quarta-feira, 30 de setembro de 2020

A formação do pesquisador em foco

Você está convidado para participar de um Ciclo de Lives: "A Formação do Pesquisador em Foco", promovido pelo Grupo de pesquisa Criatividade e Inovação Docente no Ensino Superior (Cides) , vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR, em parceria com ATLAS.ti.
As lives serão realizadas das 19h às 20h, nos dias: 01/10 ; 15/10; 29/10; 05/11 ; 19/11 e 26/11. Você receberá um e-mail com o link para o acesso às lives.  Caso participe das 5 lives e realize a atividade que será proposta ao final da sequência de lives, receberá um certificado de participação no II Seminário sobre a Formação do Pesquisador. A atividade será um memorial descritivo demonstrando como os aspectos abordados nas palestras permitiram com que refletisse sobre a sua formação como pesquisador e com que elaborasse/revisasse seu caminho de aprendizagem. Para cada uma das lives deve ser feita uma nova inscrição! Este link é para a inscrição na live 1: O Polo Epistemológico da Pesquisa (https://pucpr.co1.qualtrics.com/jfe/form/SV_0VehbpFThwiI6CF)

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

II Congresso Humanitas: as humanidades em tempos de pós-verdade

 

Uma ótima oportunidade para refletir sobre a pós-verdade e as possibilidades de análise das diversas narrativas que são multiplicadas com o auxílio das redes sociais. Link para o evento: https://humanitas.pucpr.br/

Seis meses de pandemia

Completamos seis meses convivendo com a pandemia no dia 16 de setembro, se considerarmos a data em que foi decretado o isolamento social. Seguimos sem aulas e com quase mil mortos por dia, mas a pandemia parece ter acabado para algumas pessoas. Cada um decide onde quer ir e como quer se aglomerar, praias lotam em feriados, bares estão cheios nos fins de semana, pessoas passeiam nos shoppings despreocupadas... Os cautelosos (ou mais bem informados, a decisão é de vocês) se escandalizam com o comportamento dos seus familiares, amigos e vizinhos. Rupturas são inevitáveis, afinal, quem quer receber visitas ou convites de parentes e amigos que não acreditam na existência e letalidade do vírus? Não é uma questão de opinião, é sobrevivência mesmo! A rede está repleta de relatos de pessoas que eram céticas e mudaram de ideia depois de semanas no hospital lutando por suas vidas. Segundo um certo presidente, são fracos que não enfrentaram o vírus com coragem. A minha filha de 15 anos me pergunta se as pessoas enlouqueceram, se estamos vivendo um surto coletivo. Ela que deveria estar inquieta e ansiosa para retornar a vida de adolescente ao normal, está em casa há seis meses sem reclamar e espantada com a falta de bom senso das pessoas. Parece que o instinto de sobrevivência animal não funciona muito bem com os seres humanos, estamos mais para os dodôs retratados na animação "A Era do Gelo" do que para leões. As aulas remotas estão funcionando muito melhor do que eu esperava e, apesar dos percalços e do cansaço diante das telas que já se apresenta com um problema, estamos fazendo o possível no contexto atual. O risco de aglomeração com aulas presenciais é inaceitável em um país que normalizou mil mortos por dia e que está muito longe de controlar a pandemia. Os preparativos para um cenário de retomada das aulas no formato híbrido já está sendo discutido, mas ainda levaremos um bom tempo para conviver nos espaços educacionais como antes. Mesmo que uma vacina milagrosa fosse disponibilizada amanhã, ainda teríamos o tempo de produção, distribuição e imunização de todos. Diante desse cenário, é urgente pensarmos em como podemos melhorar o ensino remoto, oferecendo equidade nas condições de acesso e estratégias diversificadas para a ação dos professores. Caminhamos com uma rapidez enorme até aqui: nos adaptamos, nos reorganizamos, colaboramos e refletimos muito sobre as nossas práticas, mas ainda temos muito a fazer. O caminho é longo, mas é menos penoso quando vamos juntos.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Seleção Edumatec 2021

As inscrições para a seleção 2021 do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica Edumatec/UFPE estão abertas até o dia 30 de agosto. O edital está disponível no Boletim Oficial da UFPE e devido ao contexto da pandemia, o processo seletivo terá apenas duas etapas: avaliação do projeto e análise do currículo. Diferente dos anos anteriores, não teremos prova escrita de conteúdo, entrevista e prova de idioma. Serão ofertadas 20 vagas para o mestrado e 17 vagas para o doutorado, além de duas vagas adicionais destinadas a servidores da UFPE, sendo uma vaga para o mestrado e uma vaga para o doutorado. As vagas são para as linhas de pesquisa “Educação Tecnológica”, “Didática da Matemática” e “Processos de Ensino Aprendizagem em Educação Matemática”. O resultado final será divulgado no dia 29 de outubro e as aulas estão previstas para iniciar em março de 2021.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Chamada para publicação da Revista Em Teia

