sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Cerimônia de posse do reitor e vice-reitor da UFPE

Aconteceu hoje a cerimônia de posse do novo reitor e vice-reitor da UFPE, Professores Alfredo Gomes e Moa. Eu passei a maior parte da minha vida adulta dentro de universidades públicas, mas nunca tinha assistido uma cerimônia de posse de reitor. Os rituais são mesmo medievais, com muita pompa e circunstância, mas quer saber? Foi lindo! Pode ser que seja por causa das incertezas políticas, do contexto obscuro que promove ataques ao conhecimento e tem nas universidades o seu principal alvo, mas tudo pareceu perfeitamente adequado. Cada discurso e cada simbolismo nos fez lembrar da função da universidade e da importância do nosso papel da sociedade. Estamos mais sensíveis, vulneráveis diante de tantos absurdos e, na minha opinião, os rapapés e rituais de transmissão do cargo me pareceram estranhamente reconfortantes. O auditório estava cheio, o ataque que as universidades vem sofrendo foi lembrado várias vezes, os discursos foram poéticos e conciliadores, com referências importantes e questões atuais, como sustentabilidade e diversidade.

Foi uma posse repleta de afetividade, de esperança e de alívio porque o processo democrático foi respeitado. Tempos estranhos em que temos dúvida sobre o que deveria ser líquido e certo... Sabemos que houve muita luta para que o processo eleitoral da consulta à comunidade acadêmica fosse respeitado, mas também sabemos que a resistência, o senso de justiça e indignação existem fortes em cada um de nós. Hoje foi emocionante não só porque era uma solenidade de posse de um reitor do Centro de Educação, mas também porque hoje foi dia de comemorar a vitória da democracia. E quando a democracia vence, voltamos a sentir a única coisa que nos faz ter vontade de viver e mudar o mundo: a esperança!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Habemus Reitor!

Foi publicado ontem o decreto com a nomeação do novo reitor da UFPE, Professor Alfredo Gomes. Ele foi diretor do Centro de Educação e candidato mais votado em todos os segmentos da comunidade acadêmica. Apesar das ameaças absurdas de alguns grupos externos que queriam tumultuar o processo, a escolha foi respeitada e a democracia fortalecida. Agora é apoiar a nova gestão para continuarmos trabalhando duro e manter a UFPE no ranking das dez melhores universidades brasileiras. O mandato do novo reitor começa no dia 13 de outubro e as notícias dos principais jornais sobre a nomeação e uma entrevista com Alfredo estão nos links a seguir.

Folha PE (entrevista)

ASCOM UFPE

G1 Pernambuco

JC Online

Paz!

Carta Aberta da Comunidade do Centro de Educação da UFPE

Nós que fazemos a comunidade do Centro de Educação da UFPE, docentes, estudantes, pessoal técnico e de apoio, vimos de público manifestar nossa consternação e nosso posicionamento sobre o ato de violência ocorrido em nosso Centro, no último dia 02 de outubro de 2019.

Na tarde deste dia, enquanto ocorria uma série de atividades acadêmicas e socioculturais no Centro, com ampla participação de nossa comunidade, um de nossos estudantes entrou com uma faca nas dependências do CE e agrediu de forma violenta outro estudante. As pessoas presentes, apesar do choque inicial, reagiram a tempo de evitar uma tragédia maior. O agressor foi contido, a segurança institucional e a polícia foram acionadas e a vítima foi socorrida imediatamente. Felizmente, apesar da dor, do trauma e dos ferimentos graves, o estudante agredido está se recuperando bem e, provavelmente, deve ter sua saúde reestabelecida. O estudante que realizou a agressão foi imediatamente detido e terá de responder pelos seus atos perante a justiça. Conforme tomou-se conhecimento posteriormente, a agressão absurda e injustificável foi motivada por razões pessoais e fúteis, como muitos dos crimes violentos que ocorrem em nossa sociedade. Diante dessa situação traumática e hedionda, que deixou perplexa e profundamente abalada nossa comunidade, apresentamos as seguintes considerações:

Infelizmente, estamos conscientes de que esse tipo de ataque violento não tem sido algo raro e incomum em nossa sociedade, o que inclui os espaços educacionais do país. Quem conhece e estuda o campo da educação sabe que têm se tornado cada vez mais frequentes os casos de violência ocorridos nos espaços escolares e acadêmicos, quer por agressores externos ou por pessoas da própria comunidade. Esses casos de violência têm sido alimentados por uma cultura de objetificação das outras pessoas, de incentivo a uma competitividade cada vez mais agressiva e acirrada, de produção e exploração do ressentimento social contra pessoas e grupos vulneráveis e de espetacularização da própria violência.

No contexto atual essa situação tem se tornado mais dramática a partir do crescimento de grupos que esvaziam os espaços democráticos afirmando em seu lugar a violência e o autoritarismo como práticas para a vida em sociedade. Efetivamente, não são poucas as pessoas de nossa Universidade e de nosso Centro, especialmente mulheres, pessoas negras, jovens da periferia e pessoas LGBT+, que têm sido vítimas frequentes de situações de violência simbólica, psicológica e física nos diversos espaços sociais em que vivem. No entanto, a violência, por mais comum que se apresente, não é aceitável, nem deve ser tomada como normal. Nesse sentido, reforçamos nosso compromisso pela produção de nosso espaço como um ambiente de cuidado com todos e todas no cotidiano do Centro de Educação. Nos dois dias que se seguiram ao caso de agressão foi realizada uma série de reuniões abertas com toda a comunidade do Centro de Educação e com pessoas dos setores de apoio psicossocial da UFPE. A partir das partilhas em relação à situação e das discussões realizadas, estão sendo produzidos os seguintes encaminhamentos para iniciar o enfrentamento emergencial da situação:

1. Encaminhar os procedimentos institucionais para que todas as pessoas e famílias diretamente envolvidas na situação tenham o acompanhamento necessário por parte da UFPE. Cuidar, especialmente, para que o estudante que foi vítima direta da agressão e sua família tenham o atendimento médico, psicológico, social e acadêmico necessários para que ele possa recuperar-se plenamente e retomar seu processo de formação acadêmica e profissional;

2. Realização de uma série de atividades de acolhimento, partilha e reflexão para a comunidade acadêmica do CE a partir da segunda-feira, 7 de outubro, e ao longo dos próximos dias, para facilitar o processo de elaboração psicológica coletiva da situação traumática vivenciada, assim como, acionar os setores de apoio psicossocial da UFPE para oferecer um acompanhamento individualizado a estudantes, docentes e pessoal técnico e de apoio, nos casos em que for necessário;

3. Iniciamos um processo de revisão e aprimoramento, a partir da avaliação da situação ocorrida, dos mecanismos de segurança e dos planos de ação emergencial em casos de violência e acidentes na UFPE e no Centro de Educação, com atenção especial aos aspectos de preparação da comunidade, comunicação emergencial, primeiros socorros e equipamentos de segurança;

4. Foi constituída uma equipe multidisciplinar para proceder análise do fenômeno da violência em espaços educacionais, considerando suas implicações para o CE, e para planejar e desenvolver ações, de médio e longo prazos, voltadas para o fortalecimento de dinâmicas pacíficas, democráticas e criativas de trabalho e convivência em nosso Centro, buscando compreender e enfrentar, da melhor forma possível, a disseminação e aprofundamento das lógicas psicossociais que têm contribuído para agudizar o problema da violência no contexto brasileiro contemporâneo.

Apesar do dano que essa violência provocou em toda a comunidade que faz o Centro de Educação, à UFPE e aos demais envolvidos, entendemos que é importante não nos deixar dominar e abater pelos sentimentos de tristeza, frustração, desânimo e raiva. Consideramos que a melhor resposta que podemos oferecer à ameaça representada pela eclosão da violência é intensificar e trabalhar com mais firmeza o processo de formação acadêmica, subjetiva e humana que já vivenciamos todos os dias no Centro de Educação. Vamos seguir abraçando com mais firmeza, apesar de todas as tentativas de deslegitimação, desmoralização e desmonte da educação pública, nossa convicção e nossa confiança em nosso papel na construção de um país e de uma realidade mais justa, democrática, igualitária, solidária e afetuosa.

