sexta-feira, 25 de maio de 2018

Seminário final PNAIC-PE

Encerramos as atividades do PNAIC-PE na semana passada com o seminário final que foi realizado em Gravatá, Pernambuco. Foram três dias com muitas palestras, oficinas, mesas redondas, sessões de vídeo em debate e atividades culturais. Um evento de difícil realização por causa da logística e porque o momento representou o fim de uma política pública de formação de professores das séries iniciais. Vale a pena ler o texto da Professora Telma Ferraz sobre o desmonte das políticas públicas para o desenvolvimento da educação no país. Mais de 1.500 pessoas compareceram e todas as salas ficaram lotadas durante todo o evento.

A nossa mesa redonda aconteceu no último dia e o tema foi Interdisciplinaridade e Multiculturalidade. Eu, Cristiane Pessoa (CE/UFPE) e Jaqueline Barbosa (CAA/UFPE), discutimos durante duas horas as possibilidades de integração das áreas do conhecimento tendo a diversidade como contexto. Apresentamos duas produções do CEEL que são o nosso xodó: o Almanaque Ilustrado de Alfabetização e o Catálogo de Jogos Interdisciplinares. A professora Jaqueline fez uma fala linda sobre os desafios e ensinamentos da escola indígena que emocionou todo mundo e fez a plateia ficar com os olhos cheios de lágrimas.

Em momentos tão sombrios, com tanta intolerância e falta de esperança, foi confortador discutir temas tão sensíveis e necessários com quase 800 professores que nos prestigiaram na plateia.

Terminei o evento exausta, não só por causa da correria e das inúmeras atividades que tivemos que realizar com um equipe reduzida, mas também por causa da luta incessante para defender as boas propostas de formação que garantam a autonomia e a valorização dos professores. Temos que continuar resistindo e lutando.

Parabéns aos professores que participaram do evento: professores da Educação Básica que acreditam na qualidade da escola pública, da universidade que pesquisam, resistem e lutam para garantir os direitos de todos à educação, da equipe do CEEL que trabalhou muito para o sucesso do evento, dos órgãos gestores estaduais e municipais que reconhecem a importância do programa, os coordenadores do programa e todos aqueles que estavam lá porque querem que suas vozes sejam ouvidas. Foi dureza, foi cansativo, mas foi lindo!

sexta-feira, 9 de março de 2018

Ctrl+E 2018

O III Congresso sobre Tecnologias na Educação (Ctrl+E 2018) será realizado em Fortaleza (na Universidade Federal do Ceará - UFC), entre 5 e 8 de junho de 2018. O coordenador geral é o Professor Dr. José Aires de Castro Filho (UFC) e o tema da terceira edição do evento é Cultura Maker na Escola: fazendo uma nova educação com tecnologias digitais. O prazo para as inscrições com trabalhos é até o dia 30 de março.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Universität Bremen

No final de janeiro, visitei o Dimeb (Mídia Digital na Educação) da Universität Bremen, na Alemanha. A minha orientanda de doutorado, Dagmar Pocrifka Bley, está realizando as atividades do doutorado sanduíche na Universität Bremen, com o grupo de pesquisa liderado pela Profa. Dra. Heidi Schelhowe. O grupo gentilmente organizou uma programação intensa para nós que nos permitiu conhecer todas as pesquisas em andamento. O Dimeb possui um FabLab dentro da universidade para pesquisa e formação de professores (Uni FabLab Bremen) e desenvolve vários projetos e oficinas. Usando o termo TechKreativ, o projeto reúne "vários programas para oferecer a crianças e jovens, mas também adultos, maneiras criativas de usar a tecnologia e experimentar novas formas de aprender e projetar".

Bremen, localizada no norte da Alemanha, parece uma cidade de contos de fadas, com suas estátuas de animais espalhadas pelas ruas e uma arquitetura fofíssima que lembra o cenário de Harry Potter. O frio em janeiro é para os fortes e a viagem já começou com uma nevasca em Hamburgo, nosso ponto de partida.

Além dos projetos de pesquisa, conhecemos os diferentes espaços utilizados para as pesquisas do grupo, como uma escola primária e um FabLab aberto para a comunidade com atividades de programação, cultura e esporte. Fui calorosamente recebida por todos e foi surpreendente perceber que temos problemas semelhantes, apesar de contextos tão diferentes.

O Dimeb está inserido no Centro de Matemática e Computação e os professores e pesquisadores possuem formação na área de exatas, mas usam conceitos e metodologias do campo da Educação com muita propriedade. Conhecemos os seguintes projetos: Emotest (desenvolvimento de um software de reconhecimento das emoções para pessoas com demência ou algum tipo de deficiência), SMILE (projeto para motivar meninas para o campo da Ciência e Tecnologia), Calliope (programação para crianças nas escolas), Mídia digital e letramento nas séries iniciais (uso de mídias como stop motion como suporte para o letramento), FabLab (para a comunidade com atividades de programação, artes e esporte).

Visitamos uma escola para observar a aplicação do projeto Calliope em uma sala de aula do 4°ano com crianças entre 9 e 10 anos. Ali encontramos a realidade dura dos imigrantes sírios e a enorme dificuldade de inserção em outra cultura: uma menina síria de 12 anos (fora da faixa etária do grupo) estava na sala e quando perguntamos se falava inglês ou alemão, ela disse que falava um pouco das duas, mas dominava perfeitamente outros três idiomas: turco, árabe e aramaico.Vrááááá na cara das estrangeiras sem-noção além do seu próprio umbigo...