Segue a chamada para o número temático da Revista Em Teia, qualis B1 na área de Ensino, do programa de pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica da UFPE: A suspensão das aulas presenciais em todos os sistemas de ensino, no Brasil e em vários países do mundo, resultou em alternativas diversas para a realização de aulas mediadas com o uso das tecnologias digitais. Surgiram discussões sobre as diferenças entre Educação a Distância, Educação Online e Aulas Remotas. Neste sentido, acreditamos que as questões sobre o uso das tecnologias digitais no contexto da pandemia exigem um olhar detalhado a respeito das relações que envolvem os processos de ensino, aprendizagem, comunicação, interação e interatividade, apropriação tecnológica, além das questões relacionadas ao fazer pedagógico, às práticas docentes, às condições de trabalho, à saúde mental e aos aspectos éticos. A complexidade da teia de elementos que estão imbricados neste processo exige um esforço coletivo para pesquisar, analisar e entender as relações entre os diversos elementos que atuam neste momento e as consequências que enfrentaremos nos próximos anos, considerando o atual cenário da pandemia. Neste sentido, convidamos os pesquisadores das diferentes instituições a colaborar com o número temático Educação e uso de tecnologias digitais no contexto da pandemia da Covid 19. O prazo de submissão dos artigos será até o dia 10 de agosto de 2020 e as orientações de submissão para os autores estão na página da revista.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Quatro meses de isolamento social

Ontem chegamos aos quatro meses de isolamento com mais de 76 mil mortos e mais de 2 milhões de pessoas contaminadas. Enquanto os casos no Brasil não param de crescer, várias cidades ensaiam a reabertura do comércio e anunciam a volta das aulas presenciais, contrariando todos os estudos científicos e as recomendações da OMS. Na minha cidade abriram os shoppings, mas caminhar na areia da praia continua proibido. A maior parte das pessoas que circula nas ruas usa máscara, mas é possível encontrar pessoas sem usá-las ou criando confusão porque são obrigadas a entrar nos estabelecimentos usando a máscara. O mais grave é que não podemos nos iludir, as pessoas que querem garantir o seu direito de não usar a máscara de proteção hoje e até entram na justiça para isso, certamente lutariam em um segundo momento para que as outras pessoas também não usassem, alegando segurança, desconforto ao ver alguém de máscara ou até mesmo porque as pessoas precisam perder o medo de um vírus que não existe. A ignorância das pessoas é ilimitada.

A irritante resignação ao "novo normal", como se fosse possível naturalizar as mortes, o desemprego e as limitações que a pandemia nos impõe, é deprimente. Por outro lado, também temos a resiliência e a tranquilidade das pessoas que buscam soluções e continuam firmes na luta por uma sociedade melhor. Retomaremos as aulas da graduação de forma remota na UFPE a partir do dia 17 de agosto e, enquanto colunistas escrevem textos agressivos nos jornais questionando a lentidão das decisões na universidade públicas, colegas que são contra as aulas remotas atacam sem o menor senso de civilidade os que acreditam que é necessário fazer alguma coisa, inúmeras consultas são realizadas com professores, técnicos e alunos e a falta de compreensão sobre a gravidade e duração da situação se assemelha aos grupos do WhatsApp que negam a pandemia ou que acreditam que o vírus é uma conspiração do governo chinês. As pessoas não mudam, elas apenas se revelam em tempos difíceis. Penso que tudo está sendo testado, a ética profissional, o compromisso social, as relações de trabalho, as relações familiares, as amizades... Algumas se consolidarão e até se transformarão em algo melhor, outras serão desintegradas. Eu compreendo os dois movimentos como resultado da natureza humana, as relações sólidas vão se adaptar e reorganizar, as relações frágeis ou mobilizadas por interesses, irão de esfacelar não por causa da pandemia, mas sim porque a crise trouxe à tona o que cada um tem a oferecer de verdade. Não há mais tempo para exibir apenas o verniz polido e a capa da boa educação, o medo da finitude revela o que temos na alma. Percebo essa desintegração das pessoas com tanta clareza como se fosse algo sólido e, embora não seja algo bonito de se ver, é necessário enfrentar todos os desdobramentos que a pandemia provocou na nossa tessitura social e nas nossas relações cotidianas. Como eu descobri há alguns anos, a vida é um fio, então viva o seu tempo da melhor forma possível.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Black Mirror e Educação

Quem diria que a realidade ficaria muito mais estranha e assustadora do que os episódios de Black Mirror? Nós intuíamos que o futuro seria sombrio e que a apropriação equivocada das tecnologias digitais poderia nos confrontar com dilemas éticos, morais, filosóficos e até mesmo com a própria morte, mas nem de longe imaginávamos que a ameaça de um futuro distópico pudesse estar tão próxima de nós. Não tivemos que esperar muito para viver uma situação que serviria perfeitamente para qualquer episódio de Black Mirror. Eu diria até que seríamos capazes de murmurar um "que exagero dos roteiristas" depois de assistir um episódio que retratasse a realidade em que vivemos hoje...

Bom, muito antes de existir qualquer suspeita de uma pandemia no horizonte, quando ainda vivíamos a liberdade de não ter medo de morrer contaminados por um vírus, a Revista Communitas elaborou um dossiê temático chamado Black Mirror e Educação, publicado no final do primeiro semestre de 2020. Os organizadores, Felipe da Silva Ponte de Carvalho, Edméa Santos e Tania Lucía Maddalena, reuniram uma coletânea de textos muito interessante que estabelece pontes entre os diferentes contextos do uso das tecnologias digitais na série com os paralelos e potencialidade da Educação. Foram construídas pontes maravilhosas entre questões éticas, pedagógicas, estruturais e emocionais que permeiam o uso das tecnologias digitais no contexto da sala de aula. Muitas coisas discutidas nos textos estão vindo à tona e se materializando nos obstáculos das aulas remotas adotadas em várias redes e níveis de ensino.