Recife, 7 de outubro de 2019.

domingo, 22 de setembro de 2019

Número novo da Revista Em Teia

Publicação nova (v. 10, n. 2) da Revista de Educação Matemática e Tecnológica Iberoamericana - Em Teia, com vários artigos interessantes para os professores de Matemática. A revista pertence ao programa de pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica - Edumatec, do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. Boa leitura!

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Catálogo de jogos interdisciplinares no ciclo de alfabetização

Depois de muito (mas muito meeeesmo) aguardar, saiu a publicação do Catálogo de Jogos Interdisciplinares no Ciclo de Alfabetização! Conseguimos que o catálogo fosse publicado como e-Book pela editora da universidade. Pausa para o desabafo: preciso dizer que a única ambição institucional que eu tenho na minha vida é assumir a direção da nossa editora universitária e dar um jeito na lentidão do processo de publicação. Posso garantir que o fluxo seria tão eficiente que Henry Ford levantaria da tumba para me cumprimentar! Minha gente, não é possível que um livro fique mais de dois anos na fila para ser publicado, ainda mais sendo um e-Book! Sim, estou passada no azeite de dendê e lavando roupa suja na rede, mas a minha paciência é muito curta quando o assunto é disseminar o conhecimento através dos livros. Não é um aborrecimento pessoal ou direcionado para pessoas, penso que qualquer produção da universidade merece ser tratada como prioridade, compartilhada e divulgada aos quatro ventos na maior velocidade possível! Fim do desabafo, vamos voltar ao catálogo que é o que nos interessa.

Eu e Cristine Pessoa planejamos e organizamos o catálogo e contamos com a parceria das professoras formadoras, Laís Thalita Santos e Lucicleide Bezerra. O catálogo teve a valiosa contribuição das professoras da rede pública de ensino de Pernambuco que participaram da Oficina de Jogos Interdisciplinares no Ciclo de Alfabetização, no âmbito da formação de professores do PNAIC (Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa) - PE. Quando pensamos na construção desse material, optamos por inserir diferentes tipos de jogos e brincadeiras, desde os mais simples até os jogos digitais. Incluímos jogos de tabuleiro, jogos criados pelos professores, jogos comerciais e jogos que fazem parte da nossa cultura popular. Listamos os conteúdos e objetivos relacionados com o ciclo de alfabetização para cada jogo e apresentamos exemplos de atividades. Além de colaborativo, o catálogo ficou uma fofura e está disponível gratuitamente para quem quiser ler/usar/reorganizar/recortar/aproveitar! Se joguem, miguxos!

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Banca na pós-graduação em Enfermagem

Eu gosto muito de participar das bancas de mestrado e doutorado na pós-graduação em Enfermagem, a linha Educação e Saúde tem produzido trabalhos muito interessantes com o uso das tecnologias digitais. Tenho acompanhado a criação de podscast, vídeos e jogos para a conscientização da população e ações preventivas de saúde. Penso que é muito importante participar do processo de avaliação de pesquisas com outros referenciais teóricos e metodológicos, os percursos de pesquisa são outros e podemos nos apropriar de muitos elementos interessantes das outras áreas nas pesquisas sobre Educação. Aprendo muito mesmo e também tenho a oportunidade de contribuir com outra área do conhecimento. No meio da correria louca da semana passada, participei da banca de Josiete Tavares, orientanda da professora Eliane Vasconcelos. A proposta do trabalho foi construir um vídeo para esclarecer melhor o procedimento do Hemope com os doadores de sangue que não retornam quando os resultados indicam alguma doença. Durante as entrevistas, ela descobriu que 15% dos doadores são analfabetos e não conseguem ler os panfletos informativos que estão disponíveis nas salas de coleta de sangue. Além dos analfabetos, muitos tem dificuldades na leitura porque não entendem os termos técnicos dos textos. O vídeo foi produzido por Adson Alves (ex-aluno do Edumatec) e ficou lindo!! Eu me emocionei várias vezes quando li o trabalho e chorei na defesa porque me dei conta do quanto continuamos falhando como sociedade... Josiete fez questão de dizer que cursar a disciplina que ofertamos no Edumatec foi fundamental para construir o seu trabalho e que somos professoras inspiradoras para ela. Aí foi demais, chorei mesmo e tenho fotos para provar!

