quarta-feira, 25 de março de 2015

sábado, 7 de março de 2015

Defesas 2015: efemeridade e mídias sociais como recursos pedagógicos

A maratona de defesas 2015 já começou e trouxe boas surpresas para todos. Existe um risco muito grande no meio acadêmico de nos acomodarmos com as estruturas e modelos existentes porque é mais fácil seguir o curso e acatar as proposições estabelecidas do que brigar contra o sistema. Eu busco sempre um caminho mais equilibrado onde eu possa cumprir (mesmo contrariada) as exigências do sistema, mas sempre encontrando um espaço para "quebrar" as estruturas de acomodação porque entendo que só assim é possível produzir inovação. Se não saímos nunca do quadrado e das amarras que nos engessam nos modelos, como poderemos desenvolver coisas novas? Não preciso nem dizer que isso dá muito trabalho e é preciso muita determinação e paciência para não perder o foco e se conformar com a realidade. Sendo assim, nem preciso dizer que dou pulinhos de alegria e esfrego as mãos de satisfação quando um aluno com potencial de inovação se apresenta. Foi assim que eu conheci o meu orientando, Kleber Emmanuel Oliveira Santos, formado em Design na UFPE e com um potencial teórico de tirar o fôlego. Ele ingressou no mestrado do Edumatec com um projeto estruturado no campo da Educação e com uma proposta muito bem amarrada. Eu não participei da seleção e da divisão das orientações porque estava de licença médica e no meu primeiro encontro com Kleber eu já sabia que teríamos um ótimo trabalho ao final, não pelo projeto que ele apresentou, mas por suas inquietações e determinação em fazer algo diferente. Quer dizer, era apenas uma suposição, já que todos os mestrandos enlouquecem em diferentes níveis ao longo do curso e uns encontram o rumo antes do final enquanto outros ficam perdidos para sempre (se você está estudando e ainda não enlouqueceu, aguarde. Se você já concluiu e acha que não enlouqueceu, pergunte aos seus parentes!).

Por coincidência, eu tinha me interessado alguns meses antes por Gilles Lipovetsky, um filósofo francês que trabalha com questões relacionadas com a efemeridade e pós-modernidade e decidimos juntar a questão da efemeridade com o uso das tecnologias digitais, com a ressalva de que não ia ser nada fácil construir uma base teórica que sustentasse a dissertação. O resultado foi a dissertação "As Mídias Sociais estão na moda? Efemeridade e apropriação das Mídias Sociais como recursos pedagógicos" que ele defendeu de forma brilhante no dia 25 de fevereiro. Agradeço imensamente as contribuições da banca - Professor Marcos Dornellas e Professora Thelma Panerai - que trouxe uma discussão teórica de alto nível e a sugestão de publicação. Eu tenho muito orgulho dos meus alunos porque sei muito bem o que é realizar um percurso tão penoso e defender um trabalho que é resultado de dois anos de pesquisa. Com Kleber fiquei mais orgulhosa ainda porque ele não teve medo de inovar, mesmo quando o próprio sistema se voltou contra ele. A resposta da luta está no trabalho impecável, com uma metodologia tão bem construída que deve servir de modelo. Enfim, um trabalho tão bem realizado que vou indicar para publicação no próximo edital de defesa de dissertações e teses. Ele realmente merece!

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