de lançamento do livro "O enigma do capital e as crises do capitalismo". Serão três dias de eventos em universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro: na segunda-feira, dia 27/02, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) recebe Harvey no Teatro TUCA; na terça-feira, dia 28/02, é a vez da Universidade de São Paulo (FAU-USP); e na quarta-feira, dia 29/02, o autor marxista se apresenta na Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ).Todos os eventos são gratuitos e sem necessidade de inscrição". Eu tenho duas bancas nos dias 28 e 29, mas estou seriamente pensando em simular um ataque cardíaco ou uma abdução alienígena para ir ao evento. Só não vou fazer isso porque tenho certeza de que eu não aguentaria a emoção e faria um pedido de casamento (na lata!), mas vocês que são normais e não deliram com amores platônicos por seus autores favoritos, podem aproveitar. Depois, me matem de inveja com os detalhes!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Primeira dissertação defendida

Dia especial: depois de dois anos com muito suor, sangue e lágrimas, o meu querido orientando, José Severino da Silva, defendeu a sua dissertação no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica. A dissertação intitulada A AÇÃO DOCENTE NA EAD: A MEDIAÇÃO DO TUTOR ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA discute a ação da tutoria presente nos documentos oficiais e a prática relatada no discurso dos sujeitos entrevistados. Atualmente eu tenho cinco orientandos em atividade e o José foi o primeiro a defender. A minha tensão ontem era quase insuportável, mas hoje eu estava tranquila para apoiar e segurar as pontas da vítima do meu aluno. Tivemos a honra de contar com a presença dos professores João Mattar e Patrícia Smith na banca examinadora. Os dois deram contribuições muito valiosas para o resultado final da pesquisa. Quero agradecer especialmente ao Professor João Mattar por ter acompanhado a pesquisa de perto e apoiado o meu orientando com grande generosidade e carinho. Muito obrigada! A formalidade da
tortura defesa exige que o aluno apresente o seu trabalho, ouça as considerações da banca e responda aos questionamentos feitos. Fiquei muito orgulhosa e a sensação de dever cumprido se misturou um pouco com a tristeza por ter encerrado uma etapa que demandou dois anos de convivência estreita e trabalho árduo. José foi um aluno dedicado e um orientando comprometido que conseguiu inserir as suas qualidades no resultado do seu trabalho. Ele merece não apenas o reconhecimento pelo seu esforço, mas todo o sucesso que a sua pesquisa trouxe para a sua vida profissional. A grande vantagem da orientação na pós-graduação é observar o amadurecimento no pensamento científico dos nossos alunos. Invariavelmente, eles começam o mestrado dizendo "eu acho que..." e terminam com "eu pesquisei e obtive os seguintes dados". Parece pouco, mas para quem está na linha de frente das orientações, conseguir esses pequenos milagres exige muita disposição, paciência e compreensão. A melhor parte da defesa foi ler a ata final com o resultado da avaliação da banca: APROVADO!
# As fotos foram tiradas por Josivânia Freitas (minha orientanda também) que foi apoiar o amigo querido hoje. Obrigada, Josi!