quinta-feira, 25 de julho de 2019

Resistência nas redes: o blog como um instrumento de luta

A minha primeira postagem aqui no blog foi em 2007, criei esse espaço como um instrumento de diálogo e conexão com pessoas de diversas partes do Brasil e do mundo. Durante muito tempo funcionou bem, os professores que iniciavam os primeiros passos no contexto da cultura digital utilizavam o blog como um espaço de registro de suas experiências, dúvidas e compartilhamento de soluções. Foi um momento muito rico, com trocas entre diversos professores da Educação Básica. Eu conheci pessoalmente alguns desses professores blogueiros (chamávamos de "desvirtualizar a amizade") e até me casei com um deles! Com o surgimento de diversas plataformas de redes sociais, os blogs foram perdendo a sua função ou assumindo funções diferentes de sua proposta inicial. Muitos professores migraram a sua atuação virtual para o Facebook e outras redes, mas se por um lado esse movimento ensejava uma audiência maior e mais dinâmica, por outro lado as informações se tornaram dispersas e muitas coisas se perderam na efemeridade das redes sociais. Continuo acreditando que o blog é um espaço perfeito para os usuários publicarem as suas narrativas e compartilharem informações de forma organizada e com relativa facilidade de acesso e recuperação da informação. É possível observar o abandono dos blogs ao longo dos anos e minha atuação não foi diferente. Analisando o meu registro de publicações, vejo que passei de 115 publicações anuais em 2010, para apenas 10 publicações em 2018. A minha atuação nas redes sociais hoje ocorre em plataformas como Twitter, Instagram, Pinterest e Facebook, com abordagens e estratégias de uso bastante diferentes. No Twitter faço uma militância política contundente, no Instagram publico fotos relacionadas com viagens, comida, Yoga e um pouco de registro de trabalho. No Pinterest publico fotos de decoração, cachorros e viagens, já no Facebook registro as minhas atividades de trabalho e um pouco de política. Penso que cada plataforma tem o seu propósito e modo de uso, implico solenemente com quem replica as mesmas publicações em todas as redes. Também tenho estratégias diferenciadas, as minhas contas no Facebook e Instagram são fechadas e o Twitter é aberto. A minha regra de uso é restringir as informações pessoais e deixar visível para todos as questões relacionadas com o coletivo. Estou contando isso tudo porque decidi retomar o meu uso inicial do blog como um espaço de registro das atividades relacionadas com o trabalho, ampliando também para as questões que tangenciam esse universo: discussões sobre a cultura contemporânea, entretenimento, panorama do mundo, viagens e, sobretudo, como um instrumento de resistência ao ataque desleal que a ciência e a universidade vem sofrendo atualmente. É preciso ocupar os espaços, aumentar o volume e a visibilidade de nossas vozes para que a sociedade não seja enganada por falsos mitos políticos ou religiosos que desdenham da ciência e do conhecimento para obter vantagens com a ignorância do povo. É um movimento pequeno, mas necessário porque não é tempo de omissão, precisamos fazer a nossa parte mesmo que seja uma ação pequena ou pontual. As redes hoje estão tomadas por robôs que propagam mentiras (fake news é um nome chique para denominar as mentiras, não?) e constroem narrativas falsas que são alimentadas pela omissão ou subserviência das empresas que controlam as plataformas das redes sociais. Atuar na rede de forma efetiva e contundente é um movimento de resistência e defesa da ciência e do ensino público e gratuito. Em tempos sombrios de pós-verdade, esse é um movimento em defesa da democracia.

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