Foi uma verdadeira imersão em quase todas as ações desenvolvidas pelo grupo e como toda imersão, o contato humano, a acolhida, a atenção em responder minhas perguntas, a explicação paciente de coisas que parecem óbvias naquele contexto, foram essenciais para a minha compreensão e reflexão sobre a experiência vivida.

Não tenho palavras para agradecer o carinho da Profa. Dra. Heidi Schelhowe que nos recebeu em sua casa, a acolhida calorosa da Dra. Iris Bockermann com um delicioso e divertido jantar em sua casa, o convite gentil para participar da aula da Dra. Nadine Dittert que me apresentou formatos de aula tão diferentes para a pós-graduação, a simpatia e o bom dia de Michael Lund, a delicadeza e o carinho de Saskia Illginnis, a conversa animada com Simon e a simpatia e generosidade de Antje Moebus que me mostrou como é possível aprender tanta coisa em tão pouco tempo de uma forma leve e divertida com chás de gengibre e sopas. Muita gratidão para todos e todas e que os próximos anos nos tragam muita colaboração e ótimas parcerias!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Gratidão

Desde que eu assisti ao filme "A Chegada" e li o conto de Ted Chiang, "História da sua vida" que inspirou o filme, minha percepção sobre o tempo linear ficou meio abalada. A ideia de um recomeço ao final de cada ano não me parece tão inspiradora quanto quando eu tinha 20 anos. Prefiro pensar no calendário anual como uma janela ou um recorte do tempo que temos na vida. Como observadora dessa janela, vejo o último ano com tranquilidade, sem procurar classificar os eventos em bons ou ruins. Tenho gratidão por tudo, cada pequeno evento do ano está marcado em minha memória e registrado na linha do tempo da minha vida. Alguns eventos me fizeram feliz, animada, eufórica, outros me deixaram deprimida, estressada, angustiada... Sou grata por gostar do meu trabalho, viajar, experimentar, escrever artigos, ler livros, sonhar, ter alunos maravilhosos, fazer artesanato, costurar, praticar Yoga, assistir séries e fazer novas amizades. Também sou grata por cozinhar pratos incríveis com Robson, cozinhar para os alunos, visitar a Oficina Brennand mais uma vez (eu amo aquele lugar!), conhecer Cartagena sozinha, receber ligação da escola Amariah avisando que o queixo dela saiu do lugar quando eu estava em Bogotá e não podia fazer nada além de me desesperar, rir das músicas malucas de Bumbumtantã da Ingrid, conhecer a Yasmin, querer dar uma surra nos chefes de Illa que a obrigam a trabalhar nos horários mais insalubres, levar mamãe para Caruaru e quase morrer de calor, fazer pavê para Luís, levar Clara para a academia, ver Ana Lúcia ficar linda, fazer Yoga com Luciana na academia, no gramadão, na praia, em qualquer lugar, chamar Thelma de gastadeira (e ela me chamar de pão-dura), trocar os óculos depois de três anos, comprar um biquíni caríssimo depois de três dias de muita reflexão sem me arrepender, admirar as medalhas da Syl e sua incrível forma física, sublimar a falta de bom senso e ética dos colegas de trabalho, dormir na casa de Eber e bater papo até tarde, dar bronca em aluno preguiçoso que fez trabalho porco para depois descobrir que a pessoa trabalha em três empregos e está lutando para sobreviver nesse mundo cão, ter má vontade com uma pessoa que acabou de conhecer e depois descobrir que estava redondamente enganada e que foi injusta, apaziguar e administrar separação de aluno, pegar uma virose e ter febre de 40 graus no PNAIC em Caruaru e dar trabalho para Cristiane Pessoa, fazer um trabalho enorme e complexo para o governo e não receber o pagamento, ter o pneu dilacerado na estrada por causa de um objeto caído de um caminhão e ser socorrida pelo pessoal do MST, esquecer de pagar uma conta e ficar indignada com os juros abusivos, quebrar o dedo do pé duas semanas antes de uma viagem importante, passar mal com a altitude de Bogotá, comprar protetor solar da cor errada e ficar com cara de guerreiro terracota, aprender a costurar no Youtube, fazer palestra nos confins do universo porque uma pessoa querida convidou e não consegui dizer não, soltar os cachorros na Unimed por uma cobrança indevida, levar quase um mês organizando documentos e preparando a maldita progressão, solicitar financiamento da universidade para viajar para um congresso e receber metade do que estava no edital porque "a comissão decidiu" que os países sul-americanos não contam como viagem internacional (foi criado o país Estados Unidos da América do Sul e eu não sabia), ser promovida para professor associado, decidir viajar para participar das atividade da Universidade de Bremen com Dagmar, militar na rede contra os golpistas/fascistas/quadrilha que estão destruindo o país, ir ao cinema ver Blade Runner e mais um episódio de Star Wars, escrever um artigo lindo sobre drags e ser carinhosamente recebida na apresentação do evento, quase fazer a invertida e, finalmente, fazer a roda no Yoga! Ufa... Resumo de 2017: gratidão por tudo que foi bom e também pelo que foi ruim porque é parte da vida. Quando compreendemos isso, sofremos menos e ficamos mais leves para viver a vida sem medo. Pode vir quente que eu estou fervendo, 2018!

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