segunda-feira, 23 de março de 2020

Fim da primeira semana de isolamento social

Em mais de meio século de vida, assisti filmes e li vários livros que descreviam cenários de um futuro distópico, com a humanidade enfrentando o seu fim e poucos sobreviventes tentando reconstruir as estruturas sociais e materiais. Acredito que o último filme tenha sido "Interestelar" e a praga retratada no filme estava relacionada com o ambiente, não com as pessoas. São situações que deveriam ficar no campo da imaginação e nada nos preparou para a angústia de ver esse cenário se tornar realidade. A cada notícia que é publicada, aumenta o nível de apreensão e passamos a temer, diariamente, não apenas pelas pessoas que amamos, mas por todos que enfrentam a pandemia e que se tornam vítimas, direta ou indiretamente, dela. As notícias inicialmente chegaram devagar e, nós que trabalhamos com um público grande, começamos a nos preocupar. É alarmismo? É real? É preocupante? Trabalhar em um local com muitos cientistas fez com que soubéssemos antes da maioria das pessoas do cenário sombrio que estava por vir. Quando você presencia o pânico de um epidemiologista que passou a maior parte de sua vida adulta cultivando cepas de vírus perigosos no laboratório, é hora de começar a se preocupar... Entre a primeira nota oficial afirmando que não havia necessidade de suspensão das atividades acadêmicas e o cancelamento de praticamente tudo dentro da universidade, se passaram dois dias, com uma reunião de reitores em pleno domingo à tarde. Dois dias! Estou em casa desde o dia 16, com algumas saídas rápidas para ir ao banco, farmácia e supermercado. Nos primeiros dias da semana ainda fiz algumas coisas rápidas em ambientes maiores (ir ao banco dentro do shopping porque eu precisava ir em dois bancos diferentes), buscar remédio e fazer uma aula de yoga. As notícias pioraram, foi detectado o primeiro caso aqui e o governo estadual fechou shoppings e proibiu qualquer tipo de aglomeração. As lojas de rua, bares, restaurantes, academias e a fábrica onde minha filha trabalha continuaram funcionando. Hoje, apenas sete dias depois das primeiras medidas, suspenderam a circulação de ônibus, apenas os serviços essenciais estão funcionando e a fábrica fechou. No meio desse cenário de incertezas e informações desencontradas, a universidade bloqueou os ambientes virtuais de aprendizagem dos nossos cursos de graduação a distância! A nossa única forma de comunicação com os alunos foi bloqueada e isso me deixou tão furiosa que não tenho nem palavras para descrever... Só quem não entende lhufas sobre a dinâmica da EaD poderia considerar isso uma ideia razoável, os nossos alunos estão no interior, se sentem inseguros e nós professores temos um papel fundamental para manter a tranquilidade de todos. Eu consegui colocar uma última mensagem explicando a suspensão das atividades e orientando os alunos em relação aos prazos das atividades, mas não sei se alguém teve alguma dúvida. A justificativa oficial é que todas as atividades acadêmicas estão suspensas, inclusive a EaD. Eu sou bem tranquila em relação ao trabalho e dificilmente alguma coisa profissional consegue me irritar: já lidei com colegas desleais, chefes incompetentes e funcionários irresponsáveis. Eu não fiquei só irritada, eu fiquei furiosa porque penso que é inadmissível o rompimento das relações entre professores e alunos, sobretudo quando os alunos estão distantes e fragilizados. Não adianta apontarmos para os erros do governo federal que atua de forma omissa, autoritária e cruel se não identificamos esses mesmo elementos nas nossas relação hierarquizadas quando o momento exige colaboração, cooperação e, sobretudo, empatia. Minha função como professora vai além de transmitir conteúdos e desenvolver o processo de aprendizagem, é minha obrigação proteger os meus alunos e garantir que eles estejam informados e tranquilos. Enquanto leio documentos com as palavras "proibido, suspenso, impedido etc", continuo pensando que é possível uma universidade humanizada em todos os níveis e estou determinada a trabalhar muito para isso!

sexta-feira, 20 de março de 2020

Atividades acadêmicas suspensas na UFPE

Todas as atividades acadêmicas estão suspensas na UFPE do dia 19 até o dia 31/03. Segundo as informações da ASCOM UFPE, "A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e as universidades que compõem o Consórcio Pernambuco Universitas e os Institutos Federais do Estado de Pernambuco assinaram conjuntamente a decisão pela suspensão de atividades acadêmicas presenciais no período de 16 a 31 de março. No comunicado, há indicativo que as atividades remotas, os serviços essenciais e ações administrativas específicas seriam definidas por cada instituição. As razões da suspensão têm por objetivo reduzir a circulação das pessoas e colaborar nas medidas de combate à propagação do Covid-19". Todas as atividades programadas do Seminário do Edumatec foram canceladas e a secretaria do PPGEdumatec está atendendo as demandas dos alunos e professores remotamente. As informações sobre o funcionamento de outros setores da universidade podem ser acessadas aqui.