domingo, 1 de setembro de 2019

Ctrl+e 2019

Canal Ctrl+e 2019

Todas as sessões do Ctrl+e 2019 foram transmitidas ao vivo e os vídeos estão disponíveis no Youtube. Tudo para quem perdeu o evento ou alguma atividade, é só clicar na imagem e escolher a sessão:

#Cada vídeo tem o sangue, suor e lágrimas do Eduardo Sá, responsável pela tarefa hérculea de transmitir o evento. Não foi brincadeira, o esforço foi enorme. Então, cremosos e cremosas, ASSISTAM!:)

O Ctrl+e 2019 foi um sucesso!

Foram três dias intensos, com muitas conversas, reflexões, demonstrações e coisas para fazer. Organizar um evento não é fácil, mesmo quando estamos na companhia de gente querida e parceira, como Thelma Panerai (coordenadora dos artigos reumidos), Patrícia Smith (coordenadora do espaço da pós-graduação), Alex Sandro Gomes (coordenador geral), Taciana Pontual (coordenadora dos artigos completos), Lebiam Tamar (coordenadora das sessões técnicas), Ricardo Souza(coordenador das demonstrações), Danilo Monteiro (coordenador das oficinas)e Tancicleide Gomes(coordenação da divulgação). Trabalhamos mais de 12 horas por dia, mas cada minuto dedicado ao evento retornou para nós na forma de receptividade, carinho e satisfação de todos que circularam pelos corredores do Grand Mercure. Recebemos professores, técnicos, alunos, convidados e até crianças de todos os lugares do país. Ficamos felizes com o sucesso do evento que vimos registrado nos agradecimentos, nas conversas dos corredores, no entusiasmo dos participantes e na execução das atividades. A união de dois grandes Centros da UFPE, CIn (Centro de Informática) e CE (Centro de Educação), foi a parceria perfeita para que o evento abordasse o melhor dos dois universos.

Trabalhamos muito, mas a nossa maior satisfação foi com o desempenho dos nossos alunos. Os mestrandos e doutorandos do Centro de Educação cuidaram do acolhimento nas sessões e os alunos do CIn da UFPE e da UFRPE cuidaram da transmissão ao vivo de todas as palestras e oficinas. Todos trabalharam com maturidade e comprometimento: foram parceiros, apoiaram uns aos outros e deram todo o suporte necessário ao evento. Ao mesmo tempo em que estavam trabalhando, assistiram as palestras, conheceram pessoas novas, divulgaram os seus trabalhos e fortaleceram as suas redes. Cresceram e se tornaram gigantes e assim como os nossos filhos, soltaram as nossas mãos e foram embora ganhar o mundo.

Eu não gosto muito de usar a palavra gratidão em todos os momentos porque ela não é sinônimo de obrigado, mas nesse caso o sentimento é gratidão mesmo, não apenas pelo incrível trabalho que todos realizaram, mas por ter a oportunidade de ver o crescimento de todos com os meus próprios olhos. Os dias não foram apenas intenso por causa do trabalho, foram também repletos de emoção e satisfação. Fizemos o evento para os outros, e ao nos doar de forma tão espontânea, agregando as nossas energias de forma tão positiva, fomos recompensados: nos tornamos um só! Muito obrigada, queridos e queridas!