Eu e Thelma Panerai contribuímos com o artigo “A SÉRIE BLACK MIRROR E OS ELEMENTOS DA NARRATIVA PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO CONTEXTO DA CULTURA DIGITAL”. Vou transcrever o trecho da apresentação redigido por Rafael Marques Gonçalves sobre o nosso artigo: "Thelma Panerai Alves e Ana Beatriz Gomes Carvalho mostram que a apropriação social das tecnologias, por parte dos professores, e a ampliação da cultura digital operam no sentido de empoderá-los para o compromisso político e cidadão, individual e coletivo, de lutar por questões fundamentais da sociedade. Neste viés, as narrativas da série Black Mirror favorecem inúmeras reflexões sobre o uso das tecnologias digitais, que reconfiguram as relações das pessoas com as coisas, com os processos e com as demais pessoas. Esses elementos da série podem contribuir para a construção das narrativas digitais dos professores e seu processo de consolidação da cultura digital". O editorial de Rafael Gonçalves foi escrito já no contexto da pandemia e logo no início já encontramos a hashtag #ficaemcasa, reproduzindo na introdução e na conclusão do texto, a angústia de todos diante das incertezas cotidianas da atualidade. Sim, a realidade é muito Black Mirror e não tem nada de positivo nisso!

Referência do artigo: CARVALHO, A. B. G.; ALVES, T. P. A SÉRIE BLACK MIRROR E OS ELEMENTOS DA NARRATIVA PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO CONTEXTO DA CULTURA DIGITAL. REVISTA COMMUNITAS, v. 4, n. 7, p. 182-197, 29 maio 2020.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Três meses de isolamento social

Hoje completei 90 dias de isolamento social, com uma realidade muito pior do que qualquer coisa que poderíamos ter imaginado. No momento em que escrevo esse texto, já temos mais de 45 mil mortos, sem considerar as subnotificações. Na minha cidade foi necessário aplicar a restrição de circulação de pessoas durante 15 dias. As escolas já haviam retomado as aulas remotamente e as universidades começaram a se organizar para implementar as aulas remotas com criação de semestre suplementar, curso de verão, disciplinas modulares etc. As discussões envolvem não apenas o cenário atual, mas também um planejamento para o futuro pós-pandemia. Na UFPE, as aulas da pós-graduação retornaram na primeira semana de junho e todos se surpreenderam com a disposição dos alunos em retomar as atividades com aulas remotas. Fizemos uma reunião burocrática de abertura do semestre, apenas com informes operacionais e a presença dos alunos foi massiva. Ao final de quase duas horas de reunião, nós queríamos encerrar a atividade enquanto os alunos pediam para continuarmos "porque estava sendo muito bom ver as pessoas novamente". Não somos mesmo preparados para a solidão e o desamparo... Paradoxalmente ao isolamento social, acho que nunca conheci tanta gente como agora em um período tão curto de tempo: professores, coordenadores, pesquisadores, alunos, colegas de infância que se reencontraram nas redes sociais, novos colegas de Yoga... Existe um movimento de aproximação e apoio entre a maioria das pessoas, embora sempre apareçam no caminho os egocêntricos, negacionistas, fanáticos e ignorantes que são um perigo real para a sociedade. O que ficou mais evidente nesse momento é a falta de um pensamento coletivo, o bem-estar da coletividade é responsabilidade de todos, mas isso não parece estar claro para muitas pessoas. Quase como uma ação de escapismo, voltei a ler ficção científica, um gênero que eu sempre gostei, mas que fazia tempo que eu não encontrava tempo ou ânimo para ler. Vou até fazer uma postagem sobre essas leituras porque preciso refletir e contar como elas me apavoraram no lugar de me distrair. A perspectiva de que vamos demorar anos e não meses para chegarmos perto da normalidade do passado tem provocado reações diferentes nas pessoas, mas já vejo um movimento no sentido de repensar muitas coisas na nossa sociedade. Não, não estou animada, tampouco esperançosa. Não acredito em mudanças radicais, as pessoas se apegam a rotina não porque ela é confortável, mas porque acham que a única coisa que elas tem e que conhecem bem. Penso como Arthur Clarke, no final do livro "Sobre o Tempo e as Estrelas":

"- Só nos resta esperar. Não creio que tenhamos que esperar por muito tempo"...

domingo, 31 de maio de 2020

Spread UFPE

Tenho observado muitas discussões na rede sobre o uso das tecnologias digitais como um paliativo para resolver os problemas da suspensão das aulas presenciais devido ao contexto da pandemia e, ao contrário de muitos colegas, escolhi não publicar a minha opinião. A minha decisão tem dois motivos e vou explicar os dois: o primeiro diz respeito ao fato de não ter nenhum dado para emitir qualquer opinião, favorável ou desfavorável. Penso que seria muito apressado fazer afirmações sobre uma realidade que nunca experimentamos ou pesquisamos. Não importa quantos anos de pesquisa sobre a cultura digital ou tecnologias na educação eu tenha, o que está acontecendo agora não tem nenhum precedente na pesquisa acadêmica contemporânea. Qualquer coisa que eu dissesse seria apenas um palpite e as redes sociais já tem um número expressivo de palpiteiros. Decidi observar, coletar dados e contribuir como eu pudesse com a construção de cenários possíveis para a nossa duríssima realidade e isso nos leva ao segundo motivo: tenho uma carga de trabalho enorme atualmente e mal tenho tempo para atender todas as demandas que chegam o tempo todo. Vou contar um pouco sobre elas e como estou contribuindo para o enfrentamento da pandemia no contexto da Educação.