Se cuidem, cuidem dos outros e cuidem dos idosos e das pessoas vulneráveis!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Equilíbrio físico e mental no CIn

Na última terça coordenei uma conversa com o pessoal de uma startup no CIn/UFPE sobre o equilíbrio físico e mental. Meu exemplo sempre é o Yoga, mas existem vários caminhos possíveis na busca por uma vida mais saudável e equilibrada. Cada um deve encontrar a atividade com a qual mais se identifica e fazer escolhas que beneficiem a sua saúde física e mental. A minha jornada começou com uma tragédia na minha vida, mas ninguém precisa esperar a vida virar de cabeça para baixo para começar a mudar.

Falei sobre os assédios que sofremos diariamente, das expectativas irreais, dos nossos limites e da minha experiência (não, não foi papo coach palestrinha, Deusmelivre de dizer aos outros o que fazer na vida...). Espero que a conversa tenha sido útil e que eu possa ter ajudado um pouco na reflexão de cada um. Adorei o momento e a oportunidade de conversar com pessoas jovens que estão com todas as condições de pavimentar um futuro melhor. Gratidão pelo convite!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Adeus, 2019!

Finalmente, chegamos ao fim de um ano pesado e que pareceu durar muito mais do que apenas doze meses. Foi um ano com muitas inquietações, resistências e lutas, mas também com algumas conquistas e momentos de felicidade. Foi também um ano em que as pessoas se revelaram (para o bem e para o mal) e isso é algo que eu não lamento, mesmo que signifique algumas rupturas e distanciamentos necessários. Foi um ano de separar o joio do trigo e a cada avanço do preconceito e da injustiça, mais eu consolidava a certeza de estar lutando ao lado de uma causa justa. Nunca, nem em meus piores pesadelos, eu pensei que viveria meio século para ter que defender coisas tão óbvias como o direito das mulheres, a importância das vacinas, o absurdo do racismo e da homofobia, o formato da Terra, entre outros temas exaustivos. Definitivamente, os anos de ouro da minha adolescência (a cafona década de 1980 com ombreiras, polainas e glitter) foram muito mais liberais e tranquilos.
Fiz tantas coisas neste ano que ele deveria valer dobrado na pontuação da vida pessoal e acadêmica: comecei o ano visitando uma amiga querida que eu não via há anos, depois tirei a minha licença capacitação para trabalhar com o pessoal do CEA/UFPB e conheci muitos professores e alunos bacanas, ajudei quando fui chamada e também meti o bedelho quando não fui. Aprendi tanto que cada minuto valeu a pena: muito obrigada, Professor Euler!
Fiz uma viagem linda e adiada por tantos anos, uma viagem mágica que me trouxe de volta o prazer de viajar pelo mundo e me fez repensar o significado de férias como momento de pausa e descanso. Coordenei a organização de um evento incrível sobre tecnologia e educação, o CTRL+e 2019, com pessoas queridas que se juntaram para encantar as pessoas e multiplicar otimismo e conhecimento. Publicamos um número temático incrível sobre narrativas digitais na revista Em Teia, resultado da minha parceria e amizade com a querida Thelma Panerai.
Fortaleci amizades antigas e consolidei novas, mas também descartei o convívio com pessoas que definitivamente não valem a pena. Acompanhei o término da jornada acadêmica dos meus orientandos com um orgulho do tamanho do mundo e testemunhei a cerimônia de posse do novo reitor da UFPE, um professor do Centro de Educação que tem todo o meu apoio e admiração.
Aprofundei os meus estudos no Yoga e segui firme na minha prática, consolidando essa jornada que mudou o meu corpo e a minha vida. Senti a violência no meu espaço de trabalho e resolvi montar um projeto de extensão com aulas de Yoga para alunos, professores e funcionários. Nunca pensei que essas aulas me trariam tanta felicidade e amor!
Terminei o ano assumindo a coordenação do Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica da UFPE, uma responsabilidade enorme em tempos tão difíceis e justamente no período de avaliação dos programas de pós-graduação. Foi um ano que exigiu muito de mim, mas que também permitiu que eu doasse o melhor para as pessoas que precisaram.
Finalmente, eu entendi o significado da generosidade de quem aceita o nosso apoio. Vou chegando em 2020 com um sentimento de gratidão enorme por tudo que tenho vivido e com a certeza de que é preciso ser melhor sempre. É preciso ser muito mais porque se tivéssemos feito o suficiente, não estaríamos testemunhando tanta intolerância, ódio e preconceito. Sim, falhamos e precisamos (e vamos) fazer muito mais! Se 2019 foi o ano da resistência, 2020 é o ano da esperança. Feliz ano novo para todos e todas!



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