quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Museu do Prado e o Google Earth

No final do ano passado, eu participei de uma reunião da UAB onde estavam reunidos os coordenadores dos cursos de Licenciatura em Geografia, História, Filosofia, Artes e Teatro a distância.O objetivo desta reunião, era discutir as especificidades dos cursos e as necessidades de adequação para a melhoria da qualidade. Os professores do curso de Artes reivindicaram viagens para os alunos frequentarem os museus, partindo da premissa que a observação in loco é fundamental no curso. Eu acredito que visitar museus é fundamental para qualquer professor, não apenas o de Artes já que a experiência é impactante e pode ser transmitida para os alunos nem que seja apenas um relato de amor à arte. Entre os anos de 98 e 2002, o Rio de Janeiro foi palco de inúmeras exposições fantásticas, Rodin, Botero, Miró, Picasso, Dalí, e tive a oportunidade de levar vários alunos para viver esta experiência, mas esta oportunidade acontece apenas nos grandes centros urbanos. Um dos aspectos mais fascinantes da Internet é a possibilidade de acesso aos diversos museus do mundo, uma consulta que não substitui a presença física, mas permite uma acessibilidade que nem os livros de artes (caros demais) podem proporcionar. Assim, fiquei perplexa com a reivindicação tão enfática dos professores de Artes, como se o uso da rede não possibilitasse o acesso dos alunos, ainda mais considerando que é um curso a distância. Afinal, quantas pessoas tem a oportunidade de visitar o Louvre? Fiquei entusiasmada quando li que o Museu do Prado , em Madrid, deu início a um projeto inovador, em parceria com o Google, através do qual será possível contemplar 15 obras-primas da coleção da pinacoteca espanhola em altíssima resolução na internet.Segundo a reportagem publicada no jornal O Globo, na última terça-feira, a iniciativa, batizada "Obras-primas do Prado no Google Earth", permitirá que se percebam detalhes dos quadros que o olho humano não pode perceber. A seleção foi feita de modo a incluir obras consideradas imprescindíveis do ponto de vista didático e que representam as escolas presentes na coleção do museu, de acordo com o diretor do Prado, Miguel Zugaza. Apesar das imagens não substituírem a experiência de se ver as obras ao vivo, "o nível de excelência do trabalho leva as obras a um nível universal e permite que se chegue a detalhes inalcançáveis a olho nu", afirma Zugaza. O diretor do Prado defende ainda que não há melhor maneira de render tributo aos mestres da arte do que universalizar suas obras.A precisão das imagens permite "observar até mesmo detalhes das restaurações, assim como experimentar um prazer extraordinário de contemplar cada um dos fragmentos de uma obra da complexidade de um 'Jardim das Delícias'" diz Zugaza. O projeto, único no mundo, como recorda Javier Rodríguez Zapatero, diretor do Google Espanha, "é um avanço a mais na democratização do acesso a informação e cultura, neste caso levando a arte a todo o mundo". A iniciativa não teve nenhum custo para o Museu e pode ser ampliada dependendo da acolhida que tiver. Ela permite que se vejam as imagens com uma precisão 1.400 vezes superior a que se teria com uma câmera digital de 10 megapixels. Ou seja, a compreensão das possibilidades de uso da Internet nem sempre dependem de uma solução tecnológica retumbante, mas sim de uma preocupação com o acesso e disseminação da informação para todos.

4 comentários:

Cultura na Rede disse...

Olá Ana!
Passagem rápida para leitura obrigatória!
Ab[]s
Luiz

Cristiano Ferronato disse...

Estou de volta a nossa querida terrinha. Adorei o makeup da página, ficou muito bonita. Quanto ao post em tempos de internet dá pra ir ao Louvre sem precisar necessariamente "ir" ao Louvre. Quando estava na UVA os professores "guias turisticos" adoravam ir in loco ver o centro histórico e as aulas eram uma bobagem. Beijos

Ana disse...

Cris,

Sim, a velha estratégia de matar o tempo... Respirar novos ares mesmo que virtualmente, faz um bem danado!

Beijos,

Ana disse...

Luiz,

E vice-versa como sempre...

Beijos,

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