sábado, 28 de março de 2009

O Leitor

Fui ao cinema assistir o filme "O Leitor", apesar do aviso na bilheteria de que as salas estavam operando com 50% do ar-condicionado. Bom, pelo calor que fazia na sala quem calculou o percentual não entende nada de estatística... Considerando que o ingresso custou três reais (com carteira de estudante que o doutorado proporciona) não pude nem reclamar, até porque não tinha sequer um funcionário para acender as luzes e abrir as portas quando terminou o filme, os próprios espectadores é que providenciaram a saída. Além da parada estratégica no corpo e na mente que só o cinema pode proporcionar, o filme levanta tantas questões complexas que só assistindo novamente para captar todas as nuances. O desempenho dos atores ajuda muito, com uma Kate Winslet de aspecto cansado e sofrido e um jovem estreante que dá conta do recado. Só o Ralph Fiennes destoa no elenco, quase atrapalhando o filme. Para os professores é imperdível, e só quem já conviveu com pessoas que esconderam as suas limitações a vida toda, poderá entender a cena mais importante do filme. Não é um filme sobre o amor, é um filme sobre o preconceito e a culpa que existe na sociedade e em todos nós pelo fato dele existir e persistir.

Um comentário:

Alásia disse...

É Beatriz.Esse filme mereceu todos os prémios que recebeu. Kate Winslet conseguiu genialmente "abafar" sua própria atuação no filme "Foi apenas um sonho". Concordo contigo sobre o Ralph Finnies que, embora seja muito bom ator, teve papel irrelevante nesse filme diane das tórridas cenas de amor de Kate com o jovem ator alemão. O frissom - a grande questão - de uma abordagem belíssima e respeitosa foi a leitura - ou os nomes que hoje chamamos, como alfabetização, letramento... -. Diante de tal questão - de como a personagem de Kate escondeu durante anos de sua vida a condição de não alfabetizada ou não-leitora - o medo, a angústia e o preconceito são aspectos emblemáticos, que nos fazem, como fez a personagem, assumir crimes que não cometeu em nome de não assumir sua condição e ser discriminada! Se ampliamos o conceito de leitura, como algo que não se atrela exclusivamente aos códigos da língua, vemos quantos de nós não esconde tantos limites - tantas leituras da vida e da realidade - por medo de assumir alguma condição que considera menor!!!???? Esse filme pra mim é realmente fantástico! E Kate, em minha opinião e considerando todo o teor comercial do oscar - mereceu sim a estatueta, pela maturidade com que, como atriz, conseguiu expressar aquelas circunstâncias!

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