quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Conhecimento Científico Aberto

Antes de começar a escrever sobre o assunto deste post, quero comentar a sua origem. O Sérgio Lima publicou um comentário na lista de discussão sobre REA (Recursos Educacionais Abertos) da qual fazemos parte, indicando o link para o texto da Raquel Recuero que, por sua vez, cita Marcos Palacios e Erick Felinto. Ufa! Parece até aquelas histórias do primo da cunhada do irmão do filho da vizinha, não é mesmo? Bom, eu fiz questão de citar o percurso todo porque ainda tratamos a formação de redes como um assunto abstrato e complexo, mas quem vivencia e trabalha em rede consegue realmente compatilhar e colaborar com outras pessoas. Fim da introdução. O texto interessante da Raquel é sobre a necessidade urgente de mudança no padrão das publicações científicas que precisam ser abertas ao público e reproduzidas em formatos que permitam a acessibilidade de todos (TODOS mesmo, não apenas para a comunidade científica). Ela lista alguns problemas que enfrentamos hoje: o fechamento, a língua, o formato dos eventos e publicações e aponta algumas soluções, citando a pesquisadora Danah Boyd. Eu já comentei o assunto aqui no blog e não é por vaidade que coloco os meus textos disponíveis na rede, mas porque eu realmente acredito que é possível compartilhar e colaborar. Umas das críticas da Raquel ao modus operandi da divulgação científica está nos eventos fechados, com anais disponíveis apenas para quem paga. Ora, vários textos meus que estão aqui no blog (em formato Pdf) foram publicados em eventos que não disponibilizaram os anais na rede! Já ouvi alguém dizer que só defende a publicação aberta quem não tem nada a perder, mas continuo pensando a mesma coisa: todo conhecimento produzido com dinheiro público (e isso inclui todos os professores das universidades públicas) deveria ser disponibilizado de forma gratuita e acessível para toda a sociedade. Não faço isso por concessão ou militância, mas sim porque além de qualquer outra motivação, é a minha obrigação.

5 comentários:

Karla Vidal disse...

Concordo Ana. E vou além: se o conhecimento científico não for atrativo quem vai se interessar? Formatos ultrapassados e engessados precisam ser superados. Muitas vezes o conhecimento científico é de interesse tb para quem tá fora da academia. É preciso estimular o interesse e garantir o acesso. E hoje em dia há formatos e ferramentas que potencializam a produção do conhecimento em todos os sentidos. Mas há quem prefira engavetar a coisa toda. Enfim... pano pra manga. Cabe a quem enxerga como você - e os pesquisadores referenciados em seu texto - produzir cada vez mais. Abçs!

Sérgio F. Lima disse...

Opa Ana

Num evento que estive em Campinas um Professor (que não me recordo o nome) fez uma interessante reconstrução da trajetória das primeiras sociedades científicas (que compartilhavam e trocavam (via cartas levada a carruagem) bastante.. até chegar no momento atual: facilidade tecnológica para a troca e o compatilhamento mas, na prática pouca troca e acesso as produções científicas.

Um maior compartilhamento e acesso a produçào cintífica é, também, um retorno ao estado nascente das primeiras sociedades científicas.

abs

Sérgio F. Lima disse...

Opa Ana,

O nome do Prof. citado acima é Peter Schulz... um resuminho da palestra dele está aqui: http://www.mc.unicamp.br/novidades/artigo/184

abs

Ana disse...

Karla,

Concordo com você, acredito que se os professores que compartilham a sua produção usaram formatos e meios inovadores para divulgação, talvez os demais acabem se rendendo. :) Como diz o slogan da Natura é crer para ver!

Abraços,

Ana disse...

Sérgio,

É surrealista pensar que temos que voltar ao princípio para conseguir compartilhar o conhecimento. Penso que a lógica do copyright contribuiu muito para isso, conheço professores na universidade frustrados porque o sonho de vida é inventar algo para conseguir uma patente e enriquecer. Tratar o conhecimento científico como um produto com valor de mercado é um grande equívoco. Por isso mesmo não gosto nem um pouco dos espaços de grandes empresas dentro da Universidade, mas tem muita gente que acredita que essa é a solução para a pesquisa no país.

Beijos,

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