O primeiro desafio que surgiu foi pensar em soluções para resolver a retomada das aulas na nossa universidade. Enquanto as instituições particulares, tanto do ensino superior quanto na Educação Básica, rapidamente migraram para suas aulas online através de plataformas de videoconferências, as instituições públicas tem o enorme desafio de lidar com uma significativa parcela dos discentes que não possuem acesso aos equipamentos e conexão necessários. Assim, a discussão foi mais demorada e a primeira experiência na UFPE será com a retomada das atividades da pós-graduação com aulas remotas. Não vou nem comentar aqui a quantidade de reuniões necessária para chegarmos a algum lugar (que acabou sendo cada programa decide se quer aderir ou não, mas quem quer ficar para trás diante de um cenário de incertezas?). Os alunos de pós-graduação tem prazos muito inflexíveis para concluir, muitos são bolsistas ou estão afastados do trabalho. Suspender as atividades curriculares por muito tempo poderia trazer prejuízos difíceis de prever. Penso que inicialmente os colegas acreditaram que ficaríamos alguns meses sem aulas e que a vida voltaria ao normal dentro de, no máximo, seis meses. Os fatos esmagaram qualquer previsão de retorno e as universidades de outros países anunciaram a suspensão das aulas presenciais em 2020, com previsão de retorno muito incerto em 2021. Agora, no final do mês de maio, algumas universidades já afirmam que só retornarão com a descoberta de uma vacina. Diante desse quadro, o que fazer com os alunos? Ficaremos sem aulas durante um ano, dois anos, indefinidamente? Como formar os professores para realizar o processo de aprendizagem mediado por tecnologias digitais? Como garantir o acesso aos alunos mais vulneráveis economicamente?

Ainda estamos longe de ter respostas para todas essas perguntas, mas já demos o primeiro passo com a decisão de retomar as aulas da pós-graduação. Para preparar a UFPE no enfrentamento de vários cenários possíveis, a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida (Progepe) e a Secretaria de Programas em Educação Aberta e a Distância (Spread), abriram inscrições para o curso de formação para professores na plataforma GSuit, da Google. Quase mil professores se inscreveram na primeira semana para a trilha básica e a experiência como formadora tem sido bastante interessante. Todos os professores que se inscreveram no curso estão empenhados em descobrir soluções, propor alternativas, apontar as fragilidades da universidade, pensando em construirmos juntos uma alternativa possível para o cenário no contexto da pandemia e até mesmo na pós-pandemia. Está muito claro para todos que não será possível voltar ao modelo que tínhamos antes e precisamos nos antecipar na busca de soluções. Estamos pensando juntos nas possibilidades de uma aprendizagem flexível e realmente inovadora. O preconceito em relação à EAD, a resistência ao uso das tecnologias, as dúvidas em relação ao ensino presencial e suas possíveis adequações com aulas remotas, foram transformados em interesse, reflexão, autocrítica e, sobretudo, disponibilidade para fazer mais e melhor. Como disse uma professora no nosso último encontro, nós apresentamos as possibilidades infinitas de uso das tecnologias digitais no ensino e na aprendizagem, os professores (e provavelmente os alunos) não vão querer mais voltar ao modelo presencial anterior, eu certamente não vou querer. Para alguns pode soar assustador, mas para os meus ouvidos, a fala da professora é musica da melhor qualidade!

domingo, 17 de maio de 2020

Dois meses em isolamento social

Dois meses de isolamento social, dois meses enfrentando uma realidade que nunca imaginei que pudesse acontecer. A curva de novos casos e mortes não para de crescer e é frustrante cumprir as orientações de médicos e cientistas enquanto as pessoas continuam brincando com a roleta da morte porque "não conseguem ficar presas em casa". Na minha cidade praticamente tudo está fechado, lojas, cinemas, bares, restaurantes, praias e parques. Mesmo assim, a prefeitura tem feito ações de fiscalização e fechado lojas que comerciantes teimosos insistem em manter abertas. Padarias, supermercados, farmácias e postos de gasolina continuam funcionando e parece que viraram locais de encontro da população, estão sempre lotados. Sair apenas para o que é necessário não seria tão arriscado se todos usassem o mesmo princípio. Como não é possível confiar no bom senso das pessoas, cada ser humano na rua é um potencial risco de contaminação e mesmo mantendo a distância mínima recomendada, volto para casa com os nervos em pandarecos... O vizinho da minha mãe continuou passeando, bebendo cerveja com os amigos e ignorando qualquer sugestão de isolamento social. Foi contaminado e passou uma semana no hospital lutando para respirar. Teve sorte e voltou para casa, espero que recupere a saúde e a responsabilidade. A primeira pode ser tratada, a segunda não. Minha filha voltou ao trabalho com redução de carga horária e vários procedimentos de segurança, quando ela chega em casa é uma operação de guerra: roupa direto para a máquina (já tira a roupa na entrada), álcool nas maçanetas e no chão, banho imediato. Quando preciso ir ao mercado, a mesma coisa: desinfetamos as roupas, a pessoa e as compras.

Enquanto o mundo luta para salvar a sua população e a economia, vivemos uma situação no país que oscila entre o patético e o assustador. Estou cansada de assistir esse espetáculo mambembe de quinta categoria que nos arrasta para um buraco sem fim. A pandemia já nos exaure mentalmente, ter que conciliar o medo pela sobrevivência com o medo das ações de um genocida ignorante, é demais para mim!