domingo, 18 de agosto de 2019

Formação de professores: Almanaque Ilustrado de Alfabetização

Passei os últimos três dias em Garanhuns, com outros professores da universidade, para realizar uma formação sobre o Almanaque Ilustrado de Alfabetização para professores da rede pública de Pernambuco. O material foi produzido pelo CEEL/UFPE para a Secretaria de Educação de Pernambuco. O Almanaque ficou uma belezura, a diagramação e a qualidade da reprodução produziram um resultado fantástico, e a proposta aqueceu corações e mentes no frio de 16 graus da cidade. A proposta do Almanaque é apresentar atividades diversificadas que desenvolvam as competências e habilidades necessárias para a apropriação da leitura e da escrita.
O contexto é a cultura pernambucana com as especificidades físicas, econômicas, culturais e sociais de cada região, procuramos contemplar todas as regiões de Pernambuco nas abordagens. Como autora das atividades de Geografia, foi emocionante ouvir a opinião dos professores e observar o encantamento de todos com o material. A criatividade dos professores é inesgotável e durante a formação surgiram propostas de uso dos materiais que foram muito além do que eu tinha imaginado. Arrasaram!
O Almanaque vem acompanhado de uma coletânea de textos e atividades, além dos manuais do professor com as orientações sobre a proposta. Todo o material foi produzido por uma equipe de professores da UFPE que pesquisa temas relacionados com a alfabetização e desenvolve várias ações de formação de professores e políticas públicas de alfabetização há muitos anos. Eu espero que esse material facilite o trabalho dos professores do ciclo de alfabetização e, principalmente, que traga felicidade para os alunos, tornando o percurso de aprendizagem bem mais leve para todos!

UFPE na luta!

Na última terça, dia 13, professores e estudantes foram para as ruas em defesa da universidade e contra a proposta do governo chamada "Future-se". A situação é muito grave e não é só o futuro das universidades que está ameaçado, as próximas gerações irão sofrer com o ataque que todos os segmentos da Educação estão sofrendo hoje. Vamos resistir porque temos o compromisso ético e legal de defender o patrimônio público e o futuro da ciência e do país. Hora de lutar!

#A foto que ilustra esta postagem foi cedida pela professora Thelma Panerai e registra os colegas da UFPE durante a manifestação na cidade do Recife.

sábado, 3 de agosto de 2019

Trilhas da democracia na UFPE

Na próxima terça-feira, o programa "Trilhas da Democracia" reunirá dois professores e ex-gestores de políticas públicas do ensino superior para uma conversa sobre o "Future-se". A seguir, reproduzo o texto com as informações do programa, divulgado no site da UFPE:

O programa Trilhas da Democracia da próxima terça-feira (6) conversa com professor Sérgio Rezende, da UFPE, e ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula, e Amaro Lins, ex-reitor da UFPE, ex-secretário de Educação Superior do MEC no governo Dilma, sobre Educação, Ciência e Tecnologia no Brasil.

Durante o debate, os dois convidados analisaram o “Future-se” – programa proposto pelo atual governo às universidades públicas federais. A entrevista será exibida às 21h30, na TVPE pelos canais digitais 46.1, em Recife e Grande Região, 12.1, em Caruaru, e 13.1, em Petrolina. Será reproduzida também no canal do programa no YouTube (Trilhas da Democracia).

Com coordenação e apresentação do historiador e professor da UFPE Marco Mondaini, o Trilhas da Democracia promove entrevistas e debates semanais, que são exibidos na TVPE sempre às terças, às 21h30, com reapresentação aos domingos, às 19h, no canal digital 46.1 e no canal do programa no YouTube. Para mais informações, acompanhe as redes sociais do Trilhas da Democracia: Instagram: @trilhasdademocracia; Twitter: @t_democracias. No Facebook, basta buscar pela página “Trilhas da Democracia”.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Future-se? Não, obrigada.

Depois da inacreditável estratégia de divulgação para um programa que não teve sequer uma única discussão realizada com a comunidade acadêmica, temos algumas análises da proposta do governo para o futuro (oi?) das universidade públicas e gratuitas brasileiras. Como era de se esperar, as análises apontam os absurdos da proposta e o ataque dissimulado com o apelo de modernização para as universidades e ryqueza (sim, bem blogueirinha) para os professores. Pausa para respirar fundo: -Fio, professor nenhum do ensino superior escolheu essa profissão pensando em ficar rico, talkei?

