quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Aprendizagem em Ambientes Virtuais


Durante este curto período de férias, aproveitei para fazer algumas leituras e buscas na rede sobre a questão do uso da tecnologia na aprendizagem. A dificuldade de aprendizagem dos alunos nos ambientes virtuais vem me inquietando bastante, principalmente porque eu não vejo muitas alternativas promissoras. Ao final de cada semestre, realizamos pesquisas com os alunos buscando pistas sobre os obstáculos que eles encontram durante o processo. Os resultados não são conclusivos e as respostas não nos dizem o que precisamos saber. Acredito que isso aconteça pelo fato de que os alunos ainda não consigam verbalizar as suas dificuldades (em relação ao uso das tecnologias) com clareza. Ainda existe muita confusão entre as dimensões pedagógicas do ensino presencial e a modalidade a distância. Sabemos que a ausência da cultura digital é um obstáculo no processo, mas será que estamos apresentando as ferramentas com a estrutura correta? Os ambientes virtuais de aprendizagem são um instrumento essencial, mas não estaremos fazendo o ambiente um fim em si mesmo? Quero dizer, será que o usamos apenas como um repositório de dados, ao invés de potencializar seu uso como um ambiente de criação e interação? Encontrei esta imagem sobre a evolução das mídias no blog do meu colega Cristóbal Cobo, e penso que ainda usamos o ambiente virtual no primeiro estágio, com algum envolvimento do aluno nos momentos de avaliação (que acaba não sendo um envolvimento espontâneo e sim coercitivo). Estou lendo o livro Buenas Prácticas de e-learning, organizado por Ana Landeta Etxeberría, da UDIMA (Universidad a Distancia de Madrid). São textos de vários autores e selecionei dois capítulos especialmente interessantes. Tenho refletido muito sobre o uso da tecnologia móvel na educação a distância e acredito que ela poderá ser um elemento diferenciador na aprendizagem, mas é preciso pensar em uma estratégia tanto tecnológica quanto pedagógica para colocar esta idéia em prática. Mas isso já é assunto para outro post.


Cap. 9 – E-Learning 2.0
Cap.17-Virtual Mobility: an Innovative Alternative for Physical Mobility?

6 comentários:

Suzana Gutierrez disse...

Oi Ana

Em relação aos AVAs eu penso que eles ainda seguem uma metáfora de escola/sala de aula, tanto na estrutura, quanto no uso.

Os professores, muitas vezes, entram no AVA como se entrassem na escola\sala de aula e seguem aquele mesmo esquema de 'depositar e retirar, que Paulo Freire tanto criticou.

A rede fica de fora do AVA que tem senha e, inclusive, fechamentos variados entre turmas, alunos, professores, disciplinas, tutores.

No meu entender, a compreensão da rede vai se evidenciando com o progressivo abandono desta centralização, controle e fechamento. O ambiente de aprendizagem é a rede.

abraço!

Suzana

Fernando SC Pimentel disse...

Olá Ana,
inicialmente meus parabéns pelo novo visual do seu blog. Saiba que isso faz a diferença entre os alunos e entre nós, educadores.

Sobre a sua inquietação...Tenho uma hipótese que ainda precisa ser comprovada.
Minha hipótese consiste no fato de que a maioria dos usuários das TDIC não conseguem observar as tecnologias e as mídias como fonte de conhecimento e aprendizagem. Ainda ficam muito no sentido do entretenimento.
Só conseguem acessar o Orkut para entretenimento. MSN para entretenimento... e assim vai.
Mas não quero generalizar, ainda mais por ser apenas uma hipótese.

E quanto aos seus estudos cultturais, recordei-me de um livro de li SOCIEDADE EMREDE, de Castells. Sei que você deve conhecer. Vale a pena retomar alguns pontos para sua pesquisa.

Um abraço forte, do amigo blogueiro de Maceió.

Ana disse...

