domingo, 8 de fevereiro de 2009

Afinal, para onde vai a pesquisa científica?

No ano passado, a nossa professora e coordenadora do PPGE/UFPB, Professora Adelaide Dias, conversou com a turma sobre as suas preocupações com os critérios de avaliação da Capes para os cursos de pós-graduação. Entre as suas preocupações estava o critério de avaliações das publicações, que privilegiava os artigos em periódicos internacionais e diminuía consideravelmente a produção local e as atividades realizadas em congressos. A relevância social da extensão seria ignorada pelos novos critérios e a produção discente passava a ser tão importante quanto a docente.Não tenho elementos para discutir estas questões com profundidade, minha visão de ciência é fundamentada na minha filosofia de vida, que transcende para a vida acadêmica todas as minhas preocupações como gente. Assim, embora eu não acredite que estes critérios possam melhorar a ciência no país, não sou capaz de relacionar os elementos que devem ser implementados ou abolidos do sistema de avaliação. Porém, nas minhas leituras na rede, venho observando uma preocupação crescente dos professores pesquisadores com os rankings de produtividade, todos tensionados para produzir mais e melhor. Esta produção poderia ser interessante se realmente estimulasse os professores a interagir melhor com os seus alunos, propiciassem aulas melhores, orientadores mais comprometidos e disponíveis. A prática não se revela assim, os professores mais produtivos dos programas nem sempre são professores ou orientadores de excelência. Encontrei um artigo do Professor Wilson Vieira sobre o assunto que está repercutindo bastante, onde ele analisa o tema com perguntas como: "Para considerar o mérito de uma proposta em C&T, penso que os avaliadores devem se perguntar: É realmente uma contribuição à ciência? Trará maiores e melhores conhecimentos teóricos? Ou ainda, de um ponto de vista mais aplicado: é de interesse para o país, para a região? Gera emprego? Substitui importações? Salva vidas? Aumenta a eficiência? Promove a integração do país? Fortalece nossos mercados? Protege o meio ambiente? Aumenta a qualidade de vida? Diminui a poluição? Aumenta a produtividade? Diminui o custo de produção? Se questões como essas não forem consideradas, não conseguiremos transformar ciência em tecnologia, ou, mais claramente, educação em riqueza". Bom, o link está aí para a leitura completa do artigo e pelo visto o debate está só esquentando. Penso que a resposta mais adequada para a pergunta deste post seria para onde nós a levarmos.

5 comentários:

Albergio Diniz disse...

Olá Ana
Esta postagem é mais do que oportuna. Há muito tempo penso sobre estes problemas e tenho expressado aos colegas do meio acadêmico uma opinião similar. Contudo, quem ouve um simples mestre num reinado de PhDeuses? “Tá sonhando?”, respondem alguns colegas; “são as regras, tem de seguí-las!”, respondem outros. Todavia retruco lembrando-os que a CAPES e o CNPq são feitos por pessoas, portanto, refletem o pensamento de uma casta acadêmico-política dominante. Uma vez que mais intelectuais, que compartilhem da forma de pensar do PhD Wilson José Vieira, envolverem-se com a política e a enfadonha burocracia dos orgãos de fomento, questionando incisivamente tal modelo, algo poderá ser mudado. O que me preocupa é a imobilidade das pessoas que num dado momento concordariam com a opinião expressa nesse post, porém, quando doutoras, atuando em programas de pós-graduação, nada fazem para mudança desse “modelo de excelência” institucionalizado que aí se encontra, ou pior, seguem lamuriando, mas obedecendo estritamente as tais regras. Parabéns ao PhD Wilson José Vieira pela coragem de trazer a público essa questão e parabéns a você Ana por publicar no seu blog.

Ana disse...

Exatamente, Albergio, parece que os critérios da Capes/CNPq são criados por seres divinos e não por pessoas que representam uma política de ação dominante que depende da conjuntura e do duelo de forças. Compreender isso com clareza ajuda bastante para que outras vozes se levantem e questionem este modelo. O clichê agora é dizer que "a pós-graduação funciona muito bem no Brasil", mas se considerarmos as melhorias na educação, por exemplo, não sei qual é o conceito de sucesso que eles estão utilizando.
Beijos

Luiz N.Vieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz N.Vieira disse...

Olá Ana!
Com certeza esta postagem é de extrema relevância.Interessante seria se disponibilizasse em listas de discussões para que ampliasse o tema.
Quanto a postagem anterior sobre
Fórum social e a formação de Redes, gostaria de sua permissão para publicação no Informativo Cultura na Rede. (publicação mensal na página da SED.http://www.sed.sc.gov.br/em PROGRAMAS E PROJETOS. Confira!!!!
Ab[]s
Luiz

Ana disse...

Luiz,

Fique à vontade para copiar, colar, usar e abusar de qualquer informação colocada aqui. Neste aspecto, sou bem radical em relação ao que colocamos na rede, a partir da publicação torna-se domínio público para ser reciclada, reutilizada e compartilhada quantas vezes for necessário. Afinal, este é o objetivo do blog, compartilhar informações em rede. Eu fico muito incomodada quando leio questionamentos sobre a cópia na internet, "fulana me copiou, colou o meu selinho, usou minha imagem, blá,blá..." Ou seja, se faz um discurso bonito de compartilhamento de informações, mas no fundo que se quer é um link para o seu próprio blog para fazer os contadores girarem...Se as informações do meu blog servirem para apenas dois professores copiarem e refletirem, já estou feliz. Mi casa, su casa...

Beijos,

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