sábado, 5 de junho de 2010

A Universidade e a Formação dos Professores


Acabo de ler um artigo bem interessante sobre o papel das Universidades na formação de professores. O texto foi publicado no blog Formador/a Ocupacional (a cada dia que passa me surpreendo com a qualidade das discussões que encontro fora dos meios de divulgação acadêmicos), e algumas perguntas incômodas são feitas pelo autor: você crê que a universidade está preparando adequadamente os futuros docentes? Crê que ao terminar os estudos um professor/a está preparado para a realidade que vai encontrar em sala de aula? Como eu venho atuando nos últimos anos nas licenciaturas e nos cursos de Pedagogia, as perguntas me atingem diretamente e me pergunto porque não conseguimos preparar melhor os professores se pesquisamos, orientamos e escrevemos sobre o tema exaustivamente. Penso que a resposta não está nos currículos e conteúdos, mas na forma como eles são apresentados. Vejo, com muito mais frequência do que eu gostaria, alunos que dominam conteúdos isoladamente, mas não conseguem relacionar as informações. Alguns por imaturidade e falta de experiência, outros porque estão fechados em suas verdades e alguns não conseguirão nunca com os processos que utilizamos em sala de aula. A passagem do texto - ¿Para cuándo una autocrítica de la razón universitaria? La institución lo necesita y la escuela también – é muito pertinente. A grande maioria dos professores ainda está preocupada em vigiar e punir, a reflexão só é estimulada até um certo limite. Depois nos surpreendemos com os professores da escola pública, os chamamos de resistentes e acomodados, como se não tivéssemos nenhuma responsabilidade sobre eles. Como não somos mais a única fonte de informação, buscamos estratégias na complexidade quando a simplicidade seria muito mais útil. Não temos problemas com os conteúdos, os materiais dos cursos são excelentes, o problema é a forma como todos nós atuamos, professores e alunos. Comparando a nossa sala de aula ao teatro, representamos o mesmo papel, todos afiados em suas marcações e falas. Pena (ou ainda bem!) que a crítica está destroçando o nosso desempenho...

5 comentários:

Manuel Fernandes disse...

Oi Ana

Que bom que leio este post. É que eu também me tenho questionado a esse sujeito. Aliás, no início, a minha tese deveria versar sobre esse assunto e não sei muito bem que razões me levaram a mudar de ideia. Mas o tema eu continuo a debater. Aqui na nova realidade que são os blogues tenho deixado algumas impressões a esse respeito. Vamos juntar forças e levar essa discussão para a frente?

Veja em http://assuntandoaformacao.blogspot.com

Caso não veja interesse, deixe para lá!

Boa semana de trabalho para nós!

Abração

Gustavo Garotti Scandiuzzi disse...

Olá amigos, vem aí a 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). As inscrições acontecem de 1 de junho a 6 de agosto.
Se puder, nos ajude a Divulgar! =D
A Olimpíada, composta por cinco fases online e uma presencial, é destinada a estudantes do 8º e 9º anos do ensino fundamental e demais séries do ensino médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil.
Para orientar a equipe, formada por três estudantes, é obrigatória a participação de um professor de história.
A Olimpíada começa no dia 19 de agosto, dia nacional do historiador, data que celebra o nascimento e o centenário da morte do jornalista e historiador Joaquim Nabuco.
A iniciativa é do Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 2009, a ONHB inscreveu mais de 15 mil participantes e reuniu cerca de 2 mil pessoas na final presencial.
Mais informações acesse o site “www.mc.unicamp.br”

Ana disse...

Manu,

Não conhecia o seu blog, muito interessante. Vou ler com calma e escrever um pouco para incrementar a nossa discussão. Se nós não refletirmos sobre a nossa própria ação, estaremos sempre vulneráveis às críticas externas que nem sempre são bem intencionadas...

Beijocas,

Ana

Ana disse...

Gustavo,

Vou ajudar na divulgação, muito boa a iniciativa. Acompanhei durante muitos anos a olimpíada de Astronomia, era muito interessante. Sucesso!!!


Abraços,

Alásia disse...

Beatriz,
essas questões são típicas (não que outros não façam) de quem bota literalmente a mão na massa, como, por exemplo, o professor que trabalha com os estágios ou as práticas de ensino, que paricipa de projetos em articulação com as secretarias de educação. Aí penso como pensa alguns rumos da política educacional brasileira: fortalecer e articular o papel das secretarias de educação junto às universidades; é levar a universidade ao povo que nela é formado, que dela usufrui de alguma forma. Como professora de estágio na UFPB, me pergunto e sou literalmente bombardeada pelos alunos a respeito da qualidade da formação que têm nas licenciaturas e sua relação com a prática. Acompanho os alunos nos estágios e me angustia o excesso de teoria sobre a teoria (parece um cão correndo atrás do próprio rabo) e quase ausência, muitas vezes desprezo, por analisar o cotidiano das salas de aula. Estamos preparando inadequadamente esses alunos porque desprezamos o corriqueiro, mas perrtinente dia-a-dia do ser professor, enquanto imperam práticas cada vez mais elaboradas de vigilância, punição e controle, porque até parece que a escola tem função de polícia, função esta que aparece nos discursos (hoje enfeitados com o ECA e os direitos humanos, inclusão e tá tá tá...) como condição para se educar. Precisamos, como formadores, não só repensar a prática pela prática - daí vira ativismo vazio - mas repensar o papel e o statuto da prática educativa nos cursos de formação de educadores.
Beijo!
Realmente, tô muito feliz por vc demonstrar entrosamento na UFPE! Ufa, né, menina!

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