sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MOOCs e SPOCs: porque não aguentamos mais...

Quem trabalha com EaD desde o tempo dos dinossauros (como eu) já está acostumado com os modismos que aparecem de tempos em tempos para "salvar" a EaD no Brasil, no mundo, na galáxia e no universo. Normalmente nós fazemos de conta que não estamos vendo ou ouvindo as baboseiras que circulam por aí. Sabemos que não existe fórmula mágica, que o sucesso da EaD depende de um trabalho sério e que nenhum software, plataforma, app ou whatever vai substituir professores comprometidos, estruturas didáticas bem organizadas e excelentes níveis de interação. Agora temos os SPOCs ((Small Private Online Courses), com a seguinte definição: "cursos oferecidos online, fechados e para pequenas turmas". Eu já implicava com as diferentes "gerações de EaD" propostas por Moore e Kearsley (2007) porque não acredito que uma determinada tecnologia substitua a outra (por exemplo, o material escrito não foi substituído, apenas foi formatado em outra mídia e encontramos várias mídias diferentes nos cursos a distância). A ideia de substituição é resultado de um pensamento linear extremamente simplista que não considera os objetivos e propostas diferentes dos cursos a distância. Não vou gastar o meu tempo (nem a paciência de vocês) explicando que os SPOCs não são nenhuma novidade, o João Mattar já fez isso com muita propriedade no blog dele com um texto que vale muito a pena ler. Concordo com tudo o que ele disse e ainda acrescentaria mais uma coisa: parem de tentar "salvar" a EaD! A modalidade não precisa de modismos que buscam apenas resultados milagrosos baseados em premissas equivocadas. Estudar exige esforço e comprometimento de professores e alunos em qualquer modalidade. Portanto, pessoas que insistem em propagar o último megasuperblaster fenômeno da EaD, apenas parem!

16 comentários:

Ricardo Antunes de Sa disse...

Prezada Ana

Sem dúvida, concordo plenamente com você. Já escrevi isso em minha Tese e em artigos. EaD necessita de comprometimentos pedagógico, político e epistemológico. Abraço, Ricardo.

Flor Risseto disse...

Concordo plenamente também com vc, se não houver responsabilidade, comprometimento e disciplina, não haverá sucesso na EAD, só terá êxito quem trilhar esse tríduo.
florinda risseto

Vera Tindo disse...

é o vicio de procurar "resolver " efeitos/sintomas sem considerar as causas .Maria Luiza Belloni trata disso com propriedade .

José Milanez disse...

Gostaria de saber se existe um mestrado em EAD à distancia.....
Grato.

Angelica Bertozo disse...

OLÁ ANA,

Acredito muito em suas palavras e ensinamentos,se não houver comprometimento,dedicação , prontidão entre as partes ,professores e alunos não acontecerá
0 desenvolvimento cognitivo e intelectual seja no campo virtual ou
presencial.

Abraço
Angelica bertozo

Ana disse...

Pois é, Ricardo, não existe uma fórmula mágica, o sucesso depende de muito trabalho!

Abraços,

Ana

Ana disse...

Vera,

O pior é que o vício é reforçado por pessoas que tem um preconceito enorme com a EaD e que repetem essas soluções mágicas sem conhecer ou ter qualquer experiência com cursos a distância.

Abraços,

Ana

Ana disse...

José,

O único curso de mestrado que conheço a distância é na área de ensino de Matemática e foi proposto pelo MEC para os professores da rede pública. O curso é ofertado por várias universidades públicas no país. Parece que também será lançado um de Língua Portuguesa no mesmo modelo. Penso que é uma questão de tempo até que outras instituições ofereçam mestrados na modalidade a distância.

Abraços,

Ana

Ana disse...

Angelica,

É isso mesmo, não existe diferença entre a aprendizagem presencial e virtual, as estratégias podem ser diferentes, mas o processo cognitivo é o mesmo.

Abraços,

Ana

Michelli Moreno disse...

Prof Ana,

Creio que essa 'busca por salvar a Ead' não passe de marketing pra chamar aquelas pessoas que creem que Ead é "fácil e pagou-formou", e esses pontinhos isolados e irritantes afetam a imagem da Ead séria e comprometida.

abraço.

drikacord disse...

Sou nova na modalidade, por este motivo tenho procurado ler bastante sobre o assunto. Concordo com você a fórmula mágica não existe. O grande segredo é perseverança... dedicação!

alice monteiro disse...