Nem Fu, nem Fa, como podemos concluir após ler as análises de pesquisadores das políticas de ensino superior e gestores de universidades públicas brasileiras muito bem qualificadas no ranking internacional. Trouxe algumas análises que foram publicadas no site do Jornalistas Livres com a matéria intitulada "Future-se: um salto para o passado" e o posicionamento de algumas universidades: leiam nos links a seguir, reflitam, lutem e resistam!

Análise preliminar do Future-se, por Roberto Leher (UFRJ).

Minuta do Projeto de Lei do Future-se

Contra o “Future-se”, novo tsunami da educação

Programa Future-se representa a extinção da Educação Federal Pública

"Com certeza, nós vamos dizer não ao Future-se", antecipou a reitora da UFPB.

Projeto de Bolsonaro ameaça gratuidade na educação superior, diz reitor da UFABC

Future-se é alvo de críticas de reitores e professores

Future-se. A privatização da universidade pública

Federais do Rio criticam o Future-se: "Evidente ausência de políticas educacionais".

‘Future-se’: nome plagiado e os protestos de reitores e estudantes

sábado, 27 de julho de 2019

Documento da ANPEd sobre ética na pesquisa em Educação

A ANPEd (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação) disponibilizou o documento com orientações sobre a ética na pesquisa em Educação. Segundo o site da ANPEd, "o documento, organizado em forma de verbetes, constitui uma segunda fase dos trabalhos da comissão. A primeira fase construiu um documento de diretrizes gerais já apresentado na Assembleia da Associação em 2017. A importância do debate da Ética na Pesquisa em Ciências Humanas e no âmbito da pesquisa em Educação vem sendo preocupação da ANPEd há bastante tempo. Espera-se que o documento fomente bons debates para pesquisa em educação e que, uma vez apresentado a todos os sócios individuais e institucionais, possa ser referendado como Documento de Diretrizes da ANPEd para Ética na Pesquisa em Educação na Assembleia na 39ª Reunião Nacional da ANPEd em Niterói, em outubro de 2019".

Esse debate é urgente em função das dificuldades que os pesquisadores em Educação encontram para submeter os seus projetos de pesquisa nos comitês de ética que utilizam parâmetros e critérios da área da Saúde para avaliar os projetos. A questão é que os procedimentos da área de Saúde com seres humanos envolvem problemas muito diferentes do que encontramos na área de Educação. Invariavelmente, os pesquisadores perdem muito tempo justificando procedimentos e metodologias que são práticas recorrentes e adotadas na área para especialistas de outras áreas do conhecimento. O documento aborda essa questão e amplia a discussão com elementos bastante interessantes, como a pesquisa com indígenas e quilombolas, financiamento privado, confidencialidade, vulnerabilidade, pesquisa online, consentimento, entre outros assuntos.

A ANPEd está propondo uma discussão sobre o tema com a possibilidade de criação de comitês de ética específicos para as áreas de Ciências Humanas e Educação, algo que eu acho que já devia ter acontecido há muito tempo. Por outro lado, eu não concordo totalmente com o autor do tópico "pesquisa online" sobre o uso de dados coletados na rede: na minha opinião, todo material publicado na rede deve ser analisado como um documento e não depende da autorização dos seus autores para o uso na pesquisa. O argumento utilizado no texto para justificar o pedido de autorização é ruim, mas penso que é algo que precisamos discutir mesmo, sobretudo nos programas de pós-graduação com pesquisas sobre tecnologias digitais e Educação. Bom, o documento completo está disponível aqui, provavelmente teremos entendimentos bastante diferentes sobre algumas questões e isso é ótimo!

