O resultado da avaliação trienal da Capes foi divulgado ontem e o nosso programa de pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica (UFPE) ficou com nota 4. Houve um aumento de 23% no triênio e foram analisados 3.337 programas de pós-graduação, que compreendem 5.082 cursos, sendo 2.893 de mestrado, 1.792 de doutorado e 397 de mestrado profissional. Segundo o site da Capes, "O desenvolvimento do sistema se deu em todas as regiões do Brasil. A região Norte teve 40% de crescimento, seguida pelo Centro-Oeste com 37% e Nordeste com 33%. Sul e Sudeste, regiões com maior número de programas de pós-graduação, tiveram crescimento de 25% e 14%, respectivamente. Os programas avaliados receberam conceitos na seguinte escala: 1 e 2, que descredenciam o programa; 3 significa desempenho regular, atendendo ao padrão mínimo de qualidade; 4 é considerado um bom desempenho e 5 é a nota máxima para programas com apenas mestrado. Conceitos 6 e 7 indicam desempenho equivalente ao alto padrão internacional. A cada três anos, todos os cursos em funcionamento são reavaliados". Estamos muito satisfeitos com o aumento do nosso conceito porque agora poderemos viabilizar o doutorado, muito necessário para a formação de professores em nossa região. Ou seja: mais suor para os alunos, mais demanda para a Universidade, mais trabalho para nós... Ei! Por que estou comemorando? Rsss...Enfim, vamos torcer e aguardar as novidades para o próximo ano!
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Orientações da Capes sobre o plágio

Em janeiro, todos os programas de pós-graduação receberam as orientações da Capes sobre o combate ao plágio nas Universidades. O documento da Capes sugere a utilização de softwares para analisar os trabalhos apresentados e identificar possíveis casos de plágio, embora enfatize que é necessário a análise de uma comissão para a conclusão final sobre a ocorrência de plágio. O assunto é complexo nos mais diferentes níveis, desde o conceito de "propriedade intelectual" até o foco no aluno como o grande trapaceiro. Nós sabemos que o plágio também ocorre entre colegas e, frequentemente, a coisa se resolve com um pedido de desculpas e a justificativa de que houve um engano. Em alguns casos, o plagiado se contenta com a inserção do seu nome no artigo e fica tudo bem. Outro problema é que o conceito de plágio está na intencionalidade, ou seja, a pessoa tem que ter copiado com a intenção explícita de enganar alguém (seja uma banca, um corpo editorial, uma comissão etc) tirando proveito próprio disso. Por isso que as justificativas de engano acabam colando, a pessoa diz que houve um erro, mas não tinha a intenção de se beneficiar dele. Existe também o plágio involuntário dos alunos que não conseguem perceber a diferença entre parafrasear e citar, mas neste caso, cabe ao orientador analisar e ensinar ao aluno como proceder. Um orientador que acompanha de perto os seus orientandos, acaba conhecendo o seu estilo e percebe quando a escrita está fora do padrão. Porém, os critérios de produtividade têm atochado os professores com uma quantidade grande de alunos, dificultando o acompanhamento mais detalhado (apesar de ser uma péssima desculpa, é claro!). Outra questão é o tal do chamado autoplágio, o autor que recorta, modifica e reapresenta as mesmas ideias em vários eventos. Particularmente, acho isso uma bobagem, não é possível esperar que na área de ciência humanas, por exemplo, alguém possa produzir dez artigos por ano, utilizando estruturas teóricas diferentes. Se isso acontecer, o sujeito é um péssimo pesquisador que uma hora trabalha na perspectiva x, na outra z e assim por diante... Pesquisa custa dinheiro e se um trabalho de dois anos resultar em apenas um único artigo, vamos inviabilizar o pesquisador brasileiro. Claro que não estou defendendo a cara-de-pau de alguns colegas, mas temos que ter bom senso e flexibilidade em alguns limites. Particularmente, sou a favor do compartilhamento total, meus trabalhos estão aqui no blog e o único cuidado que eu tenho é não colocar na rede artigos ou material ainda não publicado para evitar o movimento inverso: que alguém se aproprie do que eu escrevi e diga que não sou eu a autora. Eu já fui plagiada por uma colega de trabalho e confesso que a sensação não é nem um pouco agradável. Entrei em contato com ela, apontei o plágio e ela se desculpou, mas ficou por isso mesmo. Enviei o trabalho plagiado para o meu superior imediato e, felizmente, saí da instituição, mas o sapo continua entalado na minha garganta até hoje. Por isso mesmo, trabalho com os meus alunos para que eles construam a sua própria produção, mas estou longe de acreditar que o problema é o aluno. Afinal, eles ainda são imaturos e estão em processo de formação (inclusive ética), mas um professor doutor que plagia o trabalho de um colega, não passa de uma pessoa comum com um sério desvio de caráter.