Professora Ana,

Li os textos dos dois links disponibilizados.. mas esse, sem sombra de dúvidas me impeliu a comentar. Isso porque comungo das tuas opiniões e também me incomoda essa busca incansável por novos softwares, programinhas, para dar mais atratividade e dinamismo à EAD.. como se algum desses programas pudessem estudar pelo aluno! hehe.. A verdade é que, em algumas formações para docência em EAD que fiz, vejo o quão preocupados esses formadores estão em nos ensinar a usar programas novos, da moda, ou ferramentas de atividades.. e a preocupação com a real inovação pedagógica que é necessária na EAD é esquecida. Fico querendo discutir sobre comunicação, sobre interação, sobre mediação e motivação.. mas parece que o entendimento é que esses são eixos deixados para segundo plano, ou melhor, parece que ao usar certo programinha, tudo isso ocorrerá automaticamente!!! Ledo engano... Também estou sem paciência pra isso... e tentando achar outras respostas, nas quais a tecnologia é só meu contexto e não meu objeto!

Valderes Monte disse...

Professora Ana,
Entendo que os cursos apresentam perspectivas diferentes, o primeiro, MOOC (Massive Online Open Courses) são online abertos\livres e dirigidos a um público amplo\massivo. O segundo SPOC são cursos online fechado para pequenas turmas (Small Private Online Courses). Apresentam modelos diferentes, logo, precisam de uma estrutura pedagógica especifica. Quanto à especulação do fim do MOOC e o surgimento dos SPOCs, quem trabalha com EAD compreende que os SPOCs não são novidade e que uma tecnologia não substituirá a outra. Isto só acontecerá se for para ser substituída por uma tecnologia mais avançada, como aconteceu com os cursos pelos correios.
Em relação à estrutura, cada um atende a um público especifico, com objetivos diferentes, o que significa que um curso não anula o outro, podem conviver pacificamente.
Concordo quando diz que a “ideia de substituição é resultado de um pensamento linear extremamente simplista que não considera os objetivos e propostas diferentes dos cursos à distância”. Que a modalidade de EAD não precisa de modismos, mas do compromisso de professores, alunos, gestores e de uma estrutura bem organizada.

sergia oliveira disse...

Olá professora.

Acredito que essas ferramentas que surgiram na EAD nos últimos anos e as que ainda vão surgir com perspectivas diferentes, como MOOCs ou PLEs, necessitam de uma organização estrutural e pedagógica especifica e diferente dos modelos que muitos estão acostumados.

Para cada modelo de EAD deve-se pensar principalmente nos objetivos que se deseja atingir e no público que irá alcançar para que se repense sobre quais estratégias didáticas são necessárias.

Independente de existir"modas" no que se refere a educação, é importante que a educação esteja alcançando (com qualidade) cada vez mais pessoas, e que a cada dia outras pessoas estejam reformulando modelos, estratégias e métodos para cumprir o papel social da educação.

Tatiana Domingues disse...

Professora Ana,

Nunca tinha me interessado pela EAD como também não tinha opinião formada, e pasmem trabalhei nove anos com telecomunicação antes de começar a lecionar, mas não tinha percebido que poderia fazer um elo entre as duas profissões o que só me ocorreu ao iniciar a disciplina. Como professora, fico reticente com todas as novidades que prometem uma melhor ou maior aprendizagem, às vezes acho que é pelo fato de estudar coisas que vem antes de cristo, como por exemplo, Geometria Euclidiana, mas como dito por você e eu acredito que é qualquer caminho que leve a aprendizagem se faz necessário com comprometimento de ambos os lados professor e aluno.

Lygia disse...

Olá a todos!

Bem, infelizmente acho que essa ideia de "salvar" a Educação não se restringe a EAD. É um problema generalizado!
Sabemos dos problemas que professores, estudantes, coordenadores, tutores,etc. enfrentam constantemente. Sim, é claro que sabemos! Mas, grande parte das "soluções" que nos são apresentadas... melhor ficarmos com os "problemas" mesmo!
Sobre a EAD, acredito que tal situação reflete o preconceito persistente que acompanha essa modalidade de ensino.
Como citei anteriormente, acredito que há sim o que melhorar, mas com relação a adaptação aos conteúdos ministrados para cada turma. Indepente se estamos falando do presencial ou virtual.

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