O trabalho continua dobrado, iniciamos o processo de formação dos professores no Google Classroom e já temos mil professores inscritos para dar conta (vou publicar uma postagem só sobre o curso). Não é uma formação fácil, as pessoas estão com medo da realidade que enfrentamos, estão confusas, ansiosas e sem a menor ideia do que fazer... Não basta apenas ensinar como usar as ferramentas, é preciso ter paciência, compreensão e, sobretudo, empatia. Felizmente, isso não tem me faltado durante esse período difícil de quarentena.

sábado, 9 de maio de 2020

Fim da sétima semana de isolamento

Terminamos a sétima semana de isolamento com o pior cenário da pandemia se confirmando no país. Algumas cidades anunciam a necessidade de lockdown enquanto o homem desprezível que está sentado na cadeira presidencial anuncia a realização de um churrasco para mil pessoas. Como diz a atualização do ditado, de onde menos se espera, é de onde não vem nada mesmo. Só podemos contar com as políticas de contenção dos governadores e com o bom senso da população que começaram a ver conhecidos e familiares perecendo com a doença e, infelizmente, só assim perceberam a gravidade da pandemia. Semana passada, com o feriado de primeiro de maio, muitas pessoas pensaram que seria uma boa ideia viajar para as cidades praianas. Os prefeitos precisaram fechar as praias para conter o volume de pessoas que circulavam na cidade, mas mesmo assim, as pessoas lotaram os supermercados, mercearias, farmácias e açougues. Calculem a explosão no número de casos quando essas pessoas retornarem para as suas cidades no interior, muitas delas sem um único leito de UTI. Nós saímos muito pouco de casa e quando precisamos ir ao banco ou ao supermercado, usamos máscaras e nos besuntamos de álcool, evitando tocar em qualquer superfície e mantendo distância de qualquer ser humano. Mesmo com esses cuidados, sempre fico sobressaltada, com taquicardia e sintomas de ansiedade. Volto para casa exausta e passo o dia tentando controlar o meu medo de ter sido contaminada...

A constatação de que não voltaremos tão cedo para qualquer situação próxima da normalidade, começou a servir como motor para a universidade pensar em caminhos para retomar as atividades de aula remotamente. Vamos avançando devagar, mas sólidos porque será inevitável pensar em novas formas de aprendizagem durante a pandemia e depois dela. Especialistas já falam em dois anos de movimento alternado entre isolamento social e retorno parcial das atividades. Enquanto não houver uma vacina para imunizar a população, teremos que conviver com o vírus e reinventar a forma como trabalhamos, consumimos e nos relacionamos com as pessoas. Semana que vem começaremos os cursos de formação dos professores da própria universidade e ainda veremos muitas inadequações no uso das tecnologias na Educação tanto nas escolas da Educação Básica quanto no Ensino Superior. Lamentavelmente, as possibilidades do uso das tecnologias digitais na mediação pedagógica não foram consideradas nos tempo de normalidade e, atualmente, poucos professores e gestores possuem a apropriação necessária para implementar novas estratégias. Terão que aprender fazendo e, embora seja desgastante e extremamente penoso, é um movimento inevitável. Felizmente, ainda podemos caminhar juntos e os professores especialistas no tema estão trabalhando muito para encontrar caminhos que ajudem a todos neste momento.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Marcha Virtual pela Ciência no Brasil

Amanhã é dia da Marcha Virtual pela Ciência no Brasil. "A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) convida todas as entidades, instituições e associações científicas e acadêmicas de todo o País, todas as entidades civis, professores, pesquisadores, estudantes e todos os amigos da ciência para participar ativamente da Marcha Virtual pela Ciência no Brasil no dia 07 de maio. Com atividades transmitidas pelas redes sociais ao longo do dia, o objetivo da manifestação é chamar a atenção para a importância da ciência no enfrentamento da pandemia de covid-19 e de suas implicações sociais, econômicas e para a saúde das pessoas. Veja como você pode participar da Marcha Virtual pela Ciência no Brasil: enviar depoimentos em vídeo ou texto, fortalecer os dois tuitaços que serão realizados no dia, participar dos painéis online, incentivar sua instituição a criar um evento digital, compartilhar em suas redes sociais: o importante é que todos façam parte desse Pacto pela Vida que será realizado no dia 7 de maio!" A UFPE também participará da marcha e para ver a programação é só clicar aqui. Participe!

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Fim da sexta semana de isolamento