sábado, 11 de julho de 2009
Divulgação da Produção Científica na Internet
Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno semelhante ao período medieval, foi aprovado na Comissão de Educação e Cultura o projeto de Lei 1120/07 que obriga as instituições públicas de ensino superior e unidades de pesquisa a publicarem sua produção técnica e científica na internet. "As instituições deverão criar repositórios para abrigar trabalhos de conclusão de mestrado, doutorado e pós-doutorado de alunos e professores, e também estudos financiados com recursos públicos. O relator do projeto, deputado Átila Lira (PSB-PI), acredita que a proposta tem o indiscutível mérito de democratizar o conhecimento científico das instituições de ensino. A disponibilização pública de conteúdos digitais, sua proteção legal e a garantia de acesso aos seus produtos derivados são fundamentais para alimentar as cadeias culturais, artísticas, educativas e científicas" A lógica é simples, todo estudo financiado com recursos do poder público pertence à sociedade que mantém as Instituições com o dinheiro dos seus impostos, logo, nada mais justo do que compartilhar com todos o conhecimento produzido. Até hoje, o conhecimento circula em revistas especializadas, fechadas ao público em geral ou em anais de eventos científicos. Mesmo quem está vinculado aos programas de pós-graduação encontra dificuldade em alguns momentos para encontrar artigos e teses. Semana retrasada eu precisei de uma tese de doutorado aprovada em uma universidade pública e não a encontrei na rede. E olha que era uma tese premiada de um professor renomado. Foi preciso me deslocar até a biblioteca da UFPB e acessar o portal da Capes para encontrar a bendita. Perda de tempo, dinheiro meu (pelo deslocamento) e público (ocupei um funcionário, um computador e a rede da universidade) para uma ação que poderia ter sido feita em casa. Por falar nisso, resta saber agora como vai ficar a questão do Portal de Periódicos da Capes que resiste bravamente aos apelos de segmentos da comunidade acadêmica para a democratização do seu acesso. O projeto pode ser lido na íntegra e a sua tramitação acompanhada via web. Simples, não?
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Afinal, para onde vai a pesquisa científica?
No ano passado, a nossa professora e coordenadora do PPGE/UFPB, Professora Adelaide Dias, conversou com a turma sobre as suas preocupações com os critérios de avaliação da Capes para os cursos de pós-graduação. Entre as suas preocupações estava o critério de avaliações das publicações, que privilegiava os artigos em periódicos internacionais e diminuía consideravelmente a produção local e as atividades realizadas em congressos. A relevância social da extensão seria ignorada pelos novos critérios e a produção discente passava a ser tão importante quanto a docente.Não tenho elementos para discutir estas questões com profundidade, minha visão de ciência é fundamentada na minha filosofia de vida, que transcende para a vida acadêmica todas as minhas preocupações como gente. Assim, embora eu não acredite que estes critérios possam melhorar a ciência no país, não sou capaz de relacionar os elementos que devem ser implementados ou abolidos do sistema de avaliação. Porém, nas minhas leituras na rede, venho observando uma preocupação crescente dos professores pesquisadores com os rankings de produtividade, todos tensionados para produzir mais e melhor. Esta produção poderia ser interessante se realmente estimulasse os professores a interagir melhor com os seus alunos, propiciassem aulas melhores, orientadores mais comprometidos e disponíveis. A prática não se revela assim, os professores mais produtivos dos programas nem sempre são professores ou orientadores de excelência. Encontrei um artigo do Professor Wilson Vieira sobre o assunto que está repercutindo bastante, onde ele analisa o tema com perguntas como: "Para considerar o mérito de uma proposta em C&T, penso que os avaliadores devem se perguntar: É realmente uma contribuição à ciência? Trará maiores e melhores conhecimentos teóricos? Ou ainda, de um ponto de vista mais aplicado: é de interesse para o país, para a região? Gera emprego? Substitui importações? Salva vidas? Aumenta a eficiência? Promove a integração do país? Fortalece nossos mercados? Protege o meio ambiente? Aumenta a qualidade de vida? Diminui a poluição? Aumenta a produtividade? Diminui o custo de produção? Se questões como essas não forem consideradas, não conseguiremos transformar ciência em tecnologia, ou, mais claramente, educação em riqueza". Bom, o link está aí para a leitura completa do artigo e pelo visto o debate está só esquentando. Penso que a resposta mais adequada para a pergunta deste post seria para onde nós a levarmos.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Alguns Dados Sobre a Pesquisa em Educação
Dando continuidade ao assunto pesquisa e publicações, fui buscar alguns dados sobre o assunto no site da Capes. O relatório da Capes 2007, que apresenta dados consolidados dos programas de pós-graduação em Educação, evidencia algumas questões interessantes. Tive o trabalho de transformar os números da planilha em percentuais e o que observamos é a maciça concentração de cursos de pós-graduação na Região Sudeste (52%). O Nordeste apresenta 13% dos cursos de pós-graduação, percentual semelhante ao Centro-Oeste, enquanto a região Norte contribui com apenas 4%. O interessante é que o percentual de publicações acompanha estes números, ou seja, existe uma relação direta entre o número de programas e o percentual geral de publicações.No caso do Nordeste, o percentual de cursos corresponde a 13% e o percentual de publicações acompanha este número, com 12%. A Região Sudeste com 52% dos cursos, apresenta um percentual de 54% (nada de extraordinário, embora tenha índices impressionantes - 69% - na produção das teses). Quando observamos os tipos de publicação, aparece uma pequena distorção, por exemplo, em artigos internacionais o Nordeste apresenta uma contribuição de apenas 7%. Apenas a Região Norte apresenta percentuais de publicação sempre inferiores ao quantitativo de cursos. Diante deste quadro, o aumento da produção acadêmica no Nordeste poderá ocorrer se forem criados mais programas de pós-graduação, com mais professores produzindo. Não existe um indicativo de baixa produtividade na região, mas obviamente poderíamos apresentar melhores resultados. A criação de novos programas é fundamental, principalmente em Educação que já não consegue contemplar a diversidade de temáticas em seus programas tradicionais. É interessante observar que as Universidades Estaduais, que se caracterizam por oferecer cursos de licenciatura nas diversas áreas, encontram dificuldades em oferecer pós-graduação em nível de mestrado e doutorado. As soluções necessárias para equilibrar as forças entre as regiões só apresentarão resultados em médio e longo prazo.Para percebermos qualquer mudança nestes dados, precisaremos começar a estruturar as mudanças imediatamente.Analise o resumo dos dados através dos gráficos a seguir e tire suas próprias conclusões.