domingo, 15 de abril de 2012

Notas sobre a inclusão digital nas escolas

A distribuição de laptops e tablets nas escolas vem provocando debates acalorados sobre o sucesso ou fracasso das práticas governamentais para promover a inclusão digital nas escolas. O histórico das políticas públicas de inclusão digital no Brasil indicam ações distribuídas em duas frentes distintas: uma que pretende realizar a inclusão digital em telecentros localizados na periferia das cidades e a outra é a inclusão digital dentro das escolas. A primeira frente apresenta um perfil voltado para a cidadania, com foco no protagonismo juvenil, na diversidade e na produção cultural das comunidades nas quais os telecentros estão inseridos. É o caso dos programas de inclusão digital como os Pontos de Cultura, Estações Digitais, Casa Brasil etc. As ações de fomento da inclusão digital dentro das escolas buscam um objetivo formador, inserindo aspectos do letramento digital nas ações pedagógicas. As duas frentes apresentam objetivos distintos e encontram inúmeras dificuldades em sua própria especificidade. Ambas necessitam de uma análise profunda das suas ações e uma avaliação cuidadosa dos seus erros e acertos, mas o meu interesse aqui é abordar como o público alvo dos programas de inclusão digital tem se apropriado das propostas. Na maior parte dos casos, a apropriação tem sido muito diferente do que foi planejado inicialmente. Os resultados qualitativos tem indicado que apesar da intencionalidade no direcionamento das políticas de inclusão digital - que insistem em orientar o usuário na sua apropriação do equipamento e nos percursos de navegação - as pessoas que participam desses programas tem dado a palavra final. São elas que estão, efetivamente, dizendo o que querem fazer com o acesso à Internet e o uso dos equipamentos disponíveis (câmeras digitais, filmadoras, som etc). Essa reação dos supostamente "excluídos digitais" deveria servir como uma pista importante para o redirecionamento dos projetos de inclusão de digital e, sobretudo, para que possamos pensar a tal inclusão a partir da perspectiva dos que a desejam e a reivindicam. Um exemplo interessante é o Programa Um Computador por Aluno (PROUCA) do governo federal. O PROUCA distribuiu laptops nas escolas públicas e, embora o seu uso pedagógico ainda seja bastante incipiente, o processo de inclusão digital dos alunos aconteceu. As pesquisas iniciais mostram que independente dos professores, das orientações e de qualquer tipo de formação, os alunos rapidamente se apropriaram das ferramentas existentes no laptop e passaram a navegar com bastante propriedade. Para algumas pessoas não é suficiente, já que é preciso qualificar melhor o tipo de inclusão que está acontecendo, mas eu considero que qualquer tipo de inclusão digital é sempre melhor do que nenhuma.

6 comentários:

Jones disse...

Acho válido de qualquer forma, pode ser um estímulo novo para os alunos já que a inclusão digital é uma forma de inclusão também. Muito válido.

Vanessa Petruz disse...

Olá Ana, estou seguindo seu blog e seus posts estão cada vez mais interessantes.Concordo com você quando diz que "é preciso qualificar melhor o tipo de inclusão digital que está acontecendo" Sou professora e na escola em que trabalho os alunos tem acesso ao laboratório de informática. Grande parte deles , para não dizer todos, acessam as ferramentas virtuais com muita facilidade. Porém, quando eu ,em parceria com a professora de informática,peço para os alunos entregarem um trabalho impresso a maioria não utiliza a formatação do texto correta. Abraços

Ana disse...

Vanessa,

Você colocou muito bem, apesar da aparente habilidade dos alunos com o uso das tecnologias digitais, isso não significa que a apropriação necessária para a sistematização do conhecimento seja adequada ao que precisamos. É exatamente por essa razão que a escola precisa atuar para orientar os alunos no processo de letramento digital. Obrigada por visitar o blog!

Abraços,

Ana

Ana disse...

Jones,

Também penso como você, as ações para incluir digitalmente as pessoas são sempre válidas!

Abraços,

Ana

Ivanir Casagranda disse...

A inclusão digital é mais do que uma necessidade é uma exigência. Penso que muito pouco tem sido feito para que possamos ter um país que ofereça um ensindo de qualidade e a tecnologia é fundamental nesse processo.
Abraços

Ana disse...

Ivanir,

Incluir digitalmente as pessoas é uma necessidade urgente na sociedade informacional e também penso que a escola precisar fazer parte desse processo. Não acredito que a tecnologia possa "salvar" a Educação, mas ela pode ser uma aliada importante na promoçao de inovações pedagógicas importantes e urgentes.

Abraços,

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