Quase um mês e meio de isolamento e suspensão das atividades acadêmicas e já começo a ficar impressionada com a capacidade de adaptação do ser humano. Claro que ainda existem pessoas que resistem e não querem aceitar que o mundo mudou e todas as relações terão que ser reinventadas. Algumas pessoas insistem em reclamar de bobagens, outras já perceberam o profundo nó em que a vida se transformou e iniciaram o seu processo de adaptação. A cada semana que o isolamento se impõe e o número de mortes se anuncia, temos hoje mais de 66 mil casos confirmados e 4.043 mortes, o garrote da realidade aperta um pouco mais e vamos buscando saídas possíveis para lidar com tudo isso sem perder a sanidade. O que era impossível em março já se torna plausível hoje e viável amanhã. Usar máscaras nas ruas e nos estabelecimentos que ainda estão abertos não é mais uma escolha, é lei. As escolas estão se reorganizando e buscando alternativas, o comércio já aceita pedidos de qualquer produto e entrega em casa sem custo. Temos promoção de comida em restaurante chique, descontos e mais prazo para realizar pagamentos. Todo mundo começa a reorganizar a vida em outros parâmetros já que a vida antiga não é mais possível. Na UFPE, faço parte de um grupo chamado SPREAD que está pensando em soluções, organizando materiais, pesquisando plataformas e produzindo cursos, com o desafio urgente de encontrar alternativas e formar pessoas. É um esforço coletivo de pessoas que estão doando o seu tempo e seu conhecimento para ajudar a mudar o cenário sombrio que vemos hoje. E vamos nos adaptando, torcendo para que as soluções funcionem e que possamos aprender alguma coisa com tudo isso. Tenho visto correntes de solidariedade surgindo e muita repulsa por qualquer gesto irresponsável que afete o coletivo. Vamos nos humanizando de alguma forma porque não existe saída que não seja coletiva, não existe dinheiro que garanta imunidade e salvação. É certo que o número de pessoas pobres que morrem é maior, mas tampouco os ricos escaparão ilesos. Termino a semana de isolamento com a percepção apurada e parece que algo está mudando... Termino esse post com o registro do belíssimo encontro do grupo de pesquisa Gente do Edumatec da UFPE. Algumas pessoas percebem a música, eu percebo a esperança...

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Fim da quinta semana de isolamento

A última semana foi menos tensa, apesar dos números assustadores com a expansão da doença e o aumento exponencial das mortes. A cada momento ficamos menores e mais inseguros diante de um cenário caótico com políticas desencontradas ancoradas em muita suposição e pouca ciência. O volume de trabalho não diminuiu, embora algumas tarefas tenham sido concluídas com sucesso. As universidades começaram a pensar em alternativas para a realização de aulas remotas e isso implica em muito trabalho e novas configurações para a prática docente. Na realidade, a cada dois passos que damos para frente, andamos três para trás porque os processos burocráticos e as práticas dos professores foram construídas e somente para o presencial. Temos também a dificuldade de compreensão dos professores sobre o uso de tecnologias como instrumento de mediação para a aprendizagem está fundamentada em preconceitos com a modalidade a distância. São muitos desafios e inúmeras possibilidades, mas penso que quanto mais tempo demorarmos para enfrentar a questão, mais difícil será para organizar uma proposta viável de trabalho remoto para as atividades de graduação e pós-graduação. Independente dos diferentes posicionamentos sobre a adesão ou não ao formato remoto para retomarmos as aulas, penso que o contexto da pandemia torna qualquer previsão impossível. No momento atual, não temos a menor possibilidade de voltar para a nossa rotina nos próximos meses. Uma previsão otimista indicaria o retorno no final do ano, mas provavelmente não teremos aulas presenciais antes do próximo ano. Isso significa que teremos que pensar em alternativas para não suspender completamente as atividades de aula durante um tempo muito longo. Esse distanciamento das atividades acadêmicas tem implicações na vida dos alunos que precisam ser consideradas com cuidado, desde o atraso no prazo de conclusão do curso, até questões relacionadas com o pagamento de bolsas. Além das questões acadêmicas e financeiras, temos também o aspecto relacionado com a saúde mental dos alunos em isolamento social. A insegurança em relação ao contexto atual e ao futuro, comprometem o equilíbrio mental das pessoas, especialmente os alunos que estão em processo de formação. Esse entendimento foi adotado por universidades de outros países que também foram impactados com a pandemia e buscam alternativas e caminhos para desenvolver novas abordagens e dar continuidade ao processo formativo em seus diferentes níveis. Felizmente, estamos caminhando nessa direção e sabemos que temos muito trabalho pela frente, mas é preciso enfrentar esse momento com coragem e muita disposição. Se o futuro é incerto, cabe a nós trabalhar para viabilizar o melhor cenário possível.

domingo, 19 de abril de 2020

Fim da quarta semana de isolamento

Seguimos em isolamento, embora seja visível que muitas pessoas já voltaram a circular nas ruas, mesmo com todo o comércio fechado e os ônibus sem circular. Foi uma semana difícil porque a realidade da pandemia deixou de ser apenas números e começou a ganhar nome. Meu amigo e orientador de pós-doc que passava uma temporada no Brasil, não conseguiu embarcar para Portugal porque os voos foram cancelados. Acompanhamos a angústia dele em não saber se conseguiria voltar para casa em um momento tão delicado. Ficamos apreensivos por sua idade e pelas condições de acesso ao serviço de saúde. Quando acessei o site da embaixada para buscar alguma orientação, li uma nota de aviso informando que todos os cidadãos portugueses deveriam do país o mais rápido possível. Várias embaixadas estão recomendando a mesma coisa, inclusive de países com muitos mais casos notificados do que o nosso e mais uma vez surge o medo: o que eles sabem que nós não sabemos? Na véspera do domingo de Páscoa, precisamos usar os serviços de um amigo que está com o seu negócio fechado. Fomos atendidos rapidamente e ao chegar em casa, recebi uma mensagem de agradecimento no celular. Ele disse que nós nunca poderíamos imaginar o quanto o ajudamos naquele momento e que ele desejava uma Páscoa abençoada para nós. O desespero implícito naquela mensagem de agradecimento foi um soco no estômago e desvelou a realidade de muitas pessoas que dependem da prestação de serviços. É importante registrar que o nosso amigo, com todo o seu desespero financeiro, não é a favor do fim do isolamento e sabe perfeitamente a gravidade da situação. No começo da semana, soubemos que uma aluna da pós-graduação perdeu o filho de 17 anos, vitima da COVID-19. Quatro dias depois, os jornais noticiaram a morte de um ex-aluno do Edumatec de 42 anos, também vítima da doença. A realidade do peso da pandemia caiu sobre nós e o sentimento de impotência e angústia foi enorme enquanto eu escrevia uma nota de pesar para publicar no site do programa. Assistimos incrédulos as manifestações odiosas de uma elite ignorante que quer seus serviçais de volta enquanto desfilam isolados em seus carros caríssimos. Sabemos que a situação é muito mais grave e que os números não retratam a realidade em função da subnotificação e da falta de testes. Já sabemos que o ano letivo está perdido e que vamos demorar anos para retomar o que chamamos de normalidade. A única coisa que não sabemos é como as relações interpessoais e a dinâmica do cotidiano irão se remodelar diante de tantos desafios. A esperança é que sejamos melhores, mais solidários e empáticos, mas o receio é que nos tornemos o nosso maior pesadelo. Fiquem bem, fiquem em casa!