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Mulheres da Ciência 2019

Fiquei super animada em saber que será realizado o encontro Mulheres da Ciência 2019, entre 21 e 23 de agosto, na Universidade Federal de Pernambuco. O evento é organizado pelo grupo Bertha, composto por doze mulheres e a comissão organizadora é oriunda da UFPE e UFRPE. "Este é um evento que ocorre anualmente em Recife, na Universidade Federal de Pernambuco, com o objetivo de promover o diálogo entre profissionais e estudantes das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Para isso, o Mulheres da Ciência conta com uma programação dinâmica e diferentes temas divididos em dois eixos principais: questões sociais de gênero e produção científica feita por mulheres". As inscrições no evento serão realizadas mediante a entrega de kits de produtos de higiene pessoal entregues nos pontos indicados no site do evento e nas redes sociais

Fiquei animada porque além da importância do evento no contexto em que estamos vivendo atualmente, com tantas agressões contra as mulheres, estou estruturando um projeto de extensão com foco na questão de gênero e equidade da Educação Básica. A ideia é desenvolver uma formação para os professores da Educação Básica com foco em ações que incentivem meninas a se interessarem pela área de Ciências e Tecnologia. As ações no ensino superior são importantes e muito necessárias, mas penso que precisamos pavimentar o interesse das meninas pelas áreas de Ciências desde cedo, oferecendo condições para que elas possam desenvolver o seu potencial. Os professores da Educação Básica podem ajudar neste processo e muitas vezes precisamos apenas colocar o assunto para discussão e pensar juntos em ações que podem mudar o cenário que temos hoje.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Resistência nas redes: o blog como um instrumento de luta

A minha primeira postagem aqui no blog foi em 2007, criei esse espaço como um instrumento de diálogo e conexão com pessoas de diversas partes do Brasil e do mundo. Durante muito tempo funcionou bem, os professores que iniciavam os primeiros passos no contexto da cultura digital utilizavam o blog como um espaço de registro de suas experiências, dúvidas e compartilhamento de soluções. Foi um momento muito rico, com trocas entre diversos professores da Educação Básica. Eu conheci pessoalmente alguns desses professores blogueiros (chamávamos de "desvirtualizar a amizade") e até me casei com um deles! Com o surgimento de diversas plataformas de redes sociais, os blogs foram perdendo a sua função ou assumindo funções diferentes de sua proposta inicial. Muitos professores migraram a sua atuação virtual para o Facebook e outras redes, mas se por um lado esse movimento ensejava uma audiência maior e mais dinâmica, por outro lado as informações se tornaram dispersas e muitas coisas se perderam na efemeridade das redes sociais. Continuo acreditando que o blog é um espaço perfeito para os usuários publicarem as suas narrativas e compartilharem informações de forma organizada e com relativa facilidade de acesso e recuperação da informação. É possível observar o abandono dos blogs ao longo dos anos e minha atuação não foi diferente. Analisando o meu registro de publicações, vejo que passei de 115 publicações anuais em 2010, para apenas 10 publicações em 2018. A minha atuação nas redes sociais hoje ocorre em plataformas como Twitter, Instagram, Pinterest e Facebook, com abordagens e estratégias de uso bastante diferentes. No Twitter faço uma militância política contundente, no Instagram publico fotos relacionadas com viagens, comida, Yoga e um pouco de registro de trabalho. No Pinterest publico fotos de decoração, cachorros e viagens, já no Facebook registro as minhas atividades de trabalho e um pouco de política. Penso que cada plataforma tem o seu propósito e modo de uso, implico solenemente com quem replica as mesmas publicações em todas as redes. Também tenho estratégias diferenciadas, as minhas contas no Facebook e Instagram são fechadas e o Twitter é aberto. A minha regra de uso é restringir as informações pessoais e deixar visível para todos as questões relacionadas com o coletivo. Estou contando isso tudo porque decidi retomar o meu uso inicial do blog como um espaço de registro das atividades relacionadas com o trabalho, ampliando também para as questões que tangenciam esse universo: discussões sobre a cultura contemporânea, entretenimento, panorama do mundo, viagens e, sobretudo, como um instrumento de resistência ao ataque desleal que a ciência e a universidade vem sofrendo atualmente. É preciso ocupar os espaços, aumentar o volume e a visibilidade de nossas vozes para que a sociedade não seja enganada por falsos mitos políticos ou religiosos que desdenham da ciência e do conhecimento para obter vantagens com a ignorância do povo. É um movimento pequeno, mas necessário porque não é tempo de omissão, precisamos fazer a nossa parte mesmo que seja uma ação pequena ou pontual. As redes hoje estão tomadas por robôs que propagam mentiras (fake news é um nome chique para denominar as mentiras, não?) e constroem narrativas falsas que são alimentadas pela omissão ou subserviência das empresas que controlam as plataformas das redes sociais. Atuar na rede de forma efetiva e contundente é um movimento de resistência e defesa da ciência e do ensino público e gratuito. Em tempos sombrios de pós-verdade, esse é um movimento em defesa da democracia.