Su,
É isso mesmo, embora supostamente interativo, a idéia de interação do professor é que o aluno pesquise, leia, assista aos vídeos para responder ao que ele quer e não para promover o debate e a reflexão. Quando é dado ao aluno um espaço maior, ele está sempre vinculado a algum tipo de avaliação. Sobre isso eles conseguem analisar com profundidade, e reclamam mesmo nas pesquisas. O risco que corremos é que a prática tradicional do professor está sendo maquiada com o uso das tecnologias. Isso é muito ruim porque quando alguma coisa não dá certo, rapidamente se coloca a culpa no uso dos computadores e não na estratégia equivocada do professor. Estou vendo a hora que alguém vai publicar um trabalho afirmando que o uso das TIC's emburreceu os alunos...

Beijos,

Ana disse...

Fernando,

Sua hipótese está correta, eles sempre acham que o ambiente tem que ser lúdico e como não é... Meu maior desafio é tentar trazer as estruturas de navegação e comunicação destes sites de relacionamento e entretenimento para a organização dos AVA´s. Fiz alguns experimentos interessantes que deram certo, mas as ações pessoais acabam em si mesmas e não promovem ma transformação pedagógica. Eu tenho certeza de que os alunos gostam de novidades, mas encontrar uma linha única para o uso das diferentes mídias, ainda é um desafio... Quanto ao Castells, nem se preocupe, é o meu livro de cabeceira porque ele é um autor da Geografia. Eu estudei com uma professora na UFRJ que foi orientanda dele no doutorado e a tese dela tinha 800 páginas! Quando ela passava, todos faziam um silêncio respeitoso (e isso foi em 92 quando ele nem era tão conhecido, imagina se fosse agora!).
Beijos,

Manuel Fernandes disse...

Ana,

Cito você:"Eu tenho certeza de que os alunos gostam de novidades, mas encontrar uma linha única para o uso das diferentes mídias, ainda é um desafio...".
Acredito que está aí o segredo! Na realidade os alunos (repare que o uso desta expressão -aluno- já pressupõe a presença de um outro elemento -o professor) gostam de novidades sim: um filme, um debate com algum convidado, o uso de eqipamentos que lhes facilitem a visualisação do que está sendo abordado (datashow, retro etc), apenas porque não estão habituados a absorver da fala do professor ou do texto escrito, aquilo que é essencial para o seu aprendizado.
Já tive, ao final de alguns semestres, alunos que me abordaram para fazer a seguinte crítica: - "professor, como quer que eu aprenda se no meu caderno não tenho um simples risco sobre a sua matéria"? Outros pedem para que eu escreva para eles "tirarem da lousa".
Agora imagine a situação que a educação a distância coloca para esses mesmos alunos... principalmente em acordo com o que nos diz Fernando Pimentel, também comentarista do blog.
A verdade, a meu ver, Ana, é que o nosso aluno não tem ainda a capacidade de abstração e de reflexão necessárias ao desenvolvimento de uma aprendizagem que não seja a bancária como nos diz Suzana. Tudo tem que ser mastigado, muito bem mastigado, e, de preferência deglutido. Caso contrário, a catástrofe está iminente.
Concluindo: a utilização das TIC´s deve começar na educação básica, mas com fortíssimo apoio das disciplinas que levam à reflexão, à autonomia de pensar, ao questionamento etc etc.
Descupe pela eloquência... como diz a nossa amiga Alásia... É coisa de pedagogo!

Ana disse...

Manu,

A comparação que você fez com a demanda do ensino presencial resumiu bem "nossas" angústias, parece que o que queremos proporcionar aos nossos alunos (autonomia, reflexão, investigação,etc) é considerado como negativo por boa parte deles. Por incrível que pareça ainda temos professores na Universidade que trabalham com questionários e, pior, os alunos sequer acham ruim. A grande questão da EAD que temos hoje é que os professores são os mesmos, os alunos são os mesmos, logo, o uso da tecnologia só vai transformar esta "cultura" se começarmos a modificar a postura de todos os envolvidos no processo. E isso vale tanto para o presencial como para a EAD.

Beijos,

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