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Fim da terceira semana de isolamento

Ao fim dessa terceira semana de isolamento, o estresse se instalou por diferentes motivos, colocando na berlinda a minha capacidade de ser equilibrada e, sobretudo, paciente e educada. Tem sido difícil lidar com a falta de flexibilidade das pessoas que gerenciam a burocracia, seja por ignorância, necessidade de poder ou burrice mesmo. Recebi na mesma semana dois pedidos que pareciam ter saído do armário de Nárnia e não de uma situação de pandemia: um pedido de ata de reunião presencial quando todos sabem que a universidade está com as atividades suspensas e a exigência de uma assinatura na ata de defesa de mestrado do examinador que participou virtualmente da banca. É preciso apelar para a paciência e o bom senso nessas horas e eu estou apelando muito... Meu apelo é para que as pessoas entendam que vivemos tempos completamente fora da normalidade e que estamos em guerra contra um inimigo letal que não podemos ver e do qual o presidente do país faz piada, dizendo que ele não existe. Não é possível que a burocracia vá causar mais estresse aos nossos professores e alunos além da carga extrema que sofremos todos os dias ao ver que a contaminação se multiplica e o número de óbitos só faz crescer. Tive uma crise de pânico no supermercado na última segunda-feira, é difícil ver as pessoas sem tomar qualquer precaução, insistindo em se aproximar mais do que o necessário e agindo como se não houvesse nenhum risco em andar pelas ruas. É angustiante saber que as manicures do pequeno salão perto da minha casa estão passando dificuldades e sem perspectiva de qualquer ajuda. Por fim, é arrasador receber a notícia de uma aluna nossa que perdeu o filho de 17 anos por insuficiência respiratória, mesmo que o resultado para o COVID-19 tenha sido negativo. Estamos condenados não apenas a ficar dentro de casa por um longo período, mas a viver com medo, ansiosos e inseguros sem saber o que o futuro nos trará. Vamos fazendo o que é possível, ajudamos um, nos preocupamos com o outro, oferecemos apoio ao terceiro, confortamos quem precisa... Fazemos tudo isso sem ter qualquer resposta sobre como será o nosso mundo amanhã. A única coisa que eu sei é que é impossível olhar para trás.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Fim da segunda semana de isolamento

Chegamos a fim da segunda semana de isolamento social com 4.579 casos confirmados e 159 mortes.As pessoas começaram a reagir mal ao confinamento e muita gente, inspirada no péssimo exemplo do presidente demente que temos, voltou a circular nas ruas. Nos grupos de WhatsApp, e-mail de trabalho e entre os "amigos" do Facebook e outras redes sociais, as pessoas começam a transbordar o seu desequilíbrio com provocações, confrontos, brigas e retiradas triunfais ou estratégicas, além de textos religiosos ou de autoajuda. Não tenho tempo para isso, o trabalho continua me consumindo e lentamente as tarefas são finalizadas, enquanto surgem outras, como se algum portal dimensional maligno estivesse aberto trazendo não apenas o vírus, mas também toneladas de trabalho. Estou trabalhando mais horas agora e as mensagens urgentes surgem o tempo todo: aos domingos, durante o almoço ou nas primeiras horas da manhã. Nada existe horário definido para nada e todos parecem ter perdido a noção da funcionalidade dos dias úteis e a utilidade do horário comercial. Enquanto o caos se anuncia nas matérias dos jornais e no comportamento inacreditável do governo federal, conseguimos implementar as bolsas dos alunos de mestrado e doutorado, realizar as bancas virtualmente, preencher relatórios e alimentar sistemas. Não saio de casa para nada além do supermercado e farmácia, por aqui as ruas estão vazias e melancólicas. O serviço de entrega de comida continua funcionando a pleno vapor, garantindo a sobrevivência dos restaurantes e entregadores. Por enquanto os preços estão caindo com uma enxurrada de promoções para conquistar os clientes, mas é difícil saber se esse movimento vai durar. Tentando manter um pouco de sanidade e equilíbrio, tenho feito aulas de Yoga com a minha professora usando o Skype como ferramenta e amanhã farei o mesmo com os meus alunos de Yoga do CE, espero que seja uma experiência boa para todos. É hora de encontrarmos meios para apoiar os outros e, mesmo quando não somos solicitados, precisamos buscar uma forma de atuar positivamente e coletivamente. Como disse o biólogo Atila Iamarino, pedir o fim do isolamento é querer voltar para um mundo que não existe mais. O nosso mundo com liberdade para ir para qualquer lugar, para planejar uma viagem, uma festa, um casamento ou uma mudança de vida, não existe mais. O mundo que virá dependerá muito das pequenas ações de cada um de nós e é hora de cada um pensar em como fazer a sua parte. Fiquem em casa, fiquem bem.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Fim da primeira semana de isolamento social

Em mais de meio século de vida, assisti filmes e li vários livros que descreviam cenários de um futuro distópico, com a humanidade enfrentando o seu fim e poucos sobreviventes tentando reconstruir as estruturas sociais e materiais. Acredito que o último filme tenha sido "Interestelar" e a praga retratada no filme estava relacionada com o ambiente, não com as pessoas. São situações que deveriam ficar no campo da imaginação e nada nos preparou para a angústia de ver esse cenário se tornar realidade. A cada notícia que é publicada, aumenta o nível de apreensão e passamos a temer, diariamente, não apenas pelas pessoas que amamos, mas por todos que enfrentam a pandemia e que se tornam vítimas, direta ou indiretamente, dela. As notícias inicialmente chegaram devagar e, nós que trabalhamos com um público grande, começamos a nos preocupar. É alarmismo? É real? É preocupante? Trabalhar em um local com muitos cientistas fez com que soubéssemos antes da maioria das pessoas do cenário sombrio que estava por vir. Quando você presencia o pânico de um epidemiologista que passou a maior parte de sua vida adulta cultivando cepas de vírus perigosos no laboratório, é hora de começar a se preocupar... Entre a primeira nota oficial afirmando que não havia necessidade de suspensão das atividades acadêmicas e o cancelamento de praticamente tudo dentro da universidade, se passaram dois dias, com uma reunião de reitores em pleno domingo à tarde. Dois dias! Estou em casa desde o dia 16, com algumas saídas rápidas para ir ao banco, farmácia e supermercado. Nos primeiros dias da semana ainda fiz algumas coisas rápidas em ambientes maiores (ir ao banco dentro do shopping porque eu precisava ir em dois bancos diferentes), buscar remédio e fazer uma aula de yoga. As notícias pioraram, foi detectado o primeiro caso aqui e o governo estadual fechou shoppings e proibiu qualquer tipo de aglomeração. As lojas de rua, bares, restaurantes, academias e a fábrica onde minha filha trabalha continuaram funcionando. Hoje, apenas sete dias depois das primeiras medidas, suspenderam a circulação de ônibus, apenas os serviços essenciais estão funcionando e a fábrica fechou. No meio desse cenário de incertezas e informações desencontradas, a universidade bloqueou os ambientes virtuais de aprendizagem dos nossos cursos de graduação a distância! A nossa única forma de comunicação com os alunos foi bloqueada e isso me deixou tão furiosa que não tenho nem palavras para descrever... Só quem não entende lhufas sobre a dinâmica da EaD poderia considerar isso uma ideia razoável, os nossos alunos estão no interior, se sentem inseguros e nós professores temos um papel fundamental para manter a tranquilidade de todos. Eu consegui colocar uma última mensagem explicando a suspensão das atividades e orientando os alunos em relação aos prazos das atividades, mas não sei se alguém teve alguma dúvida. A justificativa oficial é que todas as atividades acadêmicas estão suspensas, inclusive a EaD. Eu sou bem tranquila em relação ao trabalho e dificilmente alguma coisa profissional consegue me irritar: já lidei com colegas desleais, chefes incompetentes e funcionários irresponsáveis. Eu não fiquei só irritada, eu fiquei furiosa porque penso que é inadmissível o rompimento das relações entre professores e alunos, sobretudo quando os alunos estão distantes e fragilizados. Não adianta apontarmos para os erros do governo federal que atua de forma omissa, autoritária e cruel se não identificamos esses mesmo elementos nas nossas relação hierarquizadas quando o momento exige colaboração, cooperação e, sobretudo, empatia. Minha função como professora vai além de transmitir conteúdos e desenvolver o processo de aprendizagem, é minha obrigação proteger os meus alunos e garantir que eles estejam informados e tranquilos. Enquanto leio documentos com as palavras "proibido, suspenso, impedido etc", continuo pensando que é possível uma universidade humanizada em todos os níveis e estou determinada a trabalhar muito para isso!

sexta-feira, 20 de março de 2020

Atividades acadêmicas suspensas na UFPE

Todas as atividades acadêmicas estão suspensas na UFPE do dia 19 até o dia 31/03. Segundo as informações da ASCOM UFPE, "A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e as universidades que compõem o Consórcio Pernambuco Universitas e os Institutos Federais do Estado de Pernambuco assinaram conjuntamente a decisão pela suspensão de atividades acadêmicas presenciais no período de 16 a 31 de março. No comunicado, há indicativo que as atividades remotas, os serviços essenciais e ações administrativas específicas seriam definidas por cada instituição. As razões da suspensão têm por objetivo reduzir a circulação das pessoas e colaborar nas medidas de combate à propagação do Covid-19". Todas as atividades programadas do Seminário do Edumatec foram canceladas e a secretaria do PPGEdumatec está atendendo as demandas dos alunos e professores remotamente. As informações sobre o funcionamento de outros setores da universidade podem ser acessadas aqui.

Se cuidem, cuidem dos outros e cuidem dos idosos e das pessoas vulneráveis!

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