domingo, 12 de maio de 2019

Livro Identidades: novas configurações em territórios múltiplos

A carreira acadêmica exige muito mais esforço e disciplina do que arroubos de criatividade, o formato acadêmico parece que foi criado exatamente para sufocar qualquer tentativa de ruptura ou ousadia. Estamos sempre presos aos rígidos processos metodológicos (absolutamente necessários) e regras da ABNT (bom, aí eu já não usaria a expressão "absolutamente necessárias"...). Felizmente, de vez em quando produzimos textos que nos trazem uma felicidade única, seja porque é o resultado de uma descoberta fantástica, seja porque cumpre uma função social que pode mudar a vida das pessoas. O artigo “Drag Queens nas Redes: representatividade, visibilidade e ativismo digital na luta contra a violência simbólica” é um dos textos mais interessantes que produzi, não apenas pela parceria com Thelma Panerai e meu orientando, Heitor Silva, mas porque conseguimos abordar um tema delicado e importante no contexto social e político atual, além de criar novos percursos investigativos para a pesquisa em redes sociais. O tema do livro e os artigos são maravilhosos, como não se encantar com uma produção sobre identidades: novas configurações em territórios múltiplos? O livro tem uma produção super bem cuidada, com uma capa linda e diagramação perfeita! Tem até uma drag na capa! Parabéns ao pessoal do PGCITI da UFPA que organizou o livro e muitos agradecimentos para a querida professora doutora, Denise Machado Cardoso! O livro está disponível para venda no site da editora e custa 59 reais.

sábado, 11 de maio de 2019

Número temático da revista Em Teia: Narrativas Digitais na Educação

No último ano, conseguimos reunir um conjunto de artigos de professores maravilhosos e seus orientandos para organizar e publicar um número temático na revista Em Teia, publicação do programa de pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica da UFPE. A organização de uma publicação costuma ser uma tarefa enfadonha e complicada, mas desta vez foi diferente. A definição do tema já foi um elemento animador, imaginem a belezura de reunir, ler e avaliar artigos relacionados com "Narrativas digitais na Educação: contribuições da cultura da convergência". Além do tema, conseguimos a contribuição de professores de importantes universidades que desenvolvem pesquisas interessantíssimas, inclusive de instituições internacionais. Eu e Thelma Panerai seremos sempre gratas aos colegas que enviaram as suas contribuições para o número organizado por nós. Ficaram animados também? Pois vejam só esse trecho do texto de apresentação do número temático, publicado no mês passado: o foco está direcionado, principalmente, ao uso das narrativas digitais na Educação e às metodologias audiovisuais participativas, indicando que tais usos podem contribuir para a ampliação dos conhecimentos e para a transformação (empoderamento) dos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Os textos tratam de situações e ações pedagógicas que dão visibilidade à inserção dos sujeitos em fenômenos participativos e ativos, com base em produções que apresentam diferentes perspectivas dentro da cultura da convergência tecnológica, da cultura participativa e da inteligência coletiva. Optamos por esses temas, porque eles priorizam as narrativas próprias (vozes diversas), a participação, a reflexão crítica, o diálogo, a colaboração, a criatividade, a descoberta das inúmeras possibilidades das diferentes interfaces digitais e a (re) leitura do mundo como expressão da realidade social. Isso, sem dúvidas, só pode fortalecer a construção de identidades e subjetividades dos sujeitos envolvidos nos processos de ensino e aprendizagem. Para saber como essas discussões foram materializadas nos textos, é só clicar no sumário da revista e navegar na publicação. Boa